O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) brasileiro anunciou esta quarta-feira o envio à aplicação “online” WhatsApp de 1.020 denúncias de envio de mensagens em massa relacionadas com as eleições municipais no país, agendadas para o próximo mês.

De acordo com o TSE, de 27 de setembro a 26 de outubro o tribunal recebeu 1.037 denúncias relacionadas a comportamentos considerados “inautênticos” nas aplicação, mas 17 foram descartadas por não estarem ligadas ao processo eleitoral. No total, 720 contas foram denunciadas, sendo que 256 acabaram banidas, e aguardam a adoção de medidas judiciais.

“Contas que não foram banidas podem ainda ser banidas no futuro caso apresentem sinais de automatização e envio em massa, ainda seguem possíveis de análise de verificação e eliminação”, disse o diretor de políticas públicas do WhatsApp, Dario Durigan.

Segundo o TSE, é considerado envio de mensagens em massa o “procedimento através do qual uma pessoa, uma empresa, um robô ou um grupo de pessoas envia o conteúdo para um grande número de pessoas ao mesmo tempo”, situação que foi proibida pela justiça eleitoral brasileira no final do ano passado, após o jornal Folha de São Paulo ter revelado um esquema de contratação desse tipo de serviços para beneficiar determinados candidatos.

Para evitar esse tipo de envio, o TSE e o WhatsApp uniram-se e criaram um canal de denúncias de contas suspeitas, visando combater a desinformação durante as eleições municipais deste ano. O diretor do WhatsApp afirmou ainda que apenas no mês passado, a aplicação de mensagens baniu no Brasil 100 mil contas por infringirem seu sistema de integridade, não estando necessariamente relacionadas com o sufrágio. “Para o mês de setembro, em todo o Brasil foram banidas 100 mil contas de Whatsapp por esse sistema de integridade que olha a plataforma como um todo. Não necessariamente são conteúdos eleitorais”, frisou Durigan.

Para tentar travar também as “fake news” (notícias falsas), o TSE anunciou em setembro parceria com as plataformas Facebook e WhatsApp para combater a desinformação e abusos durante o processo eleitoral deste ano. O presidente do tribunal, juiz Luís Roberto Barroso, afirmou que a grande vantagem dessa parceria é a tentativa de eliminar a circulação de notícias falsas, enfrentar os comportamentos inautênticos coordenados, uso indevido de robôs, impulsionamentos ilegais e uso de perfis falsos que espalham notícias deliberadamente falsas. A primeira volta das eleições municipais brasileiras para eleger ou reeleger prefeitos e vereadores dos 5.570 municípios do país está marcada para 15 de novembro.