Primeiro os números a cru: 2.608 novos casos; 21 mortos; 985 recuperados; mais 183 pessoas sob vigilância das autoridades de saúde e mais 1.602 casos ativos. Os internamentos ultrapassaram os mil e, desses, 144 desenvolveram a doença grave, precisando de internamento em unidades de cuidados intensivos. Depois de mais de meio ano com boletins diários para assimilar, os números começam a assemelhar-se aos que os boletins de março e abril — na pior fase da pandemia — reportavam. Na impossibilidade de confinar novamente tudo, o Governo vai deixando avisos e os países vizinhos começam a equacionar recolheres obrigatórios à noite. Como está a evoluir a situação em Portugal?

Há três dias que o número de novos infetados é superior a dois mil o que levou mesmo o Governo, na quarta-feira, a apertar a malha e a declarar o estado de calamidade, dando entrada de iniciativas legislativas na Assembleia da República com novas obrigatoriedades (máscaras e aplicação Stayway Covid).

Estado de calamidade. Governo alterou estratégia nas últimas horas perante gravidade dos números

Mas, como é sabido, medidas aplicadas hoje só terão efeito dentro de 15 dias e até lá não é expectável que os números possam ter uma descida significativa. O número de mortos reportado no boletim desta sexta-feira (21) ultrapassa as duas dezenas, algo que não se verificava desde 29 de abril, quando morreram 25 pessoas.

Já no que diz respeito ao novos casos, são as faixas etárias dos 20-29, 30-39 e 40-49 que neste boletim superam os máximos diários já registados. Os mais novos estão a registar números maiores de infeções e as regiões do Norte e Lisboa e Vale do Tejo continuam a ser responsáveis pela quase totalidade de infeções: 2.075. As restantes 533 infeções registadas aconteceram no Alentejo (150, devido ao surto num lar em Beja), 323 no Centro, 44 no Algarve, 4 nos Açores e 12 na Madeira. Pela primeira vez, a região autónoma da Madeira ultrapassa os Açores no total de casos confirmados, embora consiga manter a mortalidade a zero desde o início da pandemia.

Dos 21 mortos (com idades entre os 64 anos e os 97, precisou Graça Freitas durante a conferência de imprensa), 10 foram registados na região Norte, nove em Lisboa e Vale do Tejo e dois na região Centro. Dos mortos, 15 são homens (três entre os 60 e os 69 anos; três dos 70 aos 79 anos e nove com mais de 80 anos) e seis são mulheres, mais novas: três dos 60 aos 69 anos e três com idade entre os 70 e os 79 anos.

Mais de mil pessoas internadas, número continua a aumentar. Há 144 pessoas nos cuidados intensivos

O boletim desta sexta-feira reporta 1.015 pessoas internadas, 144 delas em unidades de cuidados intensivos. A última vez que houve tantas pessoas internadas com a Covid-19 foi a 25 de abril, quando estavam em unidades hospitalares 1.040 doentes (embora estivessem, à data, 186 pessoas em cuidados intensivos).

O dia 26 de abril foi o último em que o número de internados esteve acima de mil, mas esta sexta-feira os números já voltaram a ultrapassar essa fasquia, sendo agora 1.015 as pessoas internadas ainda que o número de pessoas em cuidados intensivos seja inferior ao que se registava no final de abril.

Recuperaram da doença 985 pessoas em 24 horas. Maior número desde acerto a 24 de maio

O número de recuperados da Covid-19 também aumentou, embora não tanto como o de novos casos. Com mais 985 pessoas recuperadas, aumentando o total para 56.066 pessoas recuperadas há agora no país 37.687 casos ativos da doença.

É o maior número de doentes dados como recuperados da doença em 24 horas, depois do acerto realizado no boletim de 24 de maio, quando os números foram atualizados em 9.844 recuperados.