A Organização Mundial de Saúde (OMS) expressou esta sexta-feira preocupação com a capacidade do Brasil de gerir o surgimento de novos casos de Covid-19, mas indicou que, até agora, o sistema de saúde está a conseguir responder à situação.

O diretor do programa de Emergências Sanitárias da OMS, Michael Ryan, disse que algumas das 27 unidades federativas do Brasil “exercem bastante pressão sobre o sistema de cuidados intensivos”, com alguns locais em “estágio crítico”.

Sim, a situação no Brasil é preocupante. Todas as 27 áreas estão afetadas. Há diferentes taxas de transmissão, hotspots [pontos quentes] em áreas de alta densidade populacional”, afirmou Ryan.

Segundo a Universidade John Hopkins, o Brasil aproxima-se esta sexta-feira das 41 mil mortes e totaliza mais 802 mil casos confirmados de Covid-19, sendo o segundo país do mundo com maior número de infetados, depois dos Estados Unidos da América.

“De uma forma geral, o sistema de saúde está sob pressão, mas ainda está a conseguir lidar com o número de casos graves. Mas, com a continuação da transmissão de casos severos, veremos”, advogou o diretor.

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, um dos líderes mais céticos em relação à pandemia provocada pelo novo coronavírus, chegou a classificar de “absurdas” as medidas de isolamento social adotadas pelos governadores do país para conter o avanço da pandemia e vem apelando, diariamente, à reabertura da economia.

Bolsonaro tem também criticado fortemente a OMS, tendo ameaçado na semana passada retirar o país da organização, depois de acusar a entidade de atuar de forma “política”, “partidária” e “ideológica” num momento de pandemia de Covid-19.

“Eu adianto aqui, os Estados Unidos saíram da OMS. Nós estudamos isso, no futuro… ou a OMS trabalha sem viés ideológico, ou saímos de lá também. Não precisamos de gente de lá de fora a dar palpite na saúde aqui dentro”, afirmou Bolsonaro à entrada do Palácio da Alvorada, a sua residência oficial em Brasília.

“Ou a OMS realmente deixa de ser uma organização política e partidária ou nós estudamos sair de lá”, acrescentou.

Bolsonaro aproxima-se assim da posição tomada pelo seu homólogo norte-americano, Donald Trump, que no final de maio afirmou que os Estados Unidos iriam deixar de financiar a OMS e “redirecionar os fundos para outras necessidades urgentes e globais de saúde pública que possam surgir”.

“O Trump cortou a grana [dinheiro] deles [OMS] e eles voltaram atrás em tudo. É só tirar a grana que eles começam a pensar diferente”, disse ainda Bolsonaro na passada sexta-feira, fazendo referência ao facto de a organização ter retomado estudos clínicos com hidroxicloroquina para tratamento da Covid-19, fármaco fortemente defendido pelo chefe de Estado brasileiro no combate à pandemia.