Depois de Luís Maximiano, Wendel e Mathieu, o 11.º dia de julgamento do caso de Alcochete teve esta tarde a audição de mais dois jogadores por videoconferência a partir do Tribunal do Montijo, neste caso Ristovski e Bruno Fernandes – que chegou a rescindir contrato com o Sporting tendo como suporte jurídico a invasão à Academia, antes de voltar atrás e assinar um novo contrato com os leões, onde é capitão e jogador mais influente. Da parte do macedónio, ficou sobretudo o receio de que algo semelhante à invasão de 15 de maio de 2018 possa um dia voltar a acontecer, a ponto de referir mesmo que tem medo quando os leões perde. Já o internacional português descreveu de forma pormenorizada tudo o que se passou no balneário, revelou ameaças de morte durante esses minutos mas acabou a ser acusado por Miguel A. Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, de falso testemunho.

De manhã, Vasco Fernandes, secretário técnico da equipa principal de futebol verde e branca, esteve como testemunha do Ministério Público no Tribunal de Monsanto, que recebe há um mês todas as sessões do julgamento. O responsável leonino explicou a forma infrutífera como tentou evitar que os invasores entrassem no balneário mas revelou outros pormenores desses minutos de pânico na ala profissional da Academia, recordando uma frase do médio Petrovic e até um cumprimento de um dos indivíduos a Rafael Leão, entre ameaças de morte e uma saída que parecia ser concertada. Em paralelo, Vasco Fernandes revelou também que foi André Geraldes, antigo team manager da equipa principal, a marcar as reuniões na véspera do ataque em Alvalade com Bruno de Carvalho e a restante administração da SAD, contando ainda parte do teor das mesmas.

[O resumo do dia 10 do julgamento do caso de Alcochete]

“Vamos matar-vos”, “Vocês não merecem vestir esta camisola” e outras ameaças

“Estava no balneário quando os indivíduos chegaram de forma gradual, com as caras tapadas. Do que consegui ver foram diretos ao Patrício e ao William, depois ao Acuña e ao Battaglia. Vi o Ricardo Gonçalves a tentar ainda segurá-los enquanto os indivíduos estavam a gritar com eles. Eu e o Seba [Coates] tentámos impedi-los mas não conseguimos, disseram que não era nada connosco. Deviam ser uns seis ou sete que se dirigiram primeiro ao Patrício e ao William. Entraram, começaram a mandar coisas pelo ar, chamaram filhos da puta, depois deram um soco nas costas ao William, uns empurrões ao Patrício e vi que bateram, com murros e pontapés, ao Battaglia e ao Acuña”, começou por referir Bruno Fernandes, numa parte menos audível da videoconferência.

“Enquanto entravam no balneário ouvi frases como ‘Acuña, vou-te apanhar’, ‘Vamos matar-vos’, ‘Vocês não merecem vestir esta camisola’ e ‘Não ganhem no domingo que vão ver o que vos acontece. O Battaglia tentou vir para perto de mim, que estava na zona das macas, e tentei pegar na máquina do gelo para impedir que lhe acertassem. Atiraram-lhe um garrafão de água na zona dos braços. Não tive tempo de reagir ou pensar porque foi tudo muito rápido. A mim ninguém me tocou, tirando um que me meteu o braço e disse que não era nada comigo”, disse, passando depois para o episódio na Madeira: “Houve uma discussão e adeptos a insultar o Acuña”.

Havia um a agarrar o William enquanto outro lhe tirava a camisola e vem um que o agride com um cinto. Para o Battaglia e para o Acuña diziam ‘Vou-te matar, filho da puta’, para o William diziam ‘Tira a camisola, filho da puta'”, completou sobre a descrição dos acontecimentos no balneário.

Sobre a reunião em Alvalade com Bruno de Carvalho na véspera da invasão à academia, Bruno Fernandes recordou a frase do antigo presidente “Aconteça o que acontecer, vocês estão comigo?” (que desta forma se percebe que foi dita na reunião com os jogadores e também com o staff). “Considerei uma mensagem de estímulo”, comentou. Sobre a hora do treino, o médio deixou uma outra versão. “Na reunião não se falou em hora do treino, falou-se apenas que seria à tarde e foi Bruno de Carvalho que o disse. Percebi que estaria também no treino. Recebi a informação da alteração da hora do treino do Vasco Fernandes à hora de jantar, seria às 16h e era para estar às 15h”, disse. Mais tarde, o agora capitão do Sporting relembrou a conversa entre o ex-líder e Acuña pela altercação no aeroporto da Madeira após o jogo com o Marítimo com Fernando Mendes, antigo chefe da Juventude Leonina.

