Há um novo estudo que mostra como as infeções pelo novo coronavírus podem beneficiar do tratamento com Remdesivir, um medicamento anti-viral produzido pela Gilead Sciences. Tiveram melhorias dois terços dos doentes graves a quem foi administrado este medicamento que foi originalmente desenvolvido para o ébola mas que nunca chegou a ser aprovado. No final de março, o Infarmed já tinha autorizado três pedidos de uso deste medicamento.

Neste estudo, publicado na revista científica New England Journal of Medicine, foi estudada a reação de 53 doentes a este medicamento – todas elas eram pessoas que tiveram de ser ventiladas fruto da infeção, nos EUA, Europa e Canadá. Trata-se de um pequeno estudo, que não teve um grupo de controlo para comparar os resultados, mas constatou-se que esta terapêutica pode ser promissora em muitos casos.

Ao longo de 18 dias, 68% dos doentes mostraram melhorias, com 17 dos 30 pacientes que estavam a ter ventilação mecânica invasiva a conseguirem melhorar ao ponto de deixarem de precisar dessa assistência à respiração. Cerca de metade dos doentes acabaram por receber alta, mas 13% morreram mesmo tendo tomado este medicamento em base experimental.

“Não podemos tirar conclusões definitivas a partir destes dados, mas dão alguma esperança as observações que foram feitas neste grupo de pacientes hospitalizados que tomaram o Remdesivir”, comentou o principal autor do estudo, Jonathan Grein, em Los Angeles, num comunicado emitido pela farmacêutica que produz o medicamento, a californiana Gilead.

Porém, nem todos os especialistas estão convencidos. “Os dados que constam deste estudo são quase impossíveis de interpretar”, afirmou Stephen Evans, professor de farmacobiologia na London School of Hygiene & Tropical Medicine, à agência Bloomberg.

“Existem algumas evidências que apontam no sentido de uma eficácia, mas simplesmente não sabemos o que é que teria acontecido a estes doentes caso não tivessem tomado o medicamento”, acrescentou o especialista.

Remdesivir. Será este o medicamento que vai tratar os infetados com o novo coronavírus?

O Remdesivir foi administrado a 14 pessoas que estavam a bordo do cruzeiro Diamond Princess no Japão. Muitos dos pacientes submetidos ao tratamento estavam em estado crítico e acabaram por recuperar.

Notícias do final de março indicavam que o Infarmed já tinha autorizado três pedidos em Portugal para utilização do Remdesivir. Trata-se de um dos medicamentos indicados pela Direção-Geral de Saúde para tratar casos de infeção.