O sindicato da PSP que divulgou fotografias dos assaltantes que fugiram do tribunal do Porto e que agrediam idosos voltou a partilhar fotografias. Desta vez, o Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública mostra um agente em duas imagens: à esquerda com o uniforme vestido, à direita numa maca de hospital. “Espera-se uma reação do senhor ministro, já sabemos que ser polícia é ser cidadão de terceira”, refere este sindicato.

O alvo da mensagem é o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. Ainda assim, Peixoto Rodrigues, presidente do Sindicato Unificado da PSP, afirmou que a mensagem não é uma resposta às críticas de Cabrita à divulgação das imagens dos detidos. O ministro tinha considerado “absolutamente inaceitável” essa divulgação, tendo ainda requerido à Inspeção-Geral da Administração Interna que abrisse um inquérito quer à fuga dos assaltantes do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, quando estavam sob guarda das autoridades, quer à divulgação das imagens no Facebook. Também a PSP decidiu abrir um inquérito interno para investigar a divulgação das imagens.

Cada vez que um polícia é agredido nós publicamos. Não tem nada a ver com aquelas imagens que surgiram, com aquela fotografia dos suspeitos que foram detidos no Porto. A nossa intenção é sempre demonstrar ao público em geral e ao poder político em particular as condições em que os polícias trabalham. Os polícias são alvos de agressões diárias, umas mais graves do que as outras, e esta teve alguma gravidade porque aconteceu no domingo e ainda ontem [segunda-feira] o polícia teve de ser intervencionado”, referiu o sindicalista.

Na publicação, o sindicato critica ainda “os defensores dos direitos, liberdades e garantias” que consideram que “isto é apenas o risco da profissão”.

Quem tirou fotografia dos assaltantes “não o devia ter feito”

Mais ou menos à mesma hora em que a fotografia do polícia agredido era publicada, o Sindicato Unificado da PSP publicava outro post, esse sim relacionado com as declarações proferidas por Eduardo Cabrita e Marcelo Rebelo de Sousa, na sequência da divulgação das imagens dos assaltantes detidos. Essa segunda publicação interpelava, aliás, diretamente o “senhor MAI” (Ministro da Administração Interna) e “PR” (Presidente da República), considerando “lamentável” que estes “façam uma avaliação de prognose em como as fotos [dos detidos] foram tiradas por polícias”.

Lamentável que o senhor MAI e PR façam uma avaliação de prognose em como as fotos foram tiradas por policias.

Posted by Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública on Tuesday, October 23, 2018

Ao Observador, o presidente deste sindicato afirmou considerar que “há alguma precipitação porque está a decorrer um inquérito a quem tirou a fotografia daqueles suspeitos. Dá-me a sensação que já estão a incriminar [os polícias]. A detenção foi feita num local público onde passam muitas pessoas e qualquer pessoa pode ter tirado aquela fotografia”.

Questionado sobre se não sabia quem tinha tirado a fotografia, visto que o seu Sindicato partilhou-a na sua página oficial de Facebook, Peixoto Rodrigues garantiu que partilhou a fotografia “de uma outra imagem de uma página particular que a tinha publicado. Publiquei a partir daí. Depois houve muita controvérsia e apaguei. De forma alguma quis pôr em causa a dignidade dos detidos. O respeito que tenho é exatamente igual face a alguém que tenha sido detido ou não”. Peixoto Rodrigues garantiu que não conhece o autor da primeira divulgação da fotografia no Facebook, reencaminhando essa divulgação para o “post” feito pelo Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia.

Se alguém tirou aquela fotografia e publicou foi uma mera coincidência e não o deveria ter feito”, acrescentou o presidente do Sindicato Unificado da PSP.

Este domingo, outra organização policial, o Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia (SVCP), tinha partilhado imagens de idosos alegadamente agredidos por estes assaltantes, acompanhadas da seguinte mensagem: “Por favor, Sr. Ministro do MAI, senhores da Amnistia Internacional, Sr.ª Câncio e todos os demais… indignem-se”. As imagens vieram a revelar-se falsas, já que retratam idosos que foram agredidos noutros países e não idosos agredidos por este grupo de assaltantes, capturado em Gondomar.