Ao longo dos anos, o Banco Angolano de Investimentos (BAI), que em novembro completa 24 anos, tem vindo a pautar a sua atividade pela realização de iniciativas que vão muito além da componente de negócio e que contribuíram para o desenvolvimento social, económico e ambiental do país.

Com um ativo de 2.6 biliões de kwanzas (acima de 3.000 milhões de euros), tem mais de dois mil colaboradores, e crédito (cumulativo ao longo dos anos) concedido superior a 4 biliões de kwanzas (acima dos 5.000 milhões de euros), sendo por isso uma das maiores entidades financeiras de Angola. No evento realizado online, em formato de webinar, foi patente, através do testemunho de vários empresários e empreendedores – desde os responsáveis pela Fazenda Pérola do Kikuxi, Alaturca, Fazenda Girassol, Fazenda Vista Alegre, Biocom, Omatapalo –, o impacto que o financiamento e apoio do BAI teve na atividade empresarial e, sobretudo, na criação de valor acrescentado e na manutenção dos níveis de emprego nesta geografia.

Luís Lélis, presidente da Comissão Executiva do BAI, foi o anfitrião do evento, considerando a apresentação deste primeiro relatório de impacto económico e social como o lançamento de uma “pedra inicial” para o que será um conjunto de eventos que vão acontecer nos próximos 12 meses e que culminará no 25.º aniversário da instituição. “Começámos como um banco de investimento, mas hoje somos um banco universal”, esclareceu Luís Lélis na sua apresentação. A sustentar esta afirmação está o facto de, para além de banca de investimento, a atividade do BAI ser agora expandida com a banca comercial, banca de particulares e banca de empresas. “Estamos na cadeia completa do que é a função da banca”. Além de estarem presentes nas 18 províncias de Angola, com 274 pontos de atendimento, o BAI internacionalmente tem agências em Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Forte impacto externo

Com um forte impacto externo, Luís Lélis mencionou o facto de o número de clientes ter aumentado ao longo dos anos, fruto do desenvolvimento da atividade comercial e da diversificação da oferta. Em 2019, o banco fechava o ano com 1,157,290 de clientes, oferecendo soluções de crédito desde habitação, automóvel ou vários tipos de crédito pessoal e de salário.

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Uma das vertentes que Luís Lélis admite que o banco mais se orgulha é a contribuição através dos financiamentos para a diversificação da economia angolana. O BAI, segundo o presidente da Comissão Executiva, procura apoiar empresas de diferentes setores que possam, acima de tudo, concorrer à substituição de importações por produção exportável, capazes de criar empregos e com impacto no desenvolvimento local nas províncias onde estão inseridas. “É isto que nos dá energia, que nos dá vontade de continuar a trabalhar e procurar os futuros grandes empreendedores deste país”.

Outro número que Luís Lélis considera importante para este relatório é o volume de compras que o banco faz anualmente. A aquisição de bens e serviços, que em 2019 ascendeu aos 29,400 milhões de kwanzas (cerca de 38 milhões de euros), é uma realidade bem vincada na atividade do banco, sendo que o BAI aposta principalmente em compras locais, que em 2019 corresponderam a 97% do total de compras efetuadas, uma contribuição para potenciar a economia de proximidade. Segurança física e virtual, auditoria, consultores de contabilidade, consultoria e reformulação de processos são alguns dos serviços contratados e investidos na economia.

O impacto da responsabilidade social

No âmbito da responsabilidade social e do envolvimento com a comunidade, o BAI tem concentrado a sua atenção e atuação em setores suscetíveis de garantir a sustentabilidade e o desenvolvimento equilibrado da sociedade.

Em 2013, a entidade criou a Fundação BAI, envolvida em diversas iniciativas em áreas-chave como a educação, a saúde e bem-estar social, a arte e cultura e o desporto. Na área da educação, destaca-se o papel da academia BAI, uma entidade criada pelo banco que promove a educação e o desenvolvimento profissional. Prova desse empenho está o facto de entre 2014 e 2019, o banco ter investido mais de 2,3 mil milhões de kwanzas (cerca de 3 milhões de euros) em donativos e patrocínios na área da responsabilidade social. Só em 2019 esse valor foi de 914 milhões (acima de um milhão de euros).

Luís Lélis

Luís Lélis destaca o projeto Osivambi, sob égide da Diocese de Ondjiva, que compreende uma escola com sete salas de aula, um posto médico, residência para trabalhadores, igreja e um campo desportivo para cerca de 400 crianças da iniciação à 6ª. classe. “São projetos que transformam gerações”, afirma o presidente.

Igualdade de género

Nem só do impacto externo ’vive’ o banco. O impacto interno também é evidente, já que a entidade promove o desenvolvimento profissional e pessoal dos colaboradores. O BAI está, segundo este responsável, focado em ações que estimulem a equidade de género, o reconhecimento do desempenho individual, o trabalho de equipa, a ética profissional e o reforço de valores.

Para este executivo, o tema igualdade de género, “não tem que ver com cotas”. Tem que ver, sim, “com mulheres de fibra, que lutam frente-a-frente por um lugar de influência na gestão e administração”. No BAI, as mulheres representam 44% da força de trabalho. “Mas temos a certeza que, do ponto de vista do quadro diretivo, estará nos 48%”, avançou Luís Lélis, admitindo que na administração ainda há um caminho a percorrer, pois as mulheres representam menos de 38%. “Temos a certeza de que a cadeia que alimenta o futuro vai trazer muitas mais mulheres à liderança”.

