Dezoito anos depois de a falecida Saab ter introduzido o Alcokey em 100 táxis, nomeadamente nos antigos 9-3 e 9-5, a União Europeia (UE) quer que este tipo de dispositivo faça parte do equipamento de série dos novos veículos, lançados a partir de Maio de 2022, e posteriormente introduzido nos já existentes. Isto para que, a partir de 2024, os condutores embriagados sejam impedidos de accionar a ignição e seguir viagem, com as pesquisas a revelarem que este tipo de solução é entre 40 a 95% mais eficaz em reincindentes do que a aplicação de multas ou a cassação da licença de condução.

Estes sistemas serão obrigatórios em carros novos

A determinação inscreve-se, tal como o Observador já aqui noticiou, num plano que visa diminuir drasticamente o número de acidentes e a sinistralidade na estrada, razão pela qual os fabricantes de automóveis são obrigados a incluir de série nos seus veículos vários dispositivos que reforçam a segurança rodoviária. O e-Call, obrigatório desde 2018 é disso exemplo, assegurando que a resposta das equipas de emergência é mais rápida em caso de acidente.

Carros novos: eCall obrigatório. Saiba o que muda

Tal como acontece com o e-Call, no caso do alcoolímetro, o caminho a seguir também passa pela padronização do sistema, persistindo de momento dúvidas em relação à solução que será adoptada. Isto porque, por um lado, a Comissão Europeia tem de assegurar que o bloqueador de ignição é adaptável aos limites legais de cada país, pois as taxas de alcoolemia variam. Por outro, haverá que garantir que quem sopra é efectivamente quem vai conduzir e não o passageiro do lado, o que suporá possivelmente a combinação do alcoolímetro e do bloqueador de ignição com o recurso a câmaras. E, depois, vai colocar-se (necessariamente) a questão da verificação do “instrumento”, para garantir que o dispositivo de medição da concentração de álcool no sangue não foi recalibrado para enganar o imobilizador electrónico do veículo, desconhecendo-se por ora quem fará essa validação e com que regularidade.

Mais de 5000 mortes por ano na UE são causadas por conduzir bêbado, apontou em 2018 o Conselho Europeu de Segurança nos Transportes (ETSC). Dados coligidos pela Comissão Europeia referem que a condução acima dos limites de álcool no sangue permitidos por lei “contribui para cerca de 25% de todas as mortes na estrada na Europa”, sendo que um condutor com uma taxa de 1,5 g/l tem 200 vezes mais probabilidade de ter um acidente fatal do que um condutor sóbrio.

A Suécia é actualmente o único Estado-membro da UE que recorre a imobilizadores do veículo para impedir uma condução sob o efeito do álcool, inclusivamente em casos de reabilitação. Espanha, Bélgica, Alemanha e Noruega também estão a conduzir experiências nesse sentido.

Uma análise recente da relação custo-benefício, que incidiu sobre condutores apanhados duas vezes com taxas entre 0,5 e 1,3 e acima de 1,3 g/l, determinou que em Espanha, por exemplo, haver menos 86,5 mortes/ano resultaria num benefício de 69 milhões de euros por ano, considerando que cada fatalidade “vale” 800.000€.

Recorde-se que a Volvo, já em 2007, apresentou como opcional o chamado Alcoguard, que poderia ser incorporado nos antigos S80, V70 e XC70.