Na falta de máscaras descartáveis no serviço policial, a Direção Nacional da PSP começa esta quinta-feira a distribuir aos seus operacionais viseiras em policarbonato, semelhantes às viseiras cirúrgicas, de forma a proteger os polícias de serviço do novo coronavírus. Magina da Silva, o diretor nacional da PSP, já tinha anunciado que comprara 19.500 viseiras a um empresário de Sintra e, num despacho enviado aos polícias, informa que poderão ser usadas sempre que os polícias quiserem, mesmo fora de serviço. Já o uso de máscaras descartáveis e de luvas continuam a ser sujeitas a regras, porque não são suficientes.

O despacho, a que o Observador teve acesso, assinado pelo superintendente-chefe Magina da Silva, e enviado esta quinta-feira por e-mail a todos os polícias, informa que “no âmbito da prevenção da infeção por Corona Vírus (COVID-19)” começaram a adquirir “equipamentos de proteção individual (EPI), constituídos por viseiras de proteção facial em policarbonato, reutilizáveis e suscetíveis de serem desinfetadas”. Uma informação que já tinha avançado na noite de segunda-feira no programa e Prós e Contras da RTP. Nessa noite, o diretor nacional da PSP anunciou que encomendara 19.500 viseiras tipo cirúrgicas adaptadas à PSP a um empresário de Sintra.

Estas novas proteções podem e devem ser lavadas e desinfetadas no final do serviço, como mostra um vídeo que PSP produziu para mostrar a todos os elementos — um vídeo que mostra um elemento policial a lava a viseira em policarbonato com sabão azul e branco e depois a vaporizá-la com água e lixívia (uma porção de lixívia para dez de água como o diretor-nacional da PSP já tinha explicado que usava, por recomendação da Direção Geral da Saúde, por não existir álcool).

A PSP informa que esta distribuição será feita individualmente, ou seja, todos os polícias de serviço na rua terão direito a uma. “Todo o dispositivo da PSP (Direção Nacional, Unidades de Polícia, Estabelecimentos de Ensino e Serviços Sociais), que deverão ser sempre usados no serviço operacional ou sempre que cada polícia o considere necessário, mesmo fora de serviço”, lê-se no despacho.

O diretor nacional da PSP recomenda que “as viseiras de proteção facial sejam desinfetadas sempre que necessário e obrigatoriamente no final do período de prestação de serviço, seguindo as instruções divulgadas em vídeo elaborado pela UEP”.

No mesmo despacho, no entanto, a Direção Nacional informa que quanto às máscaras e luvas descartáveis “mantêm-se os pressupostos (nomeadamente a proibição do uso indiscriminado e arbitrário), apenas podendo ser usados em caso de necessidade e nas circunstâncias justificantes”. Segundo Magina da Silva, só podem usar máscaras e luvas descartáveis os polícias que tenham suspeitas de estar infetados e que estejam em sala de isolamento, os polícias que se aproximem ou que tenham que contactar com pessoa fortemente suspeita ou comprovadamente infetada ou polícias infetados. Mais, o uso destas formas de proteção pessoal não exclui a utilização destas novas viseiras.

Na RTP, Magina da Silva já tinha assumido não valer a pena dizer “que todos os polícias deviam usar uma máscara e deitá-la todos os dias fora”.” Não temos equipamentos para isso!”, garantiu. As viseiras foram a alternativa mais rápida encontrada pela polícia.

A Direção Nacional da PSP assumiu também que, na falta de álcool, tem desinfetado todas as superfícies de trabalho com uma solução à base de água e lixívia, como mostram no vídeo já publicado na sua página de Facebook.