O diretor do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) do Rio Minho disse à Lusa que o confinamento anunciado esta quarta-feira pela Junta da Galiza para 60 municípios daquela região não vai afetar o quotidiano dos trabalhadores transfronteiriços.

Todos os trabalhadores portugueses podem continuar a ir trabalhar para a Galiza, e os trabalhadores galegos podem continuar a vir trabalhar em Portugal. Fundamentalmente, haverá restrições a nível da hotelaria e restauração, na prática desportiva, sobretudo nos concelhos mais confinados. Os mais próximos do distrito de Viana do Castelo são Tui, que faz fronteira com Valença, e Porriño, afirmou esta quarta-feira à agência Lusa Fernando Nogueira.

O governo regional da Galiza, comunidade autónoma espanhola que faz fronteira com o Norte de Portugal, decidiu confinar 60 municípios da região a partir de sexta-feira, incluindo o encerramento de atividades não essenciais, como a restauração e similares.

Fernando Nogueira, que é também presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, no distrito de Viana do Castelo, disse que as medidas anunciadas esta quarta-feira pela Junta da Galiza “vêm ao encontro das pretensões do AECT do Rio Minho”.

“Era preciso que as medidas de combate à pandemia de Covid-19 fossem semelhantes, de um e de outro lado do rio Minho. Esta forma de confinar hoje anunciada pela Galiza é idêntica à aplicada em Portugal, primeiro nos municípios Paços de Ferreira, Felgueiras e Lousada e, no sábado, a 121 concelhos, entre eles, Vila Nova de Cerveira”, referiu. Fernando Nogueira insistiu que o encerramento de fronteira entre os dois países “não faz sentido”.

“Não há necessidade nenhuma de fechar fronteiras. Penso que as autoridades regionais e nacionais terão o mesmo pensamento. Esse é um ponto principal”, reforçou.

Constituído em fevereiro de 2018, e com sede em Valença, o AECT Rio Minho abrange um total de 26 concelhos: os 10 municípios do distrito de Viana do Castelo que compõe a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho e 16 concelhos galegos da província de Pontevedra.

Também o presidente da Confederação Empresarial do Alto Minho (CEVAL), Luís Ceia afirmou que os trabalhadores transfronteiriços não serão afetados pelo confinamento galego. O responsável indicou números de 2019 que apontam para “cerca de 622 trabalhadores portugueses a deslocarem-se diariamente à Galiza para trabalhar e, 9.089 portugueses a residir na Galiza, com contrato de trabalho”. A CEVAL representa cerca de 5.000 empresas do distrito de Viana do Castelo que empregam mais de 19.000 trabalhadores.

O presidente do executivo regional, Alberto Núnez Feijóo, anunciou que a partir das 15h (14h em Lisboa) de sexta-feira e durante um mês as medidas de limitação da circulação de pessoas vão afetar um total de 60 municípios, onde vive cerca de 60% da população, incluindo sete cidades e os arredores, bem como 17 localidades mais pequenas com taxas elevadas de infetados pela pandemia de Covid-19.

Feijóo assegurou que se trata de uma decisão “difícil” que se manterá em vigor durante um mês, embora durante esse tempo possa ser revista, e que são medidas para “o bem comum” da população galega, tendo em conta a “situação preocupante” da evolução da pandemia.

No resto da Galiza, que não terá estas restrições reforçadas, haverá também limitações à entrada nos centros comerciais, bem como nos transportes públicos não escolares, onde se limita a ocupação a apenas 50 % dos lugares, em termos gerais. As maiores restrições aplicar-se-ão também nas autarquias com uma taxa acumulada de mais de 200 casos por 100.000 habitantes e uma tendência “ascendente” na notificação de casos.

As restrições significam o encerramento de todas as atividades consideradas não essenciais, pelo que será permitido ir para o trabalho, para a escola, movimentos para tratar de crianças e adultos e todos os movimentos de caráter sanitário.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 1,2 milhões de mortos em mais de 47,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. Em Portugal, morreram 2.694 pessoas dos 156.940 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.