Primeiro foram Luís Maximiano, Wendel e Mathieu, no dia seguinte Ristovski e Bruno Fernandes. Os jogadores do Sporting têm prestado depoimento por videoconferência no julgamento do caso de Alcochete e, no meio de toda a descrição do terror que viveram naqueles “cinco a dez minutos” da invasão, deixaram também alguns pormenores importantes para a acusação de Ministério Público, inclusive o modo de entrada e saída dos indivíduos ou detalhes que se recordam dos invasores. Esta tarde de quinta-feira foi a vez de Daniel Podence, avançado que atua agora nos gregos do Olympicos (foi um dos melhores na vitória frente ao Estrela Vermelha que valeu a passagem da equipa para a Liga Europa) e que foi o primeiro apresentar-se como assistente do processo falando por Skype.

[O resumo do dia 11 do julgamento do caso de Alcochete]

O jogador formado no Sporting descreveu o pânico que se sentiu durante os minutos de invasão, fez mais algumas descrições das agressões a jogadores, revelou ter visto Elton Camará (Aleluia) num grupo de adeptos que, depois da saída dos invasores, ficou a conversar com Jorge Jesus e William Carvalho, entre outros, e admitiu também que o clube lhe ofereceu segurança “quatro ou cinco depois” mas que não só não tinha confiança na mesma como queria sobretudo acabar a ligação com o clube. Antes, de manhã, o médico Virgílio Abreu tinha sido o primeiro a referir a presença de Frederico Varandas no balneário durante os acontecimentos, mostrando estranheza pela reunião da véspera em Alvalade e falando no caso de um dos arguidos, que é de uma família de amigos próximos.

O cinto em Misic, o pensamento na “fuga” e o amigo de William

“Vi uns indivíduos a chegar, havia outros lá fora. O Vasco Fernandes, os treinadores de guarda-redes e o segurança tentarem fechar a porta mas já não conseguiram. Se calhar se as portas fossem de correr podia ter sido diferente mas eram muitos e foi impossível fechar as portas a tempo. O William foi direto à porta, fizeram logo uma roda à volta e começaram a bater. Quantos eram? Para aí uns 30 talvez. Tudo de cara tapada? Tudo, tudo acho que não mas não me consigo lembrar dos rostos em si mas havia uns só com os olhos à mostra, umas bolinhas, outros com uns lenços de tapar a boca. O William foi o primeiro rodeado, encheram-no de socos, pontapés, tudo e mais alguma coisa. O William, por conhecer alguns, por ser português e capitão, tentou chegar-se à frente mas deu-se mal. Andavam à procura também do Rui [Patrício], do Acuña, do Battaglia”, começou por descrever, antes de especificar a invasão e o que iam gritando os indivíduos que entraram pelo balneário dos leões.

“Chamavam nomes, diziam que não éramos dignos de vestir aquela camisola, que tínhamos de ganhar no domingo ou íamos ver, que eles é que eram o Sporting. Estava ao lado do Misic e deram-lhe logo com um cinto na cara antes de chegarem a mim, apanharam-no ali. Eu era o 17, estava ao lado do André Pinto, com o Rúben Ribeiro, o Petrovic e o Misic ali ao pé. O Acuña estava sentado, dois ou três lugares ao meu lado, foram três ou quatro a dar chapadas e socos na cabeça e ele sentado a proteger-se. O Battaglia também foram uns três ou quatro e ele a tentar defender-se. O Rui [Patrício] acho que se levantou e foi cercado, também levou com um barril de água, daqueles de meter o copo, passou a voar. Havia muita confusão e depois acenderam tochas, talvez duas. Acho que uma pelo menos foi no meio da confusão, uma ficou a arder quando foram embora. Até para respirar estava complicado porque não se via bem e soou a buzina do fogo”, detalhou o avançado.

