O secretário de estado norte-americano Mike Pompeo informou o Congresso que o Departamento de Estado dos Estados Unidos já não considerava Hong Kong como um território com autonomia significativa em relação à China, o que pode condicionar as condições comerciais especiais delineadas para essa região.

Mas há também inevitáveis consequências políticas, já que esta declaração é feita um dia antes da previsível aprovação da polémica lei de segurança nacional, no encerramento da sessão plenária da Assembleia Popular Nacional. A nova legislação proíbe “qualquer ato de traição, separação, rebelião, subversão contra o governo Popular Central, roubo de segredos de Estado, a organização de atividades em Hong Kong por parte de organizações políticas estrangeiras e o estabelecimento de laços com organizações políticas estrangeiras por parte de organizações políticas de Hong Kong”, e é vista como uma forma de o governo central da China assumir maior controlo sobre o território, após quase um ano de protestos, muitas vezes violentos, a favor da democracia.

Na administração norte-americana, é vista como uma “sentença de morte” para Hong Kong cujo sistema permitia que se praticassem liberdades que não existem na China continental, incluindo a liberdade de expressão ou a de imprensa e um sistema de justiça independente.

“Certifiquei o Congresso hoje que Hong Kong não continua a garantir um tratamento à luz das leis dos Estados Unidos igual ao que foi aplicado antes de julho de 1997. Nenhuma pessoa pode afirmar hoje com razoabilidade que Hong Kong mantém um alto grau de autonomia da China, dados os factos no terreno”, disse esta quarta-feira Mike Pompeo.

“Hong Kong e seu povo dinâmico, empreendedor e livre floresceram por décadas como bastião da liberdade, e essa decisão não me agrada”, prosseguiu o secretário de estado: “Mas a formulação de políticas sólidas requer um reconhecimento da realidade. Enquanto os Estados Unidos esperavam que uma Hong Kong livre e próspera fornecesse um modelo para a China autoritária, agora está claro que a China está a modelar Hong Kong à sua imagem”.

A notícia surge depois de Mike Pompeo ter afirmado que seria um “sinal de morte” para Hong Kong se Pequim aprovasse uma proposta de lei que permitira às forças de segurança reprimir as liberdades civis naquela região no sul da China. Direitos como a liberdade de expressão ou de imprensa, por exemplo, poderiam desaparecer.

De acordo com a notícia citada no The New York Times, caso as palavras de Mike Pompeo se traduzissem numa redução das relações comerciais com Hong Kong, isso poderia ser fatal para a expansão comercial e financeira da região. Para a China também seria um golpe duro, uma vez que depende da prosperidade de Hong Kong.

Fontes próximas ao governo indicaram àquele jornal norte-americano que a administração Trump está a preparar-se para impor a Hong Kong as mesmas tarifas sobre as exportações que exige à China continental; e que esses recálculos podem ser instituídos logo que a proposta de lei seja aprovada, na quinta-feira.