O Reino Unido anunciou esta quarta-feira uma baixa acentuada na sua ajuda ao desenvolvimento no próximo ano devido aos efeitos da pandemia do novo coronavírus nas finanças públicas.

“Num período de crise sem precedente, o Governo tem de fazer escolhas difíceis”, disse o ministro das Finanças, Rishi Sunak, aos deputados.

Sunak anunciou que a ajuda ao desenvolvimento será reduzida em 2021 a 0,5% do PIB (produto interno bruto) contra o habitual 0,7%.

Representará cerca de 10 mil milhões de libras (à volta de 11 mil milhões de euros), contra os 15 mil milhões de libras dos outros anos.

A ajuda será aumentada para 0,7% do PIB “quando a situação orçamental o permitir”, adiantou o ministro.

Numa altura em que devemos dar prioridade ao emprego e aos nossos serviços públicos com recursos limitados, persistir em gastar 0,7% do nosso produto interno bruto em ajuda externa é difícil de justificar”, explicou Sunak.

Antes do anúncio, foram numerosos os apelos para a salvaguarda deste financiamento essencial para muitos projetos em todo o mundo, como o da Nobel da Paz Malala Yousafzai.

“A Covid-19 pode forçar mais de 20 milhões de raparigas a abandonar a escola. Para as raparigas continuarem a aprender, nós temos de ter dirigentes que tenham a educação como uma prioridade”, disse esta quarta-feira a jovem paquistanesa através de mensagens difundidas pelas redes sociais.

Os ex-primeiros-ministros britânicos John Major, Tony Blair, Gordon Brown, David Cameron e Theresa May também se declararam contra aquele corte no orçamento, juntando-se a líderes de 187 associações, incluindo a Greenpeace UK e a Save the Children.