Nuno Garoupa entende que Marcelo Rebelo de Sousa tem prejudicado o cargo de Presidente da República. Em entrevista ao Jornal de Negócios, o ex-presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos considera que Marcelo Rebelo de Sousa “tem uma intervenção excessiva naquilo que é a área do Executivo”, criando “um precedente para futuros presidentes que tenham outras personalidades”. “Este presidente excedeu largamente os seus poderes”, conclui.

Admitindo que não tem simpatia pelo estilo presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, Nuno Garoupa não gosta de ver o chefe de Estado a comentar notícias “todos os dias” e, “permanentemente, a defender as opções do Governo em matérias que são da exclusiva responsabilidade do Governo”.

Alguma dessas questões são, aliás, “altamente polémicas, como a nomeação do governador do Banco de Portugal”, sublinha Garoupa, que vê em Marcelo um “aliado do Governo”. “O Presidente fez várias intervenções a favor do Governo”, mas “tem de ser árbitro, não tem de ser parte”.

Em relação aos partidos, Nuno Garoupa diz nesta entrevista ao Jornal de Negócios que está preocupado com a perda de votantes nas diferentes eleições e diz ter dúvidas “de que o caudal de votos que está na abstenção seja recuperável”. Não acredita também “que o Chega vá ser assim tão preocupante e mobilizar tão facilmente esses votos”. O investigador acredita que “o Chega vai acabar por levar os descontentes do CDS e do PSD, mas não os abstencionistas — é uma mera transferência à direita”.

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O economista e jurista sublinha ainda que “a eleição de novos partidos não diminuiu o movimento da abstenção” e antevê a continuação desse movimento, levando a “uma fragmentação do sistema partidário”. Uma “boa notícia para o PS, porque vai tornar-se o partido dominante nesse sistema”, acredita.

Nuno Garoupa entende ainda que “é um fenómeno” o PS não ter sido prejudicado em eleições pelo caso da Operação Marquês, em que José Sócrates foi constituído arguido.