“Gente a apaziguar não, no máximo alguém na porta a vigiar, um ou outro que terão ficado fora do balneário. Entre os que estiveram no balneário não vi nenhum que não desse. Se pensei em sair? Sim, pensei, claro, mas não arrisquei porque um passo que alguém desse ali era uma chance para ser cercado e levar ainda mais, até por não saber o que estava lá fora. Pensei que o melhor era ficar ali”, disse, antes de Sílvia Rosa Pires fazer uma interrupção para dizer “Olhe, acho que foi uma bela ideia senhor Daniel, a pergunta não tinha qualquer tipo de censura”. “Houve quem ficasse sentado e levasse, o Misic estava de pé e levou com o cinto, o Rui e o William queriam falar e levaram… Foi tudo assim”, atirou o avançado, antes de falar no seu caso: “Deram a volta ao balneário, olharam para as nossas caras e empurraram-me para trás. Estava em pé encostado e caí para trás. Foi aí que acabei por ficar sentado e fiquei lá assim. O Gelson [Martins] ficou sentado e não lhe tocaram, também tive sorte… Depois foram saindo e houve gritos a dizer ‘Vamos embora, já chega’”.

[O resumo do dia 10 do julgamento do caso de Alcochete]

“O Dost tinha a cabeça aberta mas estava fora do balneário, de cabeça aberta. Vi também o mister Jorge Jesus, estava desnorteado e tinha uma marca. Foi ao chão, notava-se que tinha sido amassado. As portas ficaram partidas, todas rebentadas. Vi o Jesus a levantar-se, ao pé da porta onde tinham entrado, a agressão não vi. Tenho a ideia que veio para dentro e que mais tarde foi para o exterior porque não sabia de nada do que se tinha passado lá dentro. Mais tarde vi o Jorge Jesus a falar na estrada com uns adeptos de cara destapada, depois dos outros saírem da Academia, na estrada principal. Estava ele, o William, o segurança e estavam a falar com três ou quatro da claque. Um era o Aleluia [Elton Camará], que era conhecido do William. Estavam a falar bem, de forma calma. Não ouvindo a conversa percebi isso”, salientou, antes de, mesmo na parte final das declarações, dizer que conhecia Aleluia “porque tinha uns dois metros, através do William, mas sem ser uma pessoa de ir jantar lá a casa, só do meio do futebol”. Elton Camará, um dos dois arguidos em prisão preventiva, encolheu os ombros e sorriu.

Tive receio de tudo, de levar com um cinto na cara, de levar socos. Pensei que podia levar com um taco, com tudo. Tive receio que pudessem vir na minha direção. Aí não estava preocupado com o jogo de domingo, queria era safar-me daquela situação. As palavras valem o que valem, estava mais preocupado era com a minha saúde e isso durou dois, três, quatro, cinco meses. Nas três semanas seguintes estava sempre a olhar pelo buraquinho da porta para ver quem batia e a olhar para a janela para ver quem estava lá em baixo”, confidenciou Daniel Podence.

Mais tarde, perante as questões de Sandra Martins, o avançado deu mais detalhes a esse propósito.

– O Sporting ofereceu-lhe segurança pessoal?
– Ofereceu mas passado quatro ou cinco dias, para andar connosco. Mas como não queria estar ligado ao Sporting recusei.
– Mas portanto, foi você que recusou?
– Não senti segurança na proteção que estava a ser oferecida. E, como disse, não queria era estar ligado ao Sporting.

Daniel Podence recordou também a reunião dos jogadores na véspera do ataque à Academia em Alvalade com o presidente do Sporting na altura, Bruno de Carvalho. “Normalmente e deve ter sido assim, era o Vasco Fernandes que avisava a hora do treino. Tínhamos o plano semanal no balneário mas se fosse mais em cima da hora avisava por mensagem do WhatsApp, num grupo ou individual. O jogo tinha sido dia 13, dia 14 estávamos de folga, como tínhamos perdido e as reuniões anteriores tinham sido quentes, estávamos meio receosos com o que podia acontecer mas foi tudo calmo. O presidente quis saber o que se tinha passado na Madeira, no aeroporto, e que ia tentar acalmar as coisas, falando de forma tranquila, o que não era habitual nele tendo em conta as reuniões anteriores. Disse que nos tínhamos de apresentar bem na Taça mas foi sobretudo esse problema no aeroporto na Madeira porque perguntou ao Acuña o que se tinha passado lá. Disse que ia tentar resolver isso mas que era uma situação complicada. A hora do treino não foi falada, acho que também não disse que ia estar no treino, o que disse foi que estaria sempre connosco e perguntou se estaríamos com ele acontecesse o que acontecesse, sabendo perfeitamente que não estávamos com ele”, assumiu.

