O líder do Chega, André Ventura, confirmou ao Observador que não teve outra hipótese senão colocar o seu ex-porta-voz, Sousa Lara, “entre a espada e a parede” na questão da subvenção vitalícia porque está na “genética do partido” o desprezo por essas compensações, sejam elas legais ou não.

Sousa Lara e a saída do Chega: “Ninguém me dá tau-tau”

Sousa Lara bateu com a porta porque, tal como contou à rádio, “ninguém me dá tau-tau“, mas entre os dois, garante André Ventura, não há ressentimentos. Mas há divergências, pelo menos no que ao perfil do candidato à presidência da República diz respeito. Se Sousa Lara defende um “militar na reserva, reformado”, o deputado não esconde a sua preferência por um magistrado para o cargo de Chefe de Estado. E Joana Marques Vidal, a ex-procuradora da República, junta-se, agora, a juiz Carlos Alexandre. “Seriam melhores candidatos do que eu próprio”, revela o líder do Chega. 

Sem um nome de peso, Ventura avança. “Um risco”, como assumiu Sousa Lara em entrevista à rádio, mas uma motivação extra para o fundador do partido, para quem a função de Presidente da República “não é cortar fitas” mas usar o veto como instrumento para uma “intervenção política máxima”. Ao estilo do regime presidencialista que o Chega defende.

O que André Ventura não defende é a expressão “importar lixo” que Sousa Lara utilizou na entrevista à rádio Observador para abordar o tema da criminalidade entre as minorias, mas o mesmo não quer dizer que não esteja de acordo com o seu ex-porta voz na questão do registo criminal com base na identificação étnica. Se a linguagem os separa, a ideia não. “Portugal tem um problema com algumas minorias que tem de ser resolvido de forma legal. Por isso é que seria importante fazer um levantamento étnico do país e colocá-lo numa base de dados para, em último caso, até desmistificar alguns preconceitos”.