Primeiro, a educação; depois, a emoção. O julgamento do caso de Alcochete teve esta quarta-feira a 18.ª sessão no Tribunal de Monsanto, com os testemunhos do central André Pinto, que hoje representa os sauditas do Al Fateh, a fazer a descrição de tudo o que presenciou no balneário num tom coloquial, antecedendo qualquer resposta com um “senhora doutora” ou “senhor doutor” e recordando as ameaças de morte que ouviu a 15 de maio de 2018, e de Mário Monteiro, antigo preparador físico do Sporting que acompanharia mais tarde Jorge Jesus para o Al Hilal e para o Flamengo – e que, antes de dois momentos de emoção onde não evitou as lágrimas, acrescentou alguns dados ao processo por ser o elemento que estava ao lado de Bas Dost aquando das agressões ao avançado holandês, bem como mais frases da reunião com Bruno de Carvalho na véspera da invasão.

Em paralelo, este foi também o primeiro dia onde se ouviram testemunhas abonatórias dos arguidos, neste caso duas de Guilherme Sousa e outras tantas Filipe Alegria – aqui momentos bem mais curtos, com um número de perguntas reduzido e onde em resumo existe uma descrição de carácter das pessoas em causa. O julgamento será agora retomado na próxima quarta-feira (dia 15) de manhã, com os testemunhos do preparador João Reis e do massagista Hugo Fontes. Já estão também marcados, além do GNR que faltava ainda ouvir por se encontrar em missão no estrangeiro e de mais testemunhas abonatórias, o secretário técnico João Rollin Duarte (dia 17, de manhã), Piccini (dia 17, à tarde), Lumor (dia 22, à tarde) e Rúben Ribeiro (dia 24, de manhã). William Carvalho, outra das peças chave para o Ministério Público, está “apalavrado” para dia 31.

[O resumo do dia 17 do julgamento do caso de Alcochete]

As 4 horas de depoimento de Jesus: o soco, o cinto e o grande arrependimento de ter jogado a final da Taça

“Em 26 anos de profissional, nunca vi uma reunião assim”, disse Mário Monteiro

Depois de Nelson Pereira, Raúl José, Miguel Quaresma e Márcio Sampaio, Mário Monteiro foi o último elemento da equipa técnica de Jorge Jesus a prestar depoimento no âmbito deste julgamento do caso de Alcochete. O antigo preparador físico dos leões entre 2015 e 2018, que foi depois para a Arábia Saudita (Al Hilal) e para o Brasil (Flamengo), falou à entrada do Tribunal de Monsanto, onde chegou com uma antecedência de cerca de 20 minutos, explicando que quis vir falar presencialmente para contar tudo o que tinha visto e quase “arrumar esse capítulo”, ao mesmo tempo que referiu que iria acabar a carreira brevemente e que em Portugal seria apenas técnico do FC Porto em homenagem à mãe. “Sei que colegas meus e jogadores fizeram via Skype, mas acho que estas coisas devem ser feitas no local. Passei o Natal e Ano Novo no Brasil, vim cá colaborar com a Justiça e visitar família e amigos. Se vai ser difícil? Um bocado, não é fácil…”, referiu antes de iniciar o testemunho, às 14h15.

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“Estava no ginásio com o Márcio Sampaio, estávamos mesmo a acabar os preparativos antes do treino. Como conseguíamos ver através dos envidraçados, pensei que era uma brincadeira de Carnaval porque vinham todos encapuzados. Afinal não… Foram em direção ao campo de treinos, depois foram para o lado esquerdo e quando vi isso segui com o Márcio para o balneário”, começou por referir no início de um testemunho que durou quase duas horas ao início da tarde, antes da primeira descrição in loco do que tinha acontecido com Bas Dost, o jogador que acabou com ferimentos mais visíveis e que simbolizou o que aconteceu no balneário da Academia.

