A direção social-democrata exigiu a André Ventura que clarificasse a inexistência de qualquer tipo de acordo entre PSD e Chega a nível nacional. Na última sexta-feira, a 6 de novembro, Ventura entrou em contacto com Adão Silva, líder da bancada parlamentar do PSD, para transmitir uma primeira versão do comunicado que o Chega ia enviar para as redações a anunciar o acordo alcançado nos Açores. A primeira versão desse documento foi enviada para trás por Adão Silva para que Ventura deixasse claro que não existia um entendimento nacional com o PSD. E assim foi.

Não é uma questão de somenos. Os sociais-democratas têm sido acusados, em particular pelo PS, de estarem a esconder um acordo nacional com André Ventura. A direção do PSD, no entanto, continua a negar a existência de qualquer tipo de negociação com André Ventura. O acordo que foi alcançado nos Açores foi da exclusiva responsabilidade de José Manuel Bolieiro e dos responsáveis do Chega na região, repete-se na São Caetano.

No comunicado que enviou às redações, o Chega, de facto, nunca faz referências a qualquer tipo de entendimento nacional. Limita-se a dizer ter garantias de que o PSD “irá entregar na Assembleia da República, ainda nesta sessão legislativa, um projeto de revisão constitucional que compreenderá, não só o constante do seu programa eleitoral, como alguns aspetos que são para nós fundamentais, tendo-nos sido dadas garantias de que contemplará, entre outros aspetos, a redução do número de deputados e a vontade de fazer uma profunda reforma no sistema de Justiça”.

A frase é suficientemente ambígua para ser interpretada como a confirmação de que houve negociações entre os dois partidos. A direção do PSD, no entanto, nega-o taxativamente.

Mais a mais, Rui Rio disse e repetiu publicamente em diversos momentos que avançaria até ao final do ano ou no início do próximo com uma proposta própria de revisão constitucional que vai incluir, precisamente, a redução do número de deputados e a reforma do sistema de Justiça.

André Ventura, em contrapartida, aproximou-se do PSD no que diz respeito ao timing e aos termos de qualquer proposta de revisão constitucional: ao contrário do que exigiu sempre, o Chega deixou cair como condição a exigência de que o processo de revisão constitucional fosse desencadeado já, no início de novembro; e garantiu que ia abdicar de propostas como a castração química de pedófilos, a prisão perpétua para crimes de homicídio e terrorismo, a baixa do IRS para um máximo de 30% dos rendimentos e a reforma do sistema eleitoral.

Baralhando e dando de novo: a ter havido uma aproximação nacional foi do Chega ao PSD e não o contrário, nota fonte do PSD. Coisa diferente foi o que aconteceu nos Açores: aí, os dois partidos acordaram em propor a redução do número de deputados regionais; criar um Gabinete Regional de Luta Contra a Corrupção; reduzir a elevadíssima subsidiodependência na Região; e promover o aprofundamento da autonomia política dos Açores.