A União Europeia (UE) manifestou-se esta quarta-feira preocupada com o aumento da violência armada na província de Cabo Delgado e pede investigação sobre o desaparecimento de um jornalista naquela região do Norte de Moçambique.

Seguimos com apreensão o consequente agravamento da situação humanitária na província, com uma crescente insegurança das populações locais e a rápida multiplicação do número de deslocados internos”, lê-se numa nota da UE distribuída esta quarta-feira à imprensa.

No documento, a UE pede uma “ação eficaz” para conter as incursões de grupos armados em Cabo Delgado, manifestando a sua abertura para apoiar as autoridades na assistências das populações afetadas e na busca por soluções.

“A resposta a ser dada pelas autoridades só poderá proporcionar resultados efetivos e satisfatórios se garantir o pleno respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais das populações”, acrescenta o documento.

Por outro lado, a UE lamenta o desaparecimento do jornalista da Rádio Comunitária de Palma Ibraimo Abu Mbaruco, que terá sido sequestrado há uma semana, em circunstâncias por apurar.

“O exercício das liberdades de expressão, de imprensa e do direito à informação afiguram-se, neste contexto, fundamentais para permitir uma melhor compreensão e combate ao fenómeno do extremismo violento que assola Cabo Delgado”, refere a UE, apelando para uma investigação com “rapidez e profundidade”.

Em 2019, dois jornalistas locais na região que cobriam o tema, Amade Abubacar e Germano Adriano, foram detidos e maltratados pelas autoridades durante quatro meses, sob acusação de violação de segredos de Estado e incitamento à desordem, num caso contestado pelas Nações Unidas e outras organizações.

Cabo Delgado, região onde avançam megaprojetos de extração de gás natural, vê-se a abraços com ataques de grupos armados classificados como uma ameaça terrorista, que já mataram pelo menos 350 pessoas nos últimos dois anos e meio, além de ter afetado 156.400 pessoas, com perda de bens ou obrigadas a abandonar casa e terras em busca de locais seguros.

No final de março, as vilas de Mocímboa e Quissanga foram invadidas por um grupo, que destruiu várias infraestruturas e içou a sua bandeira num quartel das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique.

Na ocasião, num vídeo distribuído na Internet, um alegado militante jihadista justificou os ataques de grupos armados no norte de Moçambique com o objetivo de impor uma lei islâmica na região.

Foi a primeira mensagem divulgada por autores dos ataques que ocorrem há dois anos e meio na província de Cabo Delgado, gravada numa das povoações que invadiram.