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“Já havia uma nuvem imensa de fumo. Era um caos, os alarmes de incêndio a tocar. Já estava o mundo todo lá dentro. Vi um indivíduo a dar logo uma cinturada no Misic. Estava onde os jogadores calçam as chuteiras, mesmo ao lado do Bas Dost. Levou logo com uma cinturada, alguém lhe deu ostensivamente e apareceu outro a pontapear. A mim só me disseram para não fazer nada. Antes no balneário só vi o Misic a levar uma cinturada, foi de cima para baixo. Foi pontual, depois esse desapareceu. Depois tem a porta do balneário, que fica bastante aberta, e mesmo em frente tem um recanto. Foi aí que o Dost levou ostensivamente com o cinto. Não sabia o que fazer, tive imensa pena mas não consegui socorrer. O Dost estaria a calçar as chutarias. Levou com o cinto e nunca mais se levantou. Não sei se foi a mesma pessoa ao Misic e ao Dost mas foram várias do mesmo indivíduo, todas na cabeça de forma muito ostensiva. Depois há uma pessoa que o pontapeia enquanto está no chão”, contou, antes de falar também do momento em que foi atingido com uma tocha na zona do peito.

[O resumo do dia 15 do julgamento do caso de Alcochete]

Dia 15 de Alcochete. Medo de Coates, alarmes de Battaglia e as reuniões com gritos, questões pessoais e tom intimidatório

Na altura pensei que podiam ter sido dois ou três minutos… Depois aparece o doutor Frederico Varandas e quando me viro levo com uma tocha. A seguir o doutor disse-me que ia na direção dele e que se desviou, acertando em mim. Foi no momento de fuga, não posso dizer que tenha sido de propósito para me acertar. No balneário, havia uns a chorar, outros preocupados com o que tinha acontecido… Eu estava ali no sítio onde o Bas Dost foi agredido. Não vi quantas tochas havia, uma queimou-me a camisola e deixou-me um vermelhão na barriga e no punho esquerdo”, recordou.

Ato contínuo, Mário Monteiro foi depois para o exterior do balneário, onde falou durante vários minutos, alguns mesmo sozinho, com o grupo de elementos de cara destapada que estavam também na Academia. “Quando saí vi o Jorge Jesus, que estava a sangrar, o William e mais quatro senhores. Estive dez minutos à conversa com eles. Era o senhor Fernando Mendes, o senhor Aleluia, o senhor Torres e outro senhor que não consigo identificar. Eles diziam ‘Nós não nos revemos nestas situações, só viemos conversar’. E eu respondi: ‘No balneário disseram que o Sporting é vosso, que vocês é que mandam e entram na vossa casa para agredir pessoas e partir tudo?’. Trataram-me bem, voltaram a dizer que vinham para falar com o mister. Mas eu continuei ‘Se fosse na cara podia ter-me deixado cego’ e o senhor Aleluia ‘Gostamos dos jogadores, respeitamos a instituição, percebemos perfeitamente o que está a dizer’. O outro que não identifico disse que viajavam para todo o lado com a equipa”, referiu.

[O resumo do dia 14 do julgamento do caso de Alcochete]

Alcochete. As ameaças de morte recordadas por Acuña e Battaglia, as agressões e o “hijo de puta”

“Assisti um pouco à conversa do Jorge Jesus e do Fernando Mendes. O meu treinador pediu explicações, eles disseram que não iam para aquilo e correu tudo de forma pacífica naquela conversa. O William também estava lá. Nessa altura já não estava mais ninguém naquele espaço, tinha saído tudo. Só fui lá fora pelo que me aconteceu e fui pedir explicações porque o que aconteceu foi muito grave, aquilo na cara podia ter ficado cego. A polícia tirou-me fotografias a essas marcas no corpo. Depois entrámos no balneário e estávamos numa espécie de rescaldo. Estava tudo revirado, ninguém mexeu em nada. A mim ninguém me tocou, ninguém me fez nada, disseram apenas ‘Professor, não se meta, não é nada consigo’”, acrescentou, num encontro numa zona no final da reta que dá acesso à ala profissional, dizendo ainda que “quando Bruno de Carvalho foi ao balneário dos treinadores, queria falar com os jogadores mas o meu técnico disse que os jogadores não queriam falar com ele”.

