A Mazda não parece disposta a esquecer o desenvolvimento de motores de combustão que tinha entre mãos quando a electrificação se tornou numa necessidade, mais que não seja para evitar as multas por exceder as emissões de dióxido de carbono determinadas pela União Europeia. O regresso do motor rotativo Wankel e o novo seis cilindros em linha são disso o melhor exemplo.

O motor rotativo está de volta, ele que tão bem serviu os Mazda RX7 e RX8, além do protótipo 787B que venceu as 24 Horas de Le Mans em 1991, a primeira vitória de um carro japonês na mítica maratona e a única conquistada perante adversários de peso, pois o Jaguar ficou em 2º, 3º e 4º, à frente do Team Sauber/Mercedes, em que Michael Schumacher era um dos três pilotos, com o segundo Mazda a classificar-se no 6º lugar, à frente do Porsche da Joest Racing.

Só que, desta vez, o motor rotativo vai servir apenas como gerador e não como unidade principal, limitado que está a recarregar a bateria. A Mazda acredita que o facto de ser compacto e leve vai facilitar a obtenção de um eléctrico com extensor de autonomia (range extender, ou REX) mais ligeiro e eficiente, a confirmar-se assim que o fabricante revele as características do primeiro eléctrico da Mazda com REX.

O construtor japonês divulgou agora imagens do novo motor de seis cilindros em linha, que tem previsto lançar no mercado em 2022. A revelação aconteceu durante o anúncio dos resultados do 3º trimestre, sendo visível o novo motor e a cabeça do seis cilindros. Curiosamente, ao centro da foto está uma unidade híbrida com apenas quatro cilindros, não sendo evidente se estamos perante um híbrido ou um mais sofisticado e eficiente híbrido plug-in.

A aposta da Mazda no seis cilindros em linha, em vez da versão mais compacta com o mesmo número de cilindros “arrumados” em V, destina-se sem dúvida aos topo de gama da marca. Isto porque exige um capot mais comprido, o que não se coaduna com modelos do segmento B ou C, ou seja, de Mazda 6 para cima.

A primeira vez que este motor de seis cilindros em linha foi mencionado foi em 2019. Na altura, os nipónicos anunciaram que estavam a trabalhar numa unidade capaz de queimar gasolina, gasóleo e funcionar igualmente segundo a tecnologia Skyactiv-X. E é bom recordar que os Skyactiv-X, se bem que mais eficientes sob o ponto de vista energético, sem estar associados a outras tecnologias, foram concebidos desde o início para acoplar a sistemas híbridos plug-in, onde conseguem optimizar consumos e emissões.