A Rússia e a OPEP (o cartel petrolífero informalmente liderado pela Arábia Saudita) chegaram, finalmente, a um acordo para um corte da produção que irá ajudar a estabilizar os mercados energéticos. A notícia é avançada este domingo pelo Financial Times, que diz que este é um acordo “histórico” que poderá equilibrar este mercado que estava há vários meses a ressentir-se da redução drástica da procura petrolífera justificada, em grande parte, pela pandemia do novo coronavírus.

Segundo o Financial Times, o Presidente dos EUA, Donald Trump, fez pressão intensa para que este acordo fosse atingido, entre a Rússia e os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). O acordo para a redução da produção, um dos mais significativos da história, surgiu depois o México ter exigido uma exceção, recusando-se a alinhar com os cortes propostos – o que enfureceu a Arábia Saudita.

A OPEP e os seus aliados, bem como a Rússia, vão reduzir a produção em 9,7 milhões de barris por dia – o que corresponde a cerca de 10% da procura média que existia antes desta crise. Estará, assim, resolvido o braço de ferro que se arrastava há várias semanas e que vinha desestabilizando as bolsas de valores internacionais: no mercado petrolífero o valor do crude (Brent, negociado em Londres) caiu para os valores mais baixos em duas décadas, na região dos 20 dólares por barril, quando no início do ano valia mais de 70.

Apesar de, nas palavras do próprio , Trump “odiar” a OPEP, o Presidente norte-americano acabou por ser decisivo, segundo as fontes que falaram com o FT e outras publicações financeiras, para desbloquear o acordo que começou por parecer provável na última quinta-feira. O México acabou, porém, por conseguir negociar uma redução menor por ter uma “arma secreta” que é um produto financeiro complexo que protegia o país da queda dos preços do petróleo, ao contrário de outros cujos orçamentos públicos colapsaram com a quebra do preço do barril de petróleo.