[O resumo do dia 13 do julgamento do caso de Alcochete]

Palhinha gravou um vídeo, mas não foi aquele que passou nas televisões: “Não sei quem gravou”. Dia 13 do julgamento do caso de Alcochete

Mário Monteiro falou também do jogo na Madeira frente ao Marítimo e na chegada ao aeroporto, contradizendo o depoimento de Marcos Acuña que disse ter ouvido algo mas que nem se apercebeu, seguindo para a zona de embarque sem falar com nenhum dos adeptos por lá presentes. “No final do jogo houve umas assobiadelas, o que é normal quando se perde. Quando estávamos a ir para o autocarro ali no estádio também mas é o dia a dia, uns assobios e uns apupos. No aeroporto assisti ao Fernando Mendes a falar com Acuña, os dois a discutir, houve uma troca de palavras e o Battaglia também se tentou meter. Eu como não gosto dessas coisas segui, não sei o que estavam a dizer”, salientou. Mais tarde, a propósito da conversa com Fernando Mendes na Academia após a invasão, completou, dizendo: “Disse que foram mal tratados na Madeira, que não era justo terem sido insultados pelo Acuña quando tinham viajado até à Madeira para apoiar a equipa”.

Na parte final das questões da procuradora do Ministério Público, o preparador físico falou na reunião em Alvalade na véspera da invasão, a reunião que “em 26 anos de futebol profissional, apesar de me sentir jovem, nunca pensei assistir porque foi algo surreal”. “Resumindo, fomos motivo de chacota”, frisou.

[O resumo do dia 12 do julgamento do caso de Alcochete]

Dia 12 do caso de Alcochete. Podence recusou segurança e diz que “Bruno de Carvalho sabia que plantel não estava com ele”

“O senhor presidente chegou-nos a dizer, mais propriamente ao nosso treinador ‘Oh Jorge, porque é que estás preocupado. Estás assim tão preocupado com a final da Taça mas isso para mim é como nascer um furúnculo no rabo’. Teve a coragem de dizer isto… E depois enrolava… ‘Oh Jorge, o que é que tu pensas, não estou a ver mais nada mas olha chegou ao fim de linha’. Entretanto também diz ‘Olha uma coisa, tens a noção do que poderia ter acontecido? Eu estive até às seis ou sete da manhã porque o Fernando Mendes queria a morada dos jogadores, tinha a minha mulher a falar, a minha filha a chorar, não sonhas o que ia acontecer…’. Depois avançou e passou para o treino a dizer ‘Não, não é bem despedir…’. A partir do momento em que disse fim de linha, toda a gente percebeu ali. Ele diz que com o treino na parte da manhã não tinha tempo para falar com o contencioso, que a única hipótese é marcar para a parte da tarde. Eu falei aí e disse: ‘Oh mister não está a perceber fomos despedidos? Se não marcar o treino ainda dizem que estamos a faltar ao trabalho’. Da parte da tarde haveria tempo para falar com o contencioso, dizia Bruno de Carvalho. Mas também disse que se até ao meio dia não houvesse uma nota de culpa iríamos dar o treino. O meu treinador falou cá fora, disse que era importante irmos mais cedo. A preocupação era sermos barrados à frente da comunicação social, na Academia. O Márcio foi o primeiro a entrar, fiz a minha rotina mas em vez de ir de carro vou de mota, apenas isso”, relatou Mário Monteiro.

[O resumo do dia 11 do julgamento do caso de Alcochete]

Alcochete. Ristovski ainda hoje tem medo quando Sporting perde, Bruno recorda o “Vamos matar-vos, não merecem esta camisola”

“Disse que podia ter acontecido uma catástrofe, que ele é que desmontou tudo porque eles [o das claques] queriam tudo do Acuña e do Battaglia, contactos e moradas. ‘Vocês nem sonham o que estava preparado’, foi mesmo assim a frase. Se mais alguém falou? Não porque ele não deixa falar. Nem sequer abriram a boca os dois [administradores da SAD]. Um desses senhores ainda disse, a propósito de estarmos preocupados com os bilhetes para a final da Taça de Portugal: ‘Não faz mal, podem ir ao OLX porque depois da Madeira deve haver muitos…’.