Mais tarde, após referir que tinha visto Frederico Varandas, então responsável pelo departamento clínico dos verde e brancos, no posto médico com Dost mas não no balneário, o avançado acrescentou que tinha sido alguém da claque que achava ser o antigo líder da Juventude Leonina, Fernando Mendes, a “fartar-se de ligar” a Bruno de Carvalho a pedir explicações. “Disse que tentou acalmar os adeptos mas que não estava fácil”, frisou.

– Olhe, e lembra-se se o Carlos Vieira, administrador da SAD, também esteve na reunião?
– O senhor careca?
– Esse mesmo.
– Sei quem é também de outras reuniões mas não consigo dizer se estava lá…

Carlos Melo Alves questionou também Podence sobre algumas características físicas dos invasores, o que deu origem a um diálogo que acabou por tirar sorrisos a advogados, arguidos e demais presentes.

– Para mim eram todos grandes…
Um dos melhores jogadores do mundo também e era uma maravilha vê-lo jogar…
(“E os homens não se medem aos palmos”, atirou a juíza)
– É que eu tenho 1,63m, 1,65m…
– 1,63m ou 1,65m?
– 1,65m.
(“Mas isso interessa assim tanto”, voltou a intervir a juíza)

Podence foi dos primeiros a rescindir após invasão. O que disse então?

De recordar que Podence foi um dos primeiros jogadores do Sporting a rescindir contrato depois dos incidentes na Academia, a 1 de junho, o mesmo dia em que Rui Patrício apresentou a revogação do vínculo de forma unilateral. Aliás, as 34 páginas apresentadas por ambos os atletas formados no clube eram praticamente iguais, com uma das nuances a surgir exatamente na descrição sobre o que se passou em Alcochete. “De seguida, o agressor veio na minha direção, a mesma onde estava o André Pinto e o Rúben Ribeiro sentados, que me empurrou e seguiu para o Acuña (…) à medida que o tempo passava chegavam mais. Mas olhavam para mim e pareciam que viam quem era e não faziam nada mais”, acrescentou no texto enviado à administração da Sporting SAD.

A título de curiosidade, soube-se mais tarde que a contestação que o Sporting enviou entre julho e agosto (altura em que estava ainda no comando do clube e da SAD uma Comissão de Gestão) para o Tribunal Arbitral de Desporto (TAD) no processo de rescisão unilateral de Daniel Podence, que entretanto assinou contrato com o Olympiacos, “ilibava” o clube, a SAD e o antigo presidente Bruno de Carvalho de qualquer ação ou ligação, direta ou indireta, ao ataque de 15 de maio na Academia, em Alcochete. No documento, a que o Observador teve acesso nessa altura, foram ainda dados exemplos de outras invasões a centros de treino de clubes nacionais. Entretanto, os leões chegaram a acordo com a formação grega para que a situação ficasse resolvida.

O médico que tratou Dost e viu Varandas no balneário a desviar-se de uma tocha

Na manhã desta quinta-feira tinha sido o médico que estava de serviço na Academia a ser ouvido em tribunal. Depois de descrever onde estava quando decorreu a invasão às instalações da ala profissional da Academia, em Alcochete, Virgílio Abreu, do departamento clínico, precisou dois momentos: foi a primeira testemunha a dizer que tinha visto “Frederico Varandas a conseguir desviar-se de uma tocha no balneário”, objeto pirotécnico que iria depois atingir o preparador físico Mário Monteiro (até este momento ninguém tinha conseguido identificar o agora presidente do Sporting no espaço durante esses minutos, apenas depois da saída dos invasores), e foi o médico que prestou auxílio a Bas Dost, após ver o ferimento na cabeça do avançado holandês.

“Estava muito fumo, muita confusão, e como é mais alto consegui perceber que tinha sido atingido e estava a sangrar da cabeça. Passaram por mim como se fosse transparente, a mim ninguém me tocou, nada. Foi como se não existisse. Entre o barulho e o ambiente tenso, tirei-o dali e fui sozinho com ele para a sala de pequena cirurgia. Percebi que tudo tinha passado das marcas e vi-o porque ele alto e tinha sangue. Estava ferido física mas também emocionalmente, só dizia como era possível ter acontecido aquilo na nossa casa”, contou, antes de acrescentar, perante as perguntas dos advogados dos arguidos, quem estava nessa sala e quem passou por lá.

