A Assembleia do Livre tomou posse no último domingo e já com um problema em mãos, que transitou dos anteriores órgãos do partido por decisão do Congresso. É preciso dar seguimento ao processo de retirada de confiança a Joacine Katar Moreira, que tudo indica, será inevitável.

O Observador sabe que a Assembleia terá em conta o direito de resposta publicado por Joacine Katar Moreira durante o Congresso, composto por 12 páginas.

A decisão de retirar a confiança política à deputada, tomada pela anterior Assembleia que pediu ao Congresso que a ratificasse, foi adiada para os novos órgãos. Isto depois de terem sido levantadas algumas questões relativas ao processo conduzido pela Assembleia (que é o órgão máximo do partido entre congressos). Ricardo Sá Fernandes, membro do conselho de jurisdição (cessante e atual) considerou que a Assembleia não teria ouvido Joacine em relação à decisão de lhe retirar a confiança e que isso era um erro.

Porém, quando fez a análise do conflito entre Joacine e o Grupo de Contacto (direção) do partido, o parecer da comissão de ética e arbitragem (que teve como relator principal Ricardo Sá Fernandes) afirmava que “subsistia um problema político” e que “não cabia” à comissão “avaliar se os pontos de clivagem ocorridos” poderiam “ter ou não consequências em termos de perda de confiança política nas relações entre a deputada Joacine Katar Moreira e o Livre”. Ainda segundo o mesmo parecer, essa decisão devia ser feita “pelo órgão competente do partido, ou seja, pela Assembleia”.

E será sob esse pressuposto também que a Assembleia reunirá extraordinariamente na segunda-feira. Ainda não foi revelado se o evento será reservado ou público. Também não se sabe se a nova composição do órgão vai subscrever a decisão da anterior Assembleia ou criar um novo processo.

No final do Congresso um dos membros do Grupo de Contacto afirmou que seria preciso “um milagre” na mudança de postura de Joacine Katar Moreira para que a retirada de confiança não avançasse. Embora a decisão caiba à Assembleia (que é um órgão independente do Grupo de Contacto), os membros eleitos representam uma “continuidade” da anterior que queria avançar com a retirada de confiança.