[O resumo do dia 9 do julgamento do caso de Alcochete]

Bruno Fernandes começou então a responder aos advogados, a começar por Miguel Coutinho, representante do Sporting que é assistente no processo. “Na reunião, o William acusou Bruno de Carvalho de ter mandado os adeptos para o parque de estacionamento, o presidente saiu e entrou em contacto com alguém da claque com o telefone em alta voz”, recordou, antes de se aperceber que a pergunta tinha sido sobre a reunião na véspera do ataque e não em abril, após a derrota em Madrid (quando esse episódio aconteceu mesmo). “Se o André Geraldes estava? Normalmente estava sempre presente”, disse, recordando ainda a espera na garagem depois do jogo na Madeira com o Marítimo. “Os adeptos estavam exaltados e insultaram os jogadores. O Rui Patrício tentou acalmar os ânimos mas ainda incendiou mais. Só se resolveu com a intervenção da polícia”, salientou.

“Nunca tinha vivido uma coisa destas e acho que não aconteceu nada assim em lado algum. Mais do que a minha vida, pensei na minha filha e na minha mulher. Tive medo do que podia acontecer à minha família e pedi à minha mulher que pegasse na minha filha e fosse logo para o Porto”, destacou, dizendo ainda que não só nenhum atleta reagiu ou incendiou os ânimos como se recorda ainda de ouvir Rui Patrício a dizer “calma, calma”. Sobre o vídeo no interior do balneário onde aparece a vestir-se e numa espécie de despedida dos companheiros já depois do ataque, Bruno Fernandes frisou à advogada Sandra Martins que desconhecia o autor do mesmo.

[O resumo do dia 8 do julgamento do caso de Alcochete]

O advogado de Bruno de Carvalho, Miguel A. Fonseca, fez-lhe então algumas perguntas para perceber as consequências do ataque na sua vida pessoal. “Pediu proteção policial?”, perguntou-lhe. O jogador disse que não, apesar de a Federação Portuguesa de Futebol lhe ter disponibilizado segurança. Minutos depois acabou por dizer à juíza que chegou a contratar um segurança pessoal que o acompanhou durante uns seis dias, até ir para a Seleção Nacional. Ao advogado do ex-presidente do Sporting, também arguido no processo embora dispensado de comparecer em tribunal, Bruno Fernandes esclareceu que só voltou ao Sporting porque lhe foram garantidas melhores condições de segurança na Academia de treinos, em Alcochete.

O que disse Bruno Fernandes na GNR e quando rescindiu, em junho de 2018

Bruno Fernandes, um dos três jogadores que rescindiram com o Sporting mas que assinaram mais tarde um novo contrato com o clube leonino, é um dos depoimentos mais aguardados neste caso de Alcochete até pelo mediatismo que envolve numa altura em que é o jogador mais influente da equipa leonina, além de capitão. No depoimento que prestou na madrugada depois da invasão, o médio referiu que se encontrava ao lado de William na altura em que os indivíduos entraram no balneário, falando em agressões com chapadas também aos outros três elementos mais visados por todos os depoimentos como “alvos”: Rui Patrício, Marcos Acuña e Battaglia.

Não foi exatamente esta a descrição que fez esta terça-feira em Tribunal por videoconferência, o que levou a procuradora do Ministério Público a pedir ao coletivo de juízes que a testemunha fosse confrontada com o que disse à GNR em fase de inquérito, logo na madrugada dos acontecimentos. Por maioria de acordo entre os advogado, a juíza Sílvia Pires considerou que valia o que dissera em tribunal, recusando ler o que já declarara.

[O resumo do dia 7 do julgamento do caso de Alcochete]

Na carta de rescisão apresentada a 11 de junho ao Sporting (no mesmo dia que William Carvalho e Gelson Martins, na altura todos concentrados na Seleção Nacional que se encontrava na Rússia a poucos dias de fazer a estreia no Campeonato do Mundo), Bruno Fernandes seguiu uma espécie de “minuta” dos primeiros jogadores a revogar de forma unilateral os seus vínculos (Rui Patrício e Daniel Podence), nomeando vários factos das mensagens de Bruno de Carvalho à invasão à Academia, passando por todos os acontecimentos depois da derrota dos leões em Madrid frente ao Atlético. Ainda assim, o médio deixou seis frases “diferentes” na primeira pessoa.

