O eurodeputado português Nuno Melo questionou o presidente do Parlamento Europeu (PE) sobre as razões pelas quais quer abrir uma exceção para que a ativista sueca Greta Thunberg seja recebida em Bruxelas, depois de ter sido decidido “negar o acesso de visitantes externos aos edifícios do Parlamento Europeu” e terem sido cancelados “todos os eventos” por causa do coronavírus (Covid-19). Num email, ao qual o Observador teve acesso, Melo lembra a David Sassoli que a “decisão sobre as medidas a serem tomadas em relação ao surto de Covid-19 produz efeitos imediatos” e exige saber porque é que a ativista ambiental sueca vai ter privilégios numa questão de saúde pública quando em termos de risco “todos os seres humanos são democraticamente iguais“.

Vários outros eurodeputados já se juntaram ao eurodeputado do CDS, fazendo chegar a Sassoli a sua concordância com a posição de Nuno Melo, que lidera uma pequena rebelião para que não seja aberta qualquer exceção para Greta Thunberg. A suspensão de visitas externas inclui presenças em comissões, mas manteve-se a audição da jovem ativista na comissão de Ambiente (ENVI) esta quarta-feira, 4 de março.

A eurodeputada belga, Hilde Vautmans, que pertence aos liberais (Renew Europe), fez chegar também um email a Sassoli — ao qual o Observador teve igualmente acesso —  a dizer que concorda “plenamente” com Melo e não consegue “entender por que razão o Parlamento Europeu restringiria o acesso a todos os visitantes, exceto a uma pessoa, a senhora Greta Thunberg”.

A belga lembra que “todas as audiências foram canceladas e todos os deputados tiveram de cancelar os seus eventos e reuniões no Parlamento”. E acrescentou: “Visitantes externos de todo o mundo não podem entrar no edifício, mas Thunberg pode. Como devemos explicar isso aos nossos visitantes e convidados?”. Para a eurodeputada liberal “todos devem ser tratados como iguais” e avisa que “se o Parlamento Europeu der uma exceção a Greta Thunberg, esta casa não será levada a sério”.

A eurodeputada estónia Yana Toom, também do Renew Europeu, foi outra das que manifestou o apoio a Melo, dizendo que “nesta casa [o Parlamento Europeu] não há lugar para dualidade de critérios.”

O eurodeputado e chefe de delegação do Vox, Jorge Buxadé, também escreveu a Sassoli para dizer que apoia “inteiramente a queixa” de Nuno Melo “contra os privilégios injustificados concedidos à senhora “. O espanhol da família dos Reformistas e Conservadores Europeus diz ainda que “isto mostra que, infelizmente, este Parlamento não é a casa do pluralismo nem da liberdade dos cidadãos europeus”. E deixou um aviso ao presidente do Parlamento Europeu: “Espero uma reconsideração a esse respeito”.

O eurodeputado búlgaro Andrey Slabakov, também grupo do grupo do ECR, disse a Sassoli que concorda plenamente com os colegas e comenta que, com esta decisão, “parece que Thunberg é membro do staff do Parlamento Europeu. Isso é inaceitável!”. Disse ainda esperar que a “instituição” volte a ter “bom senso” e não receba Greta Thunberg.

O deputado da extrema-direita alemão Lars Patrick Berg também escreveu a Sassoli para dizer que concorda “completamente” com Nuno Melo e os restantes colegas que pedem que não haja exceções para a ativista sueca. Para o alemão, se o Parlamento Europeu quiser “ter credibilidade, não pode ter uma regra para uma pessoa e outra regra para todas as outras”. Berg recomenda então “uma reconsideração urgente desta infeliz decisão.”

Jaak Madison, do Partido Conservador da Estónia, e também membro do partido europeu de Le Pen, o Identidade e Democracia, avisa Sassoli de que se “há uma regra e uma decisão para todos, não há espaço para uma dupla interpretação”. O deputado estónio de extrema-direita diz que se há “alguém mais ‘especial'” do que os outros será “difícil levar a sério o Parlamento Europeu”. E despede-se no email ao presidente do Parlamento Europeu, com “cumprimentos e esperança de não ver hipocrisia”.