– Fui sozinho com ele, depois veio o enfermeiro.
– Estava lá mais alguém?
– Estava outra pessoa por lá, que estava a fazer a sua atividade…
– Quem?
– A podologista, Patrícia Gomes.
– Recorda-se daquela primeira fotografia de Bas Dost que circulou?
– Sim.
– Sabe quem era a pessoa que estava a segurar no penso ou no algodão?
– Sim, era eu.
– Sabe quem tirou?
– Estavam várias pessoas… A única coisa que disse foi que eu não teria tirado…
– Mas sabe quem tirou?
– Não sei, estavam várias pessoas…

A juíza Sílvia Rosa Pires interrompeu então as questões de Sandra Martins. “Doutor Virgílio, é simples: se não sabe quem tirou, não sabe”, disse. Sandra Martins voltou às perguntas e foi então que Virgílio Abreu explicou que o atual presidente dos leões perguntou se necessitava de alguma coisa, que lhe pediu apenas cinco minutos para tudo acalmar e que saiu então dessa sala de pequena cirurgia, dizendo pouco depois que “não foi Frederico Varandas que tirou aquela foto”. Sobre Gonçalo Álvaro, fisioterapeuta e preparador físico dos leões por quem os advogados têm perguntado a quase todas as testemunhas que estavam no balneário, o médico disse apenas que “deveria estar presente, porque era assim quase sempre” mas não se recordava de mais.

Em paralelo, Virgílio Abreu falou também da reunião em Alvalade, a última das três realizadas na véspera da invasão e depois da derrota do Sporting na Madeira, frente ao Marítimo, que tirou aos leões a possibilidade de ir à Liga dos Campeões. Também com mais pormenor do que é habitual, dizendo que Bruno de Carvalho estava de pé no auditório, que pensa ter visto André Geraldes a entrar também com ele e que estavam mais três elementos da administração da SAD numa mesa ao lado no palanque, entre os quais Carlos Vieira e Rui Caeiro.

“Foi uma reunião com o staff de apoio. Não sei qual era o intuito, se era a final da Taça… Não faço juízo de valores sobre essa reunião. Posso dizer que foi uma reunião com a equipa de apoio, os médicos, tudo o que estava ligado ao futebol profissional. Foi o presidente que comandou a reunião. Não consigo dizer com muita precisão o tema em concreto porque não percebi… Foi confuso. O tema era perguntar quem estávamos com a Direção acontecesse o que acontecesse no dia seguinte, se alguém que não estivesse com aquela equipa diretiva que dissesse, referiu o presidente. Por isso mesmo é que não entendo o motivo da reunião. Saber quem está ou quem não está sem um objeto palpável dá para várias interpretações… Estava inerente aos maus resultados a nível desportivo e falou-se também da Taça, que havia uma Taça  de Portugal para conquistar. Teve uma alusão depreciativa mas se havia uma final, era para ganhar”, começou por mencionar a esse propósito.

[O resumo do dia 9 do julgamento do caso de Alcochete]

“Foi tudo muito subjetivo… A linguagem era imprópria, que não aceito de ninguém. Para mim foi uma linguagem imprópria mas linguagem do momento. Falámos informalmente no corredor, depois, e Bruno de Carvalho disse ‘Lá estaremos às 16h’. Porquê 16h? Com o treino a começar às 17h, as pessoas chegam, lancham, há os preparativos e depois começa. Penso que estaria agendado para a parte da manhã mas não tenho a certeza, os treinos podem ser modificados por vários motivos. Geralmente são matinais mas depende dos jogos, podem ser à tarde. O normal seria ser na parte da manhã mas não se falou na reunião”, disse, prosseguindo: “Como fiquei muito cético, disse ao Frederico [Varandas] para desmarcar as consultas e as cosias que tinha porque parecia que ia acontecer qualquer coisa. Como era tudo dúbio, achei que devíamos estar todos juntos. Porque liguei? Porque o departamento médico é uma estrutura, temos de preparar as refeições, o treino, chegamos antes dos jogadores. Temos um programa para nos organizarmos. muitas vezes estávamos os dois, às vezes estava eu, às vezes estava ele. Chegou ao mesmo tempo do que eu, antes do treino e conversámos. Pedido? Não fiz nenhum pedido, disse apenas que havia qualquer coisa que não joga bem, que se fosse a ele desmarcava tudo. Ligou-me de manhã a dizer que ia estar lá”, referiu.