“A verdade é que tememos todos pela nossa vida. A partir de determinada altura, o descontrolo era tal que senti que podia não sair dali com vida!”, destacou, antes de fazer outras confissões. “Ainda hoje acordo de noite, em sobressalto, com as imagens de terror que retive e que revejo e não consigo pensar em voltar àquele local (…) Acordo banhado em suor e com a sensação física, até de dor, que estou a levar chapadas (…) Tanto mais que existem responsáveis do ataque de Alcochete que fugiram, e podem voltar a atacar-nos, até para nos intimidar nos nossos depoimentos (…) Tenho 23 anos, amo o que faço, e sei que não o poderei fazer mais do que uma década, e sei que dependo, para alcançar os meus objetivos, não só do meu desempenho individual, como de um grupo de trabalho, motivado e respeitado. Tenho, pois, o direito a exercer a minha profissão em condições semelhantes e com a dignidade que o Sporting não me proporcionou”. “Vim para o Sporting por causa de um projeto desportivo que já não existe, que se desmoronou por culpa exclusiva do Sporting”, rematava nessa carta.

Ristovski mudou-se para um hotel e ainda hoje tem medo quando Sporting perde

O reinício dos trabalhos estava marcado para as 14 horas mas, como já vem sendo habitual, sofreu um atraso de cerca de meia hora. O lateral macedónio foi o primeiro a falar por videoconferência, com o auxílio de uma tradutora que está em Monsanto, não se recordando de ouvir a frase “Vamos matar-vos” quando os invasores entraram no balneário, onde se encontrava. Ristovski referiu ainda que tentou sair da zona mas as portas estavam fechadas. “No corredor que dá acesso ao balneário entraram 15 a 25 pessoas, no balneário foram uns dez ou 15. Tentaram ver quem estava de pé e quem estava sentado para perceberem em quem batiam primeiro”, salientou.

[O resumo do dia 6 do julgamento do caso de Alcochete]

O internacional encontrava-se ao lado de Acuña no balneário. “Disseram: ‘Esta é a vossa a última oportunidade, não podem jogar assim’. Houve quatro ou cinco que o rodearam e lhe deram chapadas de mão aberta na cara e na cabeça. Também consegui ver o Battaglia a ser agredido, apesar de estar a tentar defender-se, mas não eram os mesmos porque quando entraram dividiram-se”, continuou, respondendo depois que tinha ouvido frases sobre o respeito que deveriam ter ao Sporting num episódio que perdurou “um ou dois minutos”. “Estava muito fumo, não consegui identificar bem nenhuma das pessoas que entrou no balneário”, explicou.

– Apercebeu-se a certa altura de dois indivíduos negros e um com um dente dourado, se estavam lá dentro?
– Percebi pela abertura que tinham nos olhos e na boca. Do dente dourado não se estava totalmente tapado… Tenho de pensar… Tinha barba…
– Viu o indivíduo de dente dourado agredir o Acuña ou o Battaglia?
– Sim, vi que atacou o Acuña. E os negros estavam a falar com a segurança dentro do balneário.
– Teve medo?
– Sim, com certeza. Depois disto fiquei alojado num hotel, mandei a minha família para a Macedónia porque tinha um filho menor.

Apesar da má qualidade das imagens, Ristovski conseguiu identificar o tal indivíduo com o dente dourado, antes de admitir que não pode falar sobre os palavrões porque na altura “ainda não conseguia dizer nada em concreto em português”. “Hoje quando o Sporting perde um jogo fico com medo e recordo esta situação”, confessou, antes de explicar ainda que tentou falar em todas as línguas que conhecia, inglês, castelhano ou italiano, no depoimento que fez. “Tens de respeitar mais, tens de jogar mais”, comentou, no português possível, quando questionado por Miguel A. Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, sobre o que ouvira em concreto no balneário. Tal como os primeiros jogadores ouvidos neste julgamento, também o lateral não pediu segurança pessoal ao Sporting nem às autoridades depois do ataque. Terminaria aí o testemunho de Ristovski.

