O presidente do PSD e candidato à liderança do partido, Rui Rio, desvalorizou o caso dos militantes de Freixo de Espada à Cinta que votaram nas diretas sem sair de casa, noticiado esta quinta-feira pelo Observador. “Relativamente a quê? Dois votos”, começou por dizer. Para Rio, o caso aparece perto do fim de uma campanha que “não é fácil”, comentando que é “preciso estofo para este dia”. E ataca a candidatura do adversário, Luís Montenegro: “Procura-se fazer uma política de casos. Se levar o tempo a responder caso a caso, onde cai o debate? Cai na lama. Fica muito rasteirinho”.

O estranho caso de Freixo de Espada à Cinta, onde militantes votaram sem sair de casa, e outras histórias das diretas do PSD

Rio sugeriu depois que se trata de “casos que inventam porque não têm argumentos”. A jornalista citou então várias vezes factos relatados no artigo do Observador, ao que Rio respondeu: “Observador? Disse-me que era no Observador? É o jornal que, podia dizer, está ao serviço de uma candidatura. Aliás, é mais contra a minha candidatura”.

O candidato e líder do PSD questionou ainda: “E o delegado da candidatura de Luís Montenegro não viu nada?”. Recorde-se que a candidatura de Luís Montenegro não tinha nenhum representante presente em Freixo de Espada à Cinta. Na sequência da notícia do Observador, Luís Montenegro já tinha exigido esta quinta-feira que o Conselho de Jurisdição Nacional abrisse um inquérito ao caso dos militantes que votaram sem sair de casa.

Montenegro pede inquérito a “votos ilegais” de militantes que votaram nas diretas sem sair de casa

Nas declarações que fez esta quinta-feira em Braga, Rui Rio voltou a dizer que a “segunda volta é uma alteração às regras do partido, que antigamente não existia” e que por ele funcionava aquilo que “o PSD defendia em 2015” nas legislativas: “Nós fomos os mais votados, logo devíamos governar. Aquilo que o PSD fez foi alterar as regras (…) Assim, em vez de ser o mais votado, faz-se uma segunda volta para juntar os votos todos e ver quem ganha”.

Rio admitia ainda que parte “substancialmente à frente, com uma vantagem muito razoável”, mas destaca que isso não “quer dizer que ganha”. E concluiu: “Só um fanfarrão é que diz que ganha tudo.”