Segundo dados divulgados no Relatório de Impacto, 74% dos colaboradores estão satisfeitos com a carreira que o BAI lhes proporciona.

A finalizar a sua intervenção, Luís Lélis salientou a heroicidade dos colaboradores da instituição, ainda mais em tempo de pandemia no qual o banco não parou um dia a sua atividade. O foco na responsabilidade social foi ainda mencionado e reiterado, até porque, diz o executivo, “estar envolvido com as comunidades é uma questão de sobrevivência. Uma instituição que não o faça está a afastar-se do núcleo da sua razão de ser”.

Educação entre pares

Sérgio Calundungo, economista, foi um dos convidados deste evento, tendo destacado a importância da partilha das boas práticas empresariais, enfatizando que o desenvolvimento só é sustentável se todos os diferentes atores entenderem que não é preciso que todos façamos tudo. “Têm é de entender que tudo tem de ser feito entre todos”. O economista explicou que se antes se considerava que a responsabilidade social era só do Governo ou das Organizações Não Governamentais, hoje o setor empresarial já contribui, e muito, para o desenvolvimento sustentável. “Nesta luta ninguém pode ficar para trás. Não só como beneficiário mas como atores desse desenvolvimento”.

Para este profissional, a educação entre os pares é o mais importante, pelo que um banco dizer a outra instituição financeira que o desenvolvimento sustentável é possível tem contornos muitíssimo positivos. A apresentação do economista, que focou precisamente o desenvolvimento sustentável, terminou com uma frase de Gandhi que diz que “a terra tem o suficiente para todas as nossas necessidades, mas somente o necessário”.

Mais do que cotas, capacitação das pessoas

Elisabete Santos, administradora da Pérola do Kikuxi, deu o seu testemunho, sobretudo no sentido da responsabilidade empresarial, que muitas vezes se torna mais complicada em projetos familiares. “Quando recebi o histórico da Fazenda, assustei-me”, contou. Elisabete Santos explicou o quanto o BAI ajudou na maturidade e viabilidade do projeto, assumindo no entanto que “não foi fácil”, e que teve “necessidade de conhecer todos os processos”. Mas com o apoio da instituição financeira, e de todas as chamadas de atenção que lhe foram feitas, conseguiu levar o projeto com sucesso. “Admito que cresci com o BAI”, disse. “Só assim se consegue falar com transparência e sermos parceiros de negócio”.

A Fazenda Pérola do Kikuxi é uma empresa dedicada à produção de ovos e frangos, e ainda à produção de ração animal. Atualmente, a fazenda conta com 12 pavilhões, geridos pela Kikovo, e com uma produção diária de um milhão de ovos. Estes níveis de produção permitem o desenvolvimento local do distrito urbano do Zango, e a diminuição do défice de produção de ovos em Angola.

“Numa altura em que no país só se falava de importação e em que a banca não tinha uma visão estratégica de apoio à produção nacional, o BAI foi, realmente, o único banco, depois de visitarmos vários outros, que teve a sensibilidade para entender que era o momento de investir no projeto”, sublinhou. Para a gestora, sem o BAI não teria uma Kikovo, não teria uma Nutrimix, não teria a Fazenda Pérola do Kikuxi, nem seria possível termos hoje uma Elizabeth a falar. Hoje, num período tão crucial da nossa economia, é preciso estreitarmos mais essa relação, no sentido de o BAI ser um banco estratégico no processo de diversificação da economia e produção nacional. O BAI para mim é um banco inovador, exigente e criativo”.

Sendo contra as cotas, a executiva acredita, sim, na capacitação das pessoas. “Mais do que o montante financiado, a minha preocupação foi garantir que as pessoas que acreditaram no projeto não tivessem o seu nome comprometido”.

O impacto da responsabilidade social

Noelma Viegas d’Abreu, presidente do Conselho Executivo da Academia BAI, enfatizou o mérito que a instituição financeira teve no sentido de abraçar este projeto, criado em 2012 no contexto da responsabilidade social, e que contempla áreas tão fundamentais como a educação e formação. O investimento no complexo, de 19 mil metros quadrados – desde a infraestrutura física, tecnológica e mobiliário –, rondou os 76 milhões de dólares (cerca de 64 milhões de euros), materializado na formação de quase 22 mil pessoas entre 2013 e 2019. Ao todo, foram 2 milhões de horas de formação que esta academia ministrou.

Claro que o complexo – 28 salas, dois auditórios, espaço multifunções, pátio e áreas diferenciadas – se fosse apenas para uso dos colaboradores teria uma taxa de ocupação, segundo Noelma Viegas d’Abreu, de 10%. “O que ficou desde logo muito claro é que seria para a comunidade. Hoje conseguimos demonstrar que para além de servirmos o BAI, servimos o mercado”, explicou a executiva.

O projeto começou por trabalhar com o centro de formação profissional, alargando a sua atividade para vários parceiros, nomeadamente internacionais. Mais tarde, abraçou a componente de ensino superior, em administração e finanças. O Instituto Superior contou o ano passado com 805 alunos, dos quais 175 beneficiam de bolsas de estudo dadas pelo BAI.

“Estamos a falar de dois níveis de ensino diversos, com diferentes entidades reguladoras que nos obrigam a ter um reporting diferente”, contou. “Mais do que formar, instruir, capacitar ou desenvolver competências técnicas, precisávamos de desenvolver as competências comportamentais, no sentido de educar”. Nasceu assim o programa cultural, que engloba palestras, debates, seminários e conferências, ensinando sobretudo as pessoas a pensar, a questionar. “O objetivo é que abarquem diferentes tipos de conhecimento”.