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O governo alemão anunciou que Alexei Navalny, principal opositor político de Vladimir Putin, foi envenenado com Novichok, avança a BBC. A chanceler alemã, Angela Merkel, já disse que Navalny foi “vítima de um crime” e que houve “uma tentativa de homicídio por envenenamento de uma das principais figuras da oposição da Rússia”, segundo a Associated Press.

Os exames toxiocológicos demonstram “provas inequívocas” de um agente nervoso químico do grupo Novichok, segundo o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert. O Novichok foi o mesmo veneno que deixou inconsciente Sergei Skripal, agente duplo russo que passou segredos à espionagem britânica, e a sua filha. É uma substância neurotóxica de uso militar, que foi desenvolvida nos anos 1970 na União Soviética. Alexei Navalny está em coma desde 20 de agosto.

Em comunicado, o governo alemão condenou o ataque e pediu explicações ao governo russo para o sucedido. E adiantou que o executivo vai informar os seus parceiros na União Europeia (UE) e na NATO sobre os resultados. E acrescentou que Berlim irá consultar os parceiros, em função da resposta da Rússia, “sobre uma resposta conjunta apropriada”. Angela Merkel já se reuniu com os seus ministro para decidir sobre como proceder.

É certo que Alexei Navalny foi vítima de um crime“, disse a chanceler alemã em reação à notícia. “Quiseram silenciá-lo e condeno [o que aconteceu a Navalny] da forma mais veemente possível”. “Existem questões muito sérias agora a que apenas o governo russo pode, e deve, responder”, disse Merkel, que descreveu o acontecimento como “uma tentativa de homicídio por envenenamento de uma das principais figuras da oposição da Rússia”.

O Kremlin afirmou entretanto não ter sido informado pelo governo alemão de que Alexei Navalny fora envenenado com um químico do grupo Novichok, adianta a Tass, agência de notícias russa.

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Os apoiantes de Alexei Navalny acusam Vladimir Putin de ser o responsável pelo seu envenenamento, mas o Kremlin tem negado as acusações.

Alexei Navalny sentiu-se mal a 20 de agosto num voo para Moscovo, depois de ter bebido um chá num aeroporto na Sibéria. Foi hospitalizado em Omsk, na Sibéria, em coma, mas mais tarde, por pressão da família e da equipa, foi transferido para o hospital Charité, na Alemanha. Os médicos russos que trataram Navalny garantiram que não encontraram vestígios de envenenamento no corpo do opositor de Putin.

A família e a equipa de Navalny suspeitavam que este tinha sido vítima de um “envenenamento intencional”.

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Von der Leyen exige responsabilidades por “ato desprezível e cobarde”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, censurou esta quarta-feira o “ato desprezível e cobarde” de atacar o opositor russo Alexei Navalny com um agente neurotóxico, exigindo o apuramento de responsabilidades.

“Fui informada pela chanceler [alemã] Angela Merkel que o líder da oposição russa Navalny foi atacado com um agente neurotóxico, no seu próprio país. Isto é um ato desprezível e cobarde”, condena a líder do executivo comunitário numa publicação feita na rede social Twitter.

E exige: “Os culpados têm de ser levados à justiça”.

Resultado torna mais urgente investigação transparente da Rússia, diz NATO

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considerou esta quarta-feira que o resultado do teste feito ao opositor russo Alexei Navalny “torna ainda mais urgente” uma “investigação completa e transparente” da Rússia.

“A Alemanha anunciou que Alexei Navalny foi vítima de um ataque de Novichok. Condeno totalmente o uso de um agente neurotóxico de grau militar, o que torna ainda mais urgente que a Rússia conduza uma investigação completa e transparente”, vincou o responsável pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) numa publicação feita na rede social Twitter.

Jens Stoltenberg acrescenta, na mensagem, que a NATO vai agora “consultar a Alemanha e todos os aliados sobre as implicações” deste caso na defesa mundial.

Fundo contra corrupção diz que “só o Estado” russo podia recorrer ao Novichok

O diretor do Fundo contra a corrupção de Alexei Navalny disse esta quarta-feira que só o Estado russo tem a possibilidade de usar essa substância. “Apenas o Estado [FSB, GRU, os acrónimos dos serviços de informações civil e militar russos] pode recorrer ao Novitchok. Está para além de qualquer dúvida razoável”, considerou no Twitter Ivan Jdanov.

Em posteriores declarações à rádio Eco de Moscovo, revelou que se trata de uma “substância tóxica militar”.

“Isso demonstra claramente que um ataque desta amplitude foi organizado pelo Estado”, acrescentou o responsável da organização anticorrupção, especializada em investigações sobre a elite política russa e o círculo próximo do Presidente Vladimir Putin.

Em paralelo, diversos deputados russos afirmaram hoje que as conclusões alemãs sobre o recurso a este veneno constituem uma “provocação” antirrussa, e que a Alemanha não respondeu a um pedido de acesso às informações e conclusões que confirmam envenenamento, solicitado pelo procurador-geral da Rússia.

“A declaração do Governo alemão sobre o possível envenenamento de Navalny deve ser obrigatoriamente acompanhada de provas concretas e sólidas”, disse Leonid Slutski, chefe do comité de Assuntos internacionais da Duma (parlamento), citado pela agência Interfax.

Um cientista russo, referenciado pelos media russos como tendo participado na elaboração do Novitchok na época soviética, também excluiu que Navalny tenha sido envenenado por esta substância, que lhe provocaria a morte.

“Se assim fosse, estaria a caminho de repousar no cemitério, é tudo”, assinalou Leonid Rink, segundo a agência noticiosa pública Ria Novosti.

Uma fonte das forças de segurança citada pela agência noticiosa estatal TASS reafirmou por seu turno que “os resultados efetuados [na Rússia] por diversos peritos e no âmbito das investigações preliminares não revelaram qualquer substância venenosa ou toxina no organismo e nas reações de Navalny”.

O Kremlin considerou por diversas vezes que não se poderia admitir um envenenamento enquanto não fosse identificada uma substância, e recusou até ao momento iniciar um inquérito criminal, limitando-se a investigações “preliminares”.