De entre os vários hábitos que a pandemia do coronavírus está a alterar, um deles é o simples ato de ir às compras. Por força do isolamento social — imposto ou voluntário –, milhares de pessoas estão a procurar alternativas para comprar alimentos e produtos de higiene, por exemplo, e nisso o comércio online tem ajudado muito. Porém, a afluência tem sido tal que quase todos os canais deste tipo de loja em Portugal têm sentido dificuldades.

O site do Continente, por exemplo, há alguns dias que tem problemas. Páginas que demoram a carregar — ou nem o chegam a fazer –, dificuldades no agendamento de entregas e produtos não disponíveis. “Face ao elevado número de acessos ao website do Continente, tem-se verificado alguma indisponibilidade e dificuldade de acesso temporário”, confirmaram ao Observador responsáveis pela comunicação da Sonae.

Só nas últimas semanas, explica o mesmo esclarecimento, o número de acessos “mais do que triplicou”, mas mesmo assim, admitem, “não se registaram quebras de nenhum bem essencial”. O grupo de retalho garante estar aplicar “todos os esforços para repor o normal funcionamento do site” de forma a conseguir dar resposta ao súbito aumento de procura.

A Sonae MC apela à melhor compreensão por todos os colaboradores que trabalham, todos os dias, comprometidos em manter a sua atividade ao serviço dos portugueses.”

O serviço de supermercado do El Corte Inglés também tem sentido problemas, se bem que diferentes dos do Continente. Tem havido um aumento considerável no número de encomendas mas isso não tem perturbado o funcionamento do site mas sim do sistema de entregas. Visitando o site neste momento é visível uma mensagem que diz: “Os dias e faixas de entrega para os próximos 7 dias estão completos. Não é possível fazer agendamentos neste momento. Lamentamos e estamos a trabalhar no sentido de melhorar a situação.”  Sobre essa situação, fonte do Observador junto marca espanhola conta que estão a ser aplicados “todos os esforços” para garantir que as entregas são feitas o mais rápido possível e tudo farão “para cumprir com todos os pedidos” — de tal forma que pessoal “da loja e dos escritórios” já se voluntariaram para ajudar a agilizar este processo. 

Aquilo que vai encontrar quando for à loja online da Auchan. D.R.

A loja online dos supermercados Auchan, em linha com os exemplos já dados (e outros) também tem sofrido com o grande aumento da procura. Quem visitar a loja neste momento vai deparar-se com um separador que diz “Você está na fila! Quando chegar a sua vez terá 30 minutos para concluir a sua compra”. Ou seja, uma espécie de sistema de “senhas” para se ter acesso à plataforma, medida que pretende evitar problemas técnicos na plataforma.

A loja também já comunicou que “face ao aumento da procura dos últimos dias” e com o objetivo de “agilizar a preparação de encomendas”, implementaram um procedimento temporário que prevê a substituição automática de produtos, “em caso de indisponibilidade”. Ou seja, se pedir uma coisa que já não esteja disponível, a superfície comercial irá substitui-la por sua iniciativa. Pede-se aos clientes que depois, verifique essa alteração “no momento da entrega” e que, “caso não esteja de acordo com alguma substituição”, devolva o artigo em questão ao colaborador. Todos os pagamentos podem ser feitos ou através da app ou no momento da encomenda, via site.

A mensagem da loja online do supermercado do El Corte Inglés. D.R.

O Mercadão é uma plataforma em tudo semelhante às que aqui já foram mencionadas com a diferença de que não vende produtos próprios mas serve de intermediário digital para várias lojas e supermercados portugueses, entre eles o Pingo Doce, por exemplo. Ao aceder à sua página online é logo visível a mensagem “Pico de Entregas. Entregas esgotadas para os próximos dias”, daí ser claro o maior aumento na procura.

Ao Observador, o CEO desta empresa, Gonçalo Soares da Costa, confirma que estão a verificar “um pico de procura desde a última semana“. Explica que “não existem problemas nas entregas” mas sim “alguns constrangimentos pontuais que podem ser mais frequentes neste período, como atrasos ou rupturas“, sendo que todos os clientes estão a ser avisados disso, “de modo a gerir expectativas.”

O site do Intermarché, ao que tudo indica, continua sem alterações visíveis, registando-se apenas um pequeno atraso nas entregas: se tentasse fazer uma compra esta segunda-feira, ela só lhe poderia ser entregue, na melhor das hipóteses, na quarta-feira, quase dois dias depois.

Artigo atualizado às 19h25 com as declarações de Gonçalo Soares da Costa sobre o Mercadão.