[O resumo do dia 5 do julgamento do caso de Alcochete]

Do “Não feches a porta, eles que venham” ao “Sai daqui que eu mato-te”

Antes de ouvidos estes dois jogadores, foi a vez de Vasco Fernandes começar por explicar de manhã onde se encontrava quando se deu a invasão à Academia. “Fui pela ala da formação para tentar fechar a porta de acesso aos balneários. Foi esse o meu instinto. No momento em que estou a ver se está fechada, há um adepto aos pontapés e aos encontrões à porta da sala das botas. Estava com ar de quem estava com sentimento de fúria e raiva. Os jogadores devem ter ouvido os barulhos e apareceram por trás de mim. Aí os adeptos ficaram ainda piores”, disse. “Recebi um estímulo do Petrovic que me diz ‘Não feches as portas, eles que venham’. O outro foi Raúl José: ‘Não feches que o homem está lá fora e vão matá-lo’. O homem era Jorge Jesus”, referiu.

“O Ricardo Gonçalves tentou demovê-los. mas já tinha quatro ou cinco adeptos pendurados nele. Se estava dentro do balneário? Sim”, confirmou, algo que os jogadores ouvidos esta segunda-feira não conseguiram confirmar. “Eram 25 ou 30 adeptos para cerca de 20 jogadores. Não entraram para falar com ninguém. Aconteceu tudo muito depressa mas os jogadores foram logo agredidos. O Montero levou uma estalada no rosto, é uma imagem que tenho completamente clara na minha cabeça. Ao Acuña também, que estava dois ou três lugares ao lado. Também agrediram o Rui Patrício, William e Battaglia. Todos os jogadores que se metiam à frente, eles diziam ‘Sai daqui que eu mato-te'”, continuou o secretário técnico do Sporting, antes de um situação que lhe causou até alguma estranheza: “À entrada do balneário estava o Rafael Leão. A esse ninguém lhe bateu, até o cumprimentaram. Fiquei surpreendido. Disseram-lhe: ‘A ti não te fazemos nada, não te preocupes'”.

[O resumo do dia 4 do julgamento do caso de Alcochete]

“Pareceu-me uma eternidade. Chega um momento em que um deles diz ‘Está na hora, vamos embora’, como se tivessem aquilo planeado”, prosseguiu. “Depois saí do balneário e vi o Jorge Jesus, com a mão cheia de sangue e o nariz ensanguentado. Estava a falar com o Fernando Mendes e uma segunda pessoa, que depois descobri que era o Aleluia. Não percebi o que falavam. Pareceu-me que lhes estava a pedir satisfações”, acrescentou.

Vasco Fernandes falou de seguida da marcação do treino de dia 15 de maio e também da reunião da véspera em Alvalade, com Bruno de Carvalho e outros elementos da SAD. “Na madrugada de domingo para segunda-feira [de 13 para 14 de maio de 2018], o André Geraldes avisou que iriam haver reuniões com a administração. Avisei os jogadores e o staff, menos a equipa técnica. Creio que a reunião com a equipa técnica foi às 16h30, uma hora depois com os jogadores e uma hora depois o staff. Quem avisou a equipa técnica foi o André Geraldes”, recordou. “Bruno de Carvalho perguntou-nos ‘Independentemente do que aconteça amanhã, quero saber se estão com esta Direção’. Entendemos aquilo como se o Jota [Jorge Jesus] fosse embora e viesse alguma solução de recurso para o jogo da final da Taça. Como ninguém disse que não estava com ele, ele diz “Vemo-nos lá amanhã às… ‘ e olha para mim. E eu digo ‘O treinador disse-me que é às 16 horas’. O treinador ligou-me, depois da reunião com a administração, a pedir para avisar os jogadores que o treino no dia seguinte seria às 16 horas. Foi uma reunião curta, de 15 minutos. Disse para lá mais umas coisas, mas não me lembro. Lembro-me de ir para cima do Manuel Fernandes a dizer que não o defendia como o devia defender nos programas de TV”, explicou.

