Os cidadãos de Espinho em situação de sem-abrigo estão a recolher-se num albergue de campanha instalado no parque de campismo local, revelou esta segunda-feira a autarquia, que criou essa estrutura para os ajudar a protegerem-se da Covid-19.

Envolvendo 18 tendas individuais disponibilizadas por essa autarquia do distrito de Aveiro, em colaboração com os grupos de escuteiros de Anta e Espinho, a nova estrutura de alojamento temporário conta também com colchões e roupa de cama cedidos por hotéis da cidade, bem como produtos de higiene doados pela delegação local da Cruz Vermelha Portuguesa.

“A comunidade sem-abrigo de Espinho não regista ainda quaisquer casos de infeção por Covid-19, mas o albergue, ao qual estes cidadãos podem aceder voluntariamente – não por imposição –, visa ajudá-los a resguardarem-se o máximo possível nesta época de pandemia”, afirmou à Lusa o presidente da Câmara Municipal de Espinho, Joaquim Pinto Moreira.

Juntamente com voluntários e técnicos de outras instituições sociais, também a paróquia de Espinho tem estado a sensibilizar a comunidade sem-abrigo para os riscos associados ao novo coronavírus e a oferecer-lhes “refeições em kit individual”. Os banhos, por sua vez, estão disponíveis no próprio balneário do parque de campismo.

Temos assim uma série de entidades a reforçar a informação junto desta população mais vulnerável e a coordenar esforços com a Câmara para que não lhes falte alimentação e, em caso disso, a devida assistência médica e social”, acrescentou Pinto Moreira.

No concelho de Espinho, que tem cerca de 33.000 habitantes num território de 21,4 quilómetros quadrados, os serviços camarários registavam domingo à tarde 23 casos de infeção com o vírus que provoca a Covid-19, quatro dos quais sujeitos a internamento hospitalar.

O novo coronavírus responsável pela atual pandemia foi detetado na China em dezembro de 2019 e já infetou mais de 697.000 pessoas em todo o mundo, das quais mais de 33.200 morreram. Ainda nesse universo de doentes, pelo menos 137.900 recuperaram.

A doença disseminou-se, entretanto, por todo o mundo e afeta agora sobretudo o continente europeu, onde se registam mais de 382.000 casos confirmados e de 23 mil mortos.

Em Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de março, o último balanço da Direção-Geral da Saúde indicava 5.962 infeções confirmadas. Desse universo de doentes, 119 morreram, 486 estão internados em hospitais, 43 recuperaram e os restantes convalescem em casa ou noutras instituições.

No dia 17 de março, o Governo declarou o estado de calamidade pública no concelho de Ovar, que a partir do dia seguinte ficou sujeito a cerco sanitário com controlo de fronteiras e suspensão de toda a atividade empresarial não afeta a bens de primeira necessidade.

Todo o país está desde 19 de março em estado de emergência, o que vigorará pelo menos até às 23h59 do dia 2 de abril.