23 surtos ativos em escolas de todo o país e o índice de transmissibilidade (RT) está em 1.09. Os números foram avançados, esta quarta-feira, durante a conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica do país. De acordo com a diretora-geral de Saúde, destes 23 surtos, sete são na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, três na ARS Centro, 12 na ARS de Lisboa e Vale do Tejo e um na ARS do Algarve — não há registo de surtos em escolas no Alentejo.

Estes surtos têm 136 casos positivos, entre alunos e funcionários, docentes e não docentes”, afirmou Graça Freitas, acrescentando que a partir destes casos positivos “muitas pessoas estarão sob vigilância” em casa.

Questionado sobre o impacto que a abertura das escolas teve na difusão da epidemia, a responsável pela Direção-Geral da Saúde (DGS) afirmou que ainda é “precoce” para se ter “a certeza”, mas indicou que “não parece ter um impacto muito grande”, referindo que a situação está controlada.

Ainda assim, Graça Freitas disse que, através dos inquéritos epidemiológicos, “muitas vezes” percebe-se que a transmissão ocorre mais de familiares doentes para as crianças “do que ao contrário”. “Outras vezes” são casos positivos entre funcionários das escolas, ou seja, a infeção terá sido contraída na comunidade.

Valores do RT indiciam “estabilidade na progressão da epidemia”. Casos importados representam 1.1% das infeções diagnosticadas

Além de revelar o índice de transmissibilidade a nível global, a diretora-geral da Saúde avançou os valores por região: o RT na região Norte é de 1.18, no Centro 1.14, em Lisboa e Vale do Tejo 1.02, na região do Alentejo é 0.86 e no Algarve 1.15.

Valores muito próximos de 1, o que, segundo Graça Freitas, “indiciam uma estabilidade na progressão da epidemia, com uma tendência ligeiramente crescente”. São ainda valores “bastante inferiores” aos que se registaram em meses anteriores.

A diretora-geral adiantou ainda que, na semana passada, a percentagem de casos importados em relação às infeções diagnosticadas foi de 1.1%. Graça Freitas não mencionou, contudo, países em concreto.

DGS não aconselha utilização de parques infantis: são equipamentos com “risco acrescido”

Relativamente aos parques infantis, a diretora-geral da Saúde sublinhou que se tratam de equipamentos lúdicos que com “risco acrescido”, uma vez que levam à “aglomeração de crianças sem regras de qualquer tipo”.

Estarão alguns abertos, mas continuamos nesta situação epidemiológica a não aconselhar a sua utilização”, afirmou Graça Freitas.

A responsável pela DGS sublinhou ainda que os parques “nem sempre são devidamente higienizados entre utilizações” e que “não está assegurado” o controlo da mobilidade das crianças dentro de um parque. Além de que “a maior parte das crianças” não usa máscara e o uso deste equipamento de proteção individual não está recomendado no exterior.

DGS desaconselha uso de parques infantis por terem “riscos acrescidos”

Testes a conselheiros de Estado: “Seguiu-se a metodologia habitual”

Uma das questões colocadas durante a conferência de imprensa prendeu-se com os testes feitos aos conselheiros de Estado, a propósito de um caso positivo de Covid-19. A diretora-geral da Saúde indicou que foram “seguidos os mesmos procedimentos” que se seguem noutros casos positivos.

Neste caso concreto seguiu-se a metodologia habitual”, garantiu.

Isto é, foi feito um inquérito epidemiológico e, consoante as respostas obtidas, as pessoas foram estratificadas em contactos de alto e de baixo risco e é essa separação “que determina as medidas subsequentes”. Ainda assim, Graça Freitas sublinhou que, muitas vezes, a decisão de se fazer um teste de despiste à Covid-19 é “uma iniciativa muitas vezes individual”, tomada seja pelo próprio seja pelo seu médico assistente”, mas isso não inibiu a realização do inquérito epidemiológico por parte das autoridades de saúde como acontece em todas as circunstâncias.

Conselho de Estado. Presidente e conselheiros que estiveram em contacto com Lobo Xavier testaram negativo à Covid-19

Quanto à possibilidade de confinamentos locais, a diretora-geral da Saúde indicou que, à data de hoje, todos os municípios do país tinham uma incidência por 100 mil habitantes inferior a 20, o que dá “alguma tranquilidade”. Apesar de serem tidos em conta outros parâmetros, como o R — medida de transmissibilidade — e as características sociais e demográficas das áreas onde ocorrem os casos.

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