A página oficial do Sindicato Unificado da PSP no Facebook publicou esta terça-feira um texto no qual envia “as melhoras ao colega” que interveio “numa ocorrência na Amadora”, desejando que este não tenha apanhado “doenças graves” na sequência de uma altercação entre o agente e uma mulher negra.

A associação sindical refere-se à ação de um agente que foi acusado de “violência policial” e “racismo” por deixar em estado grave uma mulher negra que teve depois de ser conduzida ao Hospital Amadora-Sintra. A alegada vítima foi entretanto constituída arguida, indiciada pelos crimes de resistência e coação sobre agente de autoridade e sujeita à medida de coação de termo de identidade e residência, segundo a PSP. Já o polícia “não foi constituído arguido”, também segundo a PSP.

Na publicação feita no Facebook do Sindicato Unificado da PSP, foram publicadas algumas fotografias do agente envolvido na altercação. A acompanhar as fotografias estava o seguinte texto:

Foi neste estado que ficou hoje o colega, ao intervir numa ocorrência na Amadora. As melhoras ao colega e espero que as análises sejam todas negativas a doenças graves. Contudo a defesa da cidadã está a começar a ser orquestada pelo ódiomor de brancos. Está tudo bem, não se passa nada.”

Esta associação sindical da PSP é a mesma que em 2018 divulgou fotografias de assaltantes que fugiram de um tribunal no Porto e que agrediam idosos, num momento em que estavam algemados. Posteriormente, após críticas à divulgação da imagem, o sindicato divulgou no Facebook a imagem de um polícia numa cama de hospital.

O Sindicato Unificado da PSP é presidido por Peixoto Rodrigues, um agente da PSP que no ano passado foi constituído arguido pelos crimes de peculato e falsificação de documento, como avançou o Diário de Notícias, acusado de ter beneficiado de um “acordo” entre os agentes da autoridade e alguns funcionários dos Transportes Sul do Tejo (TST), no âmbito do qual os primeiro trocavam alegadamente por dinheiro as requisições que a PSP lhes entregara para carregamento de passes.

O presidente desta associação sindical viu ainda ser-lhe aplicada uma pena disciplinar de aposentação compulsiva por ter faltado ao serviço sem justificação 83 dias seguidos.

Também no ano passado, Ernesto Peixoto Rodrigues tentou uma greve de forma como forma de protesto contra a “ausência de resposta e soluções do Ministério da Administração Interna relativamente a diversos assuntos que afetam os profissionais da PSP”. Acabou por ser hospitalizado ao quinto dia, no São Francisco Xavier.