A menos de um mês da Comissão Política Nacional do PS, Ana Gomes elogiou António Costa ao dizer que o primeiro-ministro tem tido um “desempenho de quadro de honra como governante“, levando o país para a frente com a pandemia. Mas, no programa da TVI “Conta-me”, de Manuel Luís Goucha, logo acrescentou que ao ser tão bom na função “não precisava” de integrar comissões de honra, como a de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica. Foi, assim, um elogio envenenado a menos de um mês do partido tomar posição sobre que candidato apoiar. Ou não apoiar.

E o que pensa a candidata? “Discordo na posição do PS de não ir a jogo e não apoiar nenhum candidato”. Mais pressão. Sobre a relação com o primeiro-ministro, Ana Gomes garantiu ainda que não tem “nada contra António Costa”, que considera um “camarada” e que trabalhou “muito bem com ele”, quer no “secretariado do PS com Ferro Rodrigues, que depois em Bruxelas no Parlamento Europeu”. E lembrou: “Fomos eleitos na mesma altura. Em 2004. E ele era o chefe da nossa delegação”.

Sobre ter avançado com uma candidatura à Presidência da República, Ana Gomes diz que acabou por ser uma decisão “solitária“. Apesar disso, confessou que uma semana antes de falecer, o seu marido, o embaixador António Franco, lhe disse que teria de avançar para Belém. Antes sequer do marido adoecer (foi tudo muito repentino: “Durou um mês desde que soubemos da doença até à sua morte”), quando a começaram a apontar para a Presidência, Ana Gomes “não estava nada aí [virada para se candidatar]”. O episódio da Autoeuropa — em que António Costa praticamente lançou a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa e deu a reeleição como garantida.

Na mesma entrevista Ana Gomes diz que já a “tentaram corromper, diversas vezes (…) quer portugueses, quer estrangeiros”. E a este propósito, lembrou que há várias formas de o fazer, recordando uma delas: “Quando me empenhei nos voos da CIA, disseram-me: ‘Tu não vais querer ser posta de novo na lista ao Parlamento Europeu. Era a pressão mais óbvia. E eu não sucumbi.”