[O resumo do dia 10 do julgamento do caso de Alcochete]

O dia 10 do caso de Alcochete. Ameaças, estaladas (ou “tapas”) e os diferentes estados de Bruno nas reuniões

Quando tiveram início as perguntas dos advogados, e perante a insistência do advogado do Sporting sobre a forma como Bas Dost estava a ser atingido, Mário Monteiro lançou um “Mas quer que seja arquiteto? A pontapear só não vi na cabeça”, sendo advertido uma primeira vez pela juíza antes de um diálogo mais aberto entre Sílvia Rosa Pires e o preparador físico após uma pergunta de um advogado sobre os resultados a partir da derrota em Madrid.

– Isso não é relevante…
– Desculpe mas aqui eu é que sei o que é ou não relevante…
– Mas não respondo, não interessa.
– Mas para nós é importante. E não pense que estou a colocar o que quer que seja em causa, isto é importante…
– Olhe, fizemos um jogo muito superior ao Madrid, a própria imprensa espanhola disse isso…

[O resumo do dia 9 do julgamento do caso de Alcochete]

O dia 9 do caso de Alcochete. A mudança do treino, o terror no balneário entre “abrunhos e bordoadas” e o desabafo dos invasores

Mais à frente, foi a própria juíza que, perante as questões sobre o jogo com o P. Ferreira que se seguiu à derrota frente ao Atlético, cortou a inquirição. “Oh senhores advogados, já sabemos o que se passou no jogo com o P. Ferreira, que os jogadores foram ovacionados, temos de andar para a frente com essa conversa porque toda a gente já sabe e já percebeu isso e andamos aqui sempre a fazer as mesmas perguntas”, atirou.

[O resumo do dia 8 do julgamento do caso de Alcochete]

Dia 8 de Alcochete. O vídeo com Varandas, a reunião de Bruno, a agressão a Acuña, o pedido dos jogadores e o “chibo”

“Após o dia 15 de maio, a minha preocupação foi andar de BTT na mata de Monsanto, não quis saber de mais porque é o meu hobbie. Não me recordo se havia ou não planos de treinos porque a minha preocupação foi relaxar depois do que aconteceu. Fiquei a aguardar, só cumpro ordens”, contou antes de reforçar que, ao contrário do que achava Jorge Jesus, achava que a equipa técnica tinha sido dispensada e já não faria a final da Taça de Portugal. “Ponderei abandonar o futebol e dedicar-me apenas ao ensino, disse isso ao meu treinador. Recebi ajuda, fui a um psiquiatra. Tinha 24 anos de profissional e nunca me tinha acontecido nada assim… Nunca ninguém do Sporting me perguntou se precisava de alguma coisa”, concluiu, antes de falar também da morte trágica de um familiar dois meses antes da invasão à Academia, num primeiro momento que o deixou visivelmente emocionado antes de, à saída, se mostrar aliviado por ter encerrado um capítulo particularmente complicado da vida e não conter as lágrimas por ter recordado também a morte do irmão nesse mesmo lapso temporal da invasão.

[O resumo do dia 7 do julgamento do caso de Alcochete]

Dia 7 do caso de Alcochete. As ameaças, as agressões, as imagens não desaparecidas e as reuniões com Bruno de Carvalho

“Misic? O indivíduo veio e deu-lhe com o cinto na cara”, recorda André Pinto

De manhã, André Pinto tinha prestado depoimento através de Skype (joga agora na Arábia Saudita e foi por estar em viagem na segunda-feira que pediu adiamento para hoje), com um ligeiro atraso também devido ao acidente que houve de manhã na Ponte 25 de Abril e que condicionou o trânsito para Lisboa – algo que poderá ter feito também com que alguns arguidos não tenham marcado presença nesta 18.ª sessão do julgamento. “Estava no ginásio, que dá para ver o exterior porque é em vidro e foi aí que me deparei com os primeiros indivíduos. Dirigi-me logo para o balneário. Assim que vi os primeiros fui logo para o balneário mas eram os primeiros, não eram muitos. Alguns iam em passo acelerado, iam à procura de algo. Todos de rosto tapado”, disse, na primeiras das muitas respostas antecedidas de forma educada por um “Senhor doutora”.

