Centenas de pessoas participaram neste domingo numa onda de protestos em várias das zonas de Madrid afetadas pelas restrições de mobilidade, que entram em vigor na segunda-feira. Medidas que deverão manter-se durante pelo menos duas semanas e que irão afetar mais de 850 mil cidadãos — 13% da população da capital espanhola — que vivem em locais da cidade onde se registou um maior aumento de casos de Covid-19.

Segundo relatou o El País, uma das maiores concentrações decorreu junto à Assembleia da Comunidade de Madrid e assistiram-se a “alguns momentos de tensão” com a polícia, que travava as pessoas que tentavam aproximar-se do edifício.

Não é confinamento, é luta de classes” e “estas são as nossas armas” foram alguns dos gritos das pessoas que se encontravam perto da Assembleia.

No distrito de Villa de Vallecas, centenas de jovens e adultos pediram a demissão da presidente da comunidade autónoma de Madrid, Isabel Díaz Ayuso — que impôs as medidas restritivas — e gritavam por “menos polícia e mais saúde”, lê-se no El Mundo.

Para os manifestantes, as medidas aplicadas aos bairros mais pobres de Madrid são “discriminatórias e ineficazes” e exigiram um maior investimento nos bairros, bem como um reforço nos transportes públicos. Houve ainda protestos em Villaverde Alto, Villaverde Bajo, Carabanchel, Arganzuela, entre outros locais.

Estas manifestações surgem após uma convocatória feita pela Federação das Associações de Moradores de Madrid, através das redes sociais, para protestos “pacíficos” e onde se deveriam “respeitar a todo o momento as medidas de segurança sanitária e o distanciamento social”. Para as 19 horas (18 horas em Lisboa) estavam marcadas novas manifestações nos distritos de Usera e Latina. Já na sexta-feira houve uma concentração na Porta do Sol também para protestar contra as medidas anunciadas por Ayuso.

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Nas 37 áreas sanitárias onde serão aplicadas as restrições de mobilidade, as pessoas poderão entrar e sair para trabalhar, levar os filhos à escola, ir ao médico ou por motivos de força maior como prestar de cuidados a pessoas seniores, a menores ou dependentes, aceder às entidades bancárias ou de seguros. Os estabelecimentos vão ter sua capacidade reduzida para metade e terão de encerrar às 22h. Os jardins e os parques vão estar fechados e o limite de pessoas nos ajuntamentos foi reduzido de dez para seis.

Os cidadãos que vivam nestas áreas afetadas poderão aceder ao site da Comunidade de Madrid para aceder aos formulários para poderem justificar as suas deslocações. A polícia espanhola vai estar a fazer controlos aleatórios a partir de segunda-feira, mas só irá multar a partir das 48 horas seguintes, isto é, nos primeiros dois dias, os controlos serão apenas de carácter informativo, lê-se no El País.

Madrid quer exército a garantir cumprimento das medidas restritivas

A presidente da comunidade autónoma de Madrid irá pedir a Pedro Sanchez que o Exército garanta que as medidas restritivas sejam cumpridas.

A notícia é avançada pelo El Mundo. Isabel Díaz Ayuso irá reunir-se esta segunda-feira, pelas 12h (11h em Lisboa), com o presidente do Governo espanhol, na sede do governo madrileno.

O jornal, que cita fontes do governo de Madrid, refere também que Ayuso irá pedir ainda que os profissionais de Saúde realizem testes rápidos à Covid-19 a quase um milhão de pessoas.

Estes pedidos, que já estão a ser analisados pelo governo central, servem para suprir os problemas identificados pelo governo madrileno para conter a expansão da Covid-19: a dificuldade em fazer com que os infetados e os seus contactos cumpram as quarentenas e a falta de médicos e de enfermeiros nos centros de saúde.

No sábado, Sanchez garantiu que o encontro com Ayuso serviria apenas para ajudar e não para tutelar e descartou a hipótese de um confinamento total em Espanha.

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Segundo o El Mundo, o governo central está disposto a aceder aos pedidos da presidente de Madrid.

Artigo atualizado segunda-feira com os pedidos que a presidente da comunidade de Madrid irá fazer a Pedro Sanchez