Em resposta a Miguel Matias, Virgílio Abreu explicou ainda a ligação que tinha (e tem) a um dos arguidos, Afonso Ferreira. “Sou muito amigo da família, médico do bisavô, do avô, da mãe, do pai… Moraram 30 anos por baixo de mim, ele foi alguém que vi nascer. Não o vi lá. Fiquei surpreendido com o trauma causado naquela família, que são todos sócios desde que nasceram. Pessoas bem formadas, com quem tenho uma amizade extrema. Fiquei muito surpreendido com o que sofreram. O Afonso é alguém com boas notas, educado mas o futebol pode trazer também comportamentos desajustados. Às vezes cometemos erros, entramos em situações que não deveríamos entrar. Mas posso dizer que é uma família exemplar”, atirou em resposta ao advogado.

[O resumo do dia 8 do julgamento do caso de Alcochete]

Ricardo Vaz explicou novela do BMW azul (e pouco mais do que isso)

Ricardo Vaz, o último a ser ouvido no 12.º dia de julgamento, acabou por ser um dos testemunhos do caso de Alcochete, até por não ter presenciado muito do que se passou cá fora e nada do que se passou lá dentro. “Não sabia para que sítio iam, apenas que estavam a ir para o lado dos campos. Reconheci dois, o Fernando Mendes e o Aleluia, que estavam de cara descoberta, a andar normalmente. Não iam a correr. Depois mais tarde vim a reconhecer o Nuno Torres mas pelas entrevistas que deu”, contou o membro do Gabinete de Apoio ao Atleta, que se disse “involuntariamente” envolvido numa situação em torno do “famoso” BMW azul.

“Quando regresso à ala da formação, foi quando percebo de tudo o que tinha acontecido incluindo as agressões aos jogadores. Vi o Bruno Jacinto lá, perguntei o que tinha acontecido, o que se tinha passado, nada mais do que isso. Ele disse-me que tinha avisado, que sabia que alguns adeptos se iam dirigir à Academia. Depois há a minha intervenção de forma involuntária: fico por ali, vou para o meu gabinete e por volta das 19h ou 19h15 recebo uma chamada do Bruno Jacinto para avisar a portaria que ia um BMW azul para ir buscar os elementos que ainda lá estavam. Achei estranho também ter ligado para mim mas éramos colegas e o feedback que tinha era que não tinham participado em nada das agressões. E lembro-me de sair às sete e tal e passar por esse carro que estava num descampado ali ao pé mas não liguei”, explicou o funcionário que tinha gabinete na Academia.

[O resumo do dia 7 do julgamento do caso de Alcochete]

“Quando o meu nome foi mencionado, disse isto ao Ricardo Gonçalves dois ou três dias depois e ele disse para não me preocupar porque o Rui Falcão lhe tinha ligado e que ele tinha validado essa situação. Se era uma situação normal adeptos irem à Academia? Não passava por mim mas em 2017 tinha acontecido uma vez. Calculo que nessa altura tinha havido um pré-aviso porque foi tudo normal, apesar de não ser habitual. Nessa altura o Bruno Jacinto ainda não era o Oficial de Ligação aos Adeptos”, respondeu no final, antes de esclarecer mais algumas dúvidas de uma das juízas sobre o modo de funcionamento do Gabinete de Apoio aos Atletas e sobre o facto de não ter ligado a Ricardo Gonçalves para questionar se aquele BMW azul podia ou não entrar.

O julgamento do caso de Alcochete terá na próxima segunda-feira, dia 16, a 13.ª sessão, com a audição de José Laranjeira, hoje responsável pelo departamento de scouting do Rio Ave, na parte da manhã, seguindo-se João Palhinha, antigo médio do Sporting que se encontra agora cedido por empréstimo ao Sp. Braga (e que falará por videoconferência do Minho), e Gonçalo Rodrigues, do Gabinete de Apoio ao Atleta, na parte da tarde.