[O resumo do dia 6 do julgamento do caso de Alcochete]

Do gozo do senhor do Ecoponto (que não era) à cor do cinto que abriu cabeça a Dost: o dia 6 do caso de Alcochete

“A ideia que tenho é que estariam quase todos, 90% do plantel estava no interior do balneário. Também havia elementos do staff e da equipa técnica. Não sei precisar mas estariam quase 30 pessoas, contando com todos. A porta estava aberta, o secretário técnico, o senhor Vasco tentou fechar a porta mas era uma porta de ferro que era preciso alguma força e os indivíduos conseguiram entrar. Entraram praticamente todos como uma avalanche, ou foram entrando porque a porta não é assim tão larga. Mas tudo muito rápido, a empurrar”, referiu, prosseguindo: “Vi muito fumo por causa das tochas. Durante a confusão ouviu-se o alarme de incêndio, não sei precisar quando. O que tenho memória foram os nomes do Acuña e do Battaglia, dois colegas meus de equipa na altura. Vinham com expressões fortes, ‘Vamos matar-vos’, ‘Não merecem a camisola que vestem’. A única agressão que vi foi ao Misic, que estava próximo, e levou com cinto na face. O resto não presenciei porque se gerou uma grande confusão. Vi apenas um indivíduo com o cinto na mão porque estava sentado no meu lugar”.

[O resumo do dia 5 do julgamento do caso de Alcochete]

Alcochete. Arguido levado para a esquadra teve “comportamentos impróprios” com os polícias

“Havia alguns mais exaltados do que outros mas não vi nenhum a apaziguar nem vi ninguém a responder a nada do nosso lado. Não houve um único contacto, nada. Foi entrar, nem um boa tarde, nada, e partir para agressões. Também não me apercebi que alguém tenha tentado sair mas não creio que fosse muito viável. O meu sentimento era que era impossível sair dali, levantar-me e sair. Estavam todos de pé, a caminho da porta. Um com um cinto, outros a ameaçar, era impossível. Mesmo que não tentasse sair fiquei com receio, felizmente não fui vítima de nenhuma agressão física mas foi algo breve que me pareceu uma eternidade. Tenho ideia que alguns começaram a dizer ‘Vamos embora, vamos embora’ e começaram a sair, a dispersar. Ouvi um a dizer que se não ganhássemos o próximo jogo que nos matavam. Foi algo que ninguém estava à espera, nunca tinha tido uma vivência dessas e fiquei com receio por aquilo que podiam ser a consequências com família e esse tipo de coisas”.

[O resumo do dia 4 do julgamento do caso de Alcochete]

Dia 4 do caso Alcochete. O sistema de videovigilância que falhou a minutos do ataque, Fernando Mendes e uma fivela

“Da Madeira não posso falar, não estive. Da reunião com os jogadores na véspera em Alvalade, estavam o presidente, senhor Bruno de Carvalho, o senhor André Geraldes e creio que havia mais elementos mas não me recordo agora dos nomes. Da reunião a única coisa que me recordo foi que se falou dos desacatos no aeroporto da ilha da Madeira, ele [Bruno de Carvalho] estava a falar mais vocacionado para o Acuña e para o Battaglia e porque os adeptos lhe tinham ligado a perguntar onde viviam e que estava a tentar acalmar… Houve algum confronto também com o Rui Patrício e o William Carvalho. Perguntou o porquê do problema na Madeira e se estávamos todos juntos para o que aí viesse. Lembro-me que disse que não se podiam ter metido com os líderes das claques mas não me recordo das palavras em concreto”, completou, em respostas à procuradora.

