Em tempos de crise, Diana Nunes teve de adaptar o negócio. No final de 2017, esta arquiteta de formação lançou a Weev, uma marca de laços e lenços de lapela que depressa se tornou uma presença frequente nos principais mercados da capital, sobretudo no domingueiro Lx Market, em Alcântara. Agora, com um vírus à solta, esta pequena empresária pôs os acessórios de lado e deitou mãos ao que muitas famílias procuram para as poucas saídas de casa: máscaras de proteção.

“O primeiro impacto foi, sem dúvida, o cancelamento dos mercados, que é de onde vem o maior volume da minha faturação. Quando percebi que não ia ser só por duas semanas, tive de repensar a Weev e adaptá-la à situação. Afinal, tinha tudo o que era preciso para começar a fazer máscaras”, conta a responsável da marca ao Observador.

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Diana é uma de muitas defensoras do uso de máscara no dia-a-dia como forma de evitar o contágio da Covid-19 e as primeiras mensagens de clientes foram o empurrão final para avançar. “Há muita gente a assumir o uso de máscara como algo recomendável. Aliás, comecei a receber pedidos antes mesmo de começar a fazê-las”, explica.

Após pesquisar moldes e materiais, desenvolveu vários protótipos em apenas quatro dias. Há cerca de uma semana, começou a vender as primeiras máscaras. Atualmente, não tem mãos a medir e mal consegue fotografar todos os modelos para colocar na loja online. Por isso, diz que o mais fácil é mesmo escolher o padrão pelos laços e fazer a encomenda via Instagram. Ao todo, Diana está a fazer máscaras em 36 padrões diferentes (os que já usava para produzir os laços) e em dois tamanhos: adulto e criança. Para já, em casa, consegue produzir 15 unidades por dia, ritmo que em breve terá de aumentar (com algumas consequências para a logística familiar, é certo) para conseguir responder a todas as encomendas.

Diana Nunes criou a Weev no final de 2017. Há cerca de duas semanas, parou de fazer laços e lenços e começou a produzir máscaras com os mesmos tecidos © Divulgação

Entre produtos esgotados, lojas fechadas e envios suspensos, garantir os tecidos nem sempre é fácil. A empresária descreve uma autêntica ginástica na hora de lidar com os fornecedores. Ainda assim, tem contado com a compreensão de todos. As máscaras são invariavelmente feitas em algodão e são, por isso, respiráveis. No interior, contam com um forro que ajuda a filtrar as gotículas e que não pode ser passado a ferro.

Aos 38 anos, a história de Diana inclui uma mudança de vida radical. Ao fim de uma década a exercer arquitetura, atingiu um nível decisivo de insatisfação profissional. De uma necessidade — um laço para usar no próprio casamento –, nasceu uma nova ideia de negócio. Sem saber costurar, foi aprender tudo do zero. Dos laços passou para os lenços de lapela e daí voltou aos laços, mas para crianças e animais de estimação, estes últimos lançados com especial sucesso.

Algumas das máscaras produzidas pela Weev

Com a atual crise de saúde pública, os casamentos ficaram em suspenso e as encomendas de laços e lenços praticamente pararam. As máscaras custam 15 euros e há já quem encomende com segundas intenções. “As pessoas também compram muito para oferecer”, exclama Diana. Por enquanto, é este o acessório do momento e a Weev mostrou que é possível torná-lo ligeiramente mais apetecível.