Explicando que André Geraldes, antigo team manager da equipa principal do Sporting, “tinha conhecimento das deslocações dos adeptos à Academia e que acertava com Ricardo Gonçalves [chefe de segurança], algo que chegou a acontecer duas ou três vezes”, o secretário técnico revelou também uma conversa que teve com Jorge Jesus no regresso da Madeira, após a derrota com o Marítimo. “Tínhamos combinado duas ou três semanas antes que o treino oficial da Taça de Portugal era terça-feira à tarde, no Jamor. No avião, depois daquele resultado negativo, veio ter comigo e disse ‘Já não vamos treinar para o Jamor na terça à tarde, fala com a Federação. Vamos treinar na Academia’ . Cinco minutos depois diz-me ‘Afinal não é terça à tarde, é quarta de manhã’ . Cinco minutos depois diz-me que afinal não sabia bem e que depois me dizia. Quando cheguei a casa avisei os jogadores que segunda-feira era folga e depois os avisava quanto ao treino de terça”, salientou.

[O resumo do dia 3 do julgamento do caso de Alcochete]

Comentando que nunca viu qualquer reação dos jogadores ou comportamento que pudesse incitar à violência durante a invasão, e recordando as marcas físicas em Bas Dost, Jorge Jesus e Ludovico Marques [fisioterapeuta], Vasco Gonçalves, no período de questões para os advogados dos arguidos, referiu que não sabe se foi Gonçalo Álvaro [fisioterapeuta e preparador físico] que fez o vídeo do interior do balneário após a invasão e leu também a mensagem enviada por André Geraldes na madrugada de domingo para segunda-feira, após a derrota na Madeira, que confirmava reuniões com treinadores às 16h30, jogadores às 18h e staff às 19h. “Mandou-me uma à 1h50 a avisar das reuniões e outra às 2h56 onde confirmou as horas”, pormenorizou.

Num depoimento que durou pouco mais de duas horas, Vasco Fernandes deixou ainda uma nota que já tinha sido referida por Ricardo Gonçalves no seu depoimento e que acaba por “chocar” com a ideia dos militares da GNR que foram ouvidos como testemunhas no arranque deste julgamento: o secretário técnico ficou com a sensação que alguns dos invasores saíram depois da Academia saltando a vedação e não pela porta principal do espaço, uma garantia que tinha sido deixada antes ao referir-se que “os 43 que entraram foram os 43 que saíram”.

De recordar que, esta segunda-feira, Luís Maximiano e Mathieu (num depoimento que mereceu nota de destaque nos espanhóis Marca, As e Mundo Deportivo desta terça-feira) referiram Vasco Fernandes nos depoimentos, ao recordarem a imagem do secretário técnico a tentar fechar as portas do balneário sem sucesso antes da entrada dos invasores no balneário da equipa. No primeiro depoimento feito no Posto da GNR do Montijo, o responsável do clube leonino referiu também ter sido atingido por um objeto no meio da confusão, não conseguindo precisar nem do que se trataria nem a identidade do autor da agressão. Em paralelo, e de acordo com testemunhos não só dos jogadores mas também de técnicos e outros elementos do staff, foi Vasco Fernandes que, como era habitual, enviou uma mensagem a todo o plantel para avisar o dia e a hora do treino na véspera da invasão a Alcochete.

[O resumo do dia 2 do julgamento do caso de Alcochete]

Duelo de Fernandes: Bruno e Vasco entraram em contradição?

Já no final da sessão, o advogado de Bruno de Carvalho dirigiu dois pedidos à juíza. Por um lado Miguel A. Carvalho queria que Bruno Fernandes fosse alvo de um processo por alegadas falsas declarações, por outro pediu uma acareação – uma espécie de frente a frente com as duas testemunhas – com Vasco Fernandes, alegando que tinham entrado em contradição relativamente à alteração da hora do treino no dia do ataque à Academia.

O Ministério Público considerou que esta acareação seria “prematura”, porque faltam ouvir testemunhas que ainda podem esclarecer o tribunal relativamente a esta dúvida. Quanto ao crime de falsas declarações, só concebia que existisse caso ele tivesse sido confrontado com o que disse em fase de inquérito – o que a juíza não permitiu.

[O resumo do dia 1 do julgamento do caso de Alcochete]

A juíza decidiu então que não haverá acareação porque do seu ponto de vista não há contradição. Quanto a uma queixa contra Bruno Fernandes por falso testemunho, se o advogado quiser que avance – pagando as custas.

O julgamento prossegue esta quinta-feira, com o médico Virgílio Abreu a ser ouvido de manhã. Da parte da tarde será o jogador Daniel Podence (hoje nos gregos do Olympiacos), a ser ouvido por Skype, e Ricardo Vaz.