“A perceção que tive foi que por um lado estava a repreender e por outro estava de certa forma preocupado até por terem reagido ao chefe da claque. Os jogadores falavam, o ex-presidente falava, foi uma confusão… Disse que lhe estavam a ligar e que andavam a ver como iam fazer, que ia tentar acalmar e perguntou se estávamos todos juntos. Não tenho ideia se já se falava do despedimento do Jorge Jesus antes dessa reunião, não tinha conhecimento”, explicou a Miguel Coutinho, advogado do Sporting (que é assistente do processo). “A partir daí não ficou definido nenhum programa de treinos, foi casa um para sua casa. Só fomos treinar em conjunto na véspera do jogo, no Jamor, porque antes ninguém tinha condições psicológicas para treinar”, acrescentou.

[O resumo do dia 3 do julgamento do caso de Alcochete]

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Ainda sobre as agressões a Misic, André Pinto explicou que o médio estava à sua direita e “não falou, não gesticulou, nada”. “Dado o que estava a acontecer, diria que havia elementos que não eram o alvo número 1 e acabaram por levar por tabela, peço desculpa pela expressão. Acidental não foi, o Misic estava de pé ao contrário de mim que estava sentado e o indivíduo no meio dos insultos deu-lhe com o cinto na cara. Vi à posteriori com ferimentos o Bas Dost, já estava no posto médico e tinha o ferimento na cabeça. Vi também quando o treinador Jorge Jesus chegou ao balneário e notava-se que tinha sangue no nariz”, contou, antes de começar a responder às perguntas de Miguel A. Fonseca, advogado do antigo líder leonino, Bruno de Carvalho.

– Bom dia senhor André Pinto, está-me a ouvir bem?
– Bom dia doutor. Tudo bem, obrigado (…)
– Lembra-se do jogo de Madrid?
– Lembro-me do jogo mas estava no banco, não foi utilizado.
– E foi visado nos comentários do presidente a seguir ao jogo?
– A minha pessoa não foi mas foi o grupo de trabalho e fiquei solidário com os meus colegas que foram visados.
– E sabe se o presidente falava com os jogadores?
– Só posso responder por mim doutor, não sei se alguém falou…

[O resumo do dia 2 do julgamento do caso de Alcochete]

Dia 2 do caso Alcochete: o auto da GNR que os advogados contestam, as imagens “desaparecidas” e a calma de Mathieu

André Pinto falou depois do encontro seguinte, na receção ao P. Ferreira em Alvalade, referindo que se recorda que a maioria do estádio ovacionou a equipa no final desse encontro que terminou com a vitória dos leões por 2-0 mas não falando sobre uma reação em específico que tivesse havido contra a adinistração da SAD. “Vá, chega dos Paços de Ferreira e dos ovacionados, vamos avançar”, atirou então a juíza presidente.

– Só para esclarecer: o presidente disse líder da claque, líder das claques, líderes das claques ou líderes da claque?
– Disse líder da claque.
– E portanto tinham ligado durante a noite…
– Só para precisar: não disse que tinha dito durante a noite…
– Então mas a reunião não foi na segunda-feira?
– Sim, na segunda à tarde. Mas não sei se falaram à noite, na segunda de manhã…
– Peço desculpa, fui eu que não fui rigoroso.
– Ah, não tem mal…

[O resumo do dia 1 do julgamento do caso de Alcochete]

As contradições de Jacinto, o BMW azul em Monsanto e um ex-presidente “depauperado”: o dia 1 de Alcochete

A terminar, Miguel A. Fonseca perguntou ainda mais sobre onde estava o “funcionário Frederico Varandas”. “Do doutor Virgílio Abreu não me recordo, lembro-me do doutor Frederico Varandas. Sei que estava presente lá no dia, não tenho memória se estava no balneário, se estava no corredor… Peço desculpa doutor, não tenho memória. Quem estava com o Bas Dost? Vi-o a sangrar, tentei confortá-lo, lembro-me de ele estar a chorar mas não sei quem estava lá mais com ele”, disse o central, antes de a juíza voltar a “acelerar” essa parte das questões com um “Mas qual é a relevância de quem foi pôr o penso rápido ou o Betadine?”. O advogado quis saber ainda sobre as alterações que existiram na Academia em termos de segurança antes de terminar com um “Não tenho mais nada para perguntar, apenas dizer obrigado por ter sido leal à sua entidade patronal”.