Os mosquitos que transmitem doenças como dengue, zika ou febre amarela podem estar disseminados no sul da Europa dentro de uma década, devido às alterações climáticas, indica um estudo publicado na revista científica “Nature Communications”.

A investigação universitária, do Imperial College London e da Universidade de Telavive, alerta que o aumento da temperatura e a mudança dos padrões de precipitação fazem aumentar as áreas em que os mosquitos da espécie ‘Aedes aegypti’ podem viver, incluindo-se Portugal, Espanha, Grécia e Turquia, além de partes da China e da América do Norte.

“Este trabalho ajuda a revelar os possíveis custos a longo prazo de não reduzirmos agora as emissões de gases com efeito de estufa”, alertou Kris Murray, do Instituto Grantham — Alterações Climáticas e Meio Ambiente, do “Imperial College”.

Segundo o investigador, os resultados do estudo indicam que os mosquitos já beneficiaram das recentes alterações climáticas em todo o mundo e que estão a aumentar o seu raio de ação, que só pode desacelerar com cortes significativos nas emissões e dióxido de carbono.

Na sua página na internet a Direção-Geral da Saúde explica que a febre dengue é provocada por um flavivírus e transmite-se através da picada dos mosquitos do género Aedes, particularmente a espécie ‘Aedes Aegypti’, infetados com o vírus.

No artigo agora publicado os autores dizem que o mosquito em causa provoca outras doenças e que está a ampliar o seu habitat e a provocar “surtos generalizados e repetidos”.

A investigação incluiu a análise dos efeitos da temperatura em diferentes estágios da vida do mosquito e dados e projeções sobre as temperaturas e as chuvas no mundo de 1950 a 2050. E concluiu que entre 1950 e 2000 o mundo se tornou 1,5% por década mais adequado ao ‘Aedes Aegypti’.  E no futuro pode aumentar para 3,2% por década. Ou 4,4% se nada se fizer para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.