Uma nova revisão da previsão do impacto da Covid-19 nos Estados Unidos indica que o país pode registar cerca de 147 mil mortos no início de agosto, mais 10 mil do que apontavam os estudos iniciais. O modelo do Instituto de Métrica e Avaliação da Universidade de Washington, que é normalmente citado nos briefings da Casa Branca, acrescenta ainda que o número de casos confirmados pode chegar ao dobro do atual daqui a três meses.

Atualmente, os Estados Unidos têm cerca de 82.246 vítimas mortais e 1,37 milhões de casos confirmados. A confirmação do modelo da Universidade de Washington significaria, portanto, a morte de mais 70 mil pessoas nos próximos três meses e o contágio total de cerca de três milhões de norte-americanos por essa altura.

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As novas previsões chegam numa altura em que os conselheiros de Donald Trump, encabeçados por Anthony Fauci, alertaram para os perigos de um desconfinamento prematuro no país. Em declarações ao Senado por vídeoconferência, já que todos se encontram em isolamento depois de terem sido confirmados casos positivos na Casa Branca, os especialistas recordaram que reabrir a economia de imediato pode ser perigoso, tendo em conta que os Estados Unidos ainda não têm uma capacidade de testagem massiva nem conseguem identificar todos os contactos das pessoas que testam positivo.

“Se não respondermos de forma adequada quando o outono chegar, tendo em conta que é garantido que teremos infeções na comunidade, então corremos o risco de ter um ressurgimento”, explicou Fauci, o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas. O especialista disse ainda que se os Estados norte-americanos reabrirem as respetivas economias demasiado cedo, “existe o risco real de despoletar um surto que poderá não ser possível conter” que pode resultar em “sofrimento e mortes que poderiam ser evitadas” e num recuo na via da recuperação económica.

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A opinião de Anthony Fauci foi sublinhada por Robert Redfield, o diretor do Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças, que recordou que os Estados Unidos ainda não estão “longe de perigo” — uma afirmação contrária à ideia que tem sido veiculada por Donald Trump nos últimos dias, já que o presidente tem referido que o pior no país já passou. Também Chris Murray, o diretor do Instituto de Métrica e Avaliação da Universidade de Washington, o centro que fez uma previsão mais mortal da situação norte-americana, mostrou-se pessimista quando ao futuro e garantiu que os números são mais elevados do que é oficialmente conhecido.

“Acho que sim, são mais elevados. Em muitos casos que temos analisado com cuidado, tanto nos Estados Unidos como noutros países, existe esta noção de excesso de mortalidade. Temos de olhar para todos os aumentos em mortes comparados com os números normais. E nessas análises vemos muito mais mortes, tanto nos Estados Unidos como noutros países, do que é oficialmente reportado”, indicou Chris Murray em entrevista à CNN.