Sem contar com medidas do Governo, os salários dos portugueses seriam os que mais cairiam na União Europeia, no segundo trimestre, na sequência da pandemia, segundo o relatório Global Wage Report 2020/21, da Organização Internacional do Trabalho, publicado esta quarta-feira. Os rendimentos salariais teriam caído 13,5% no total, sobretudo por causa da redução de horas trabalhadas, na sequência das medidas de lay-off, que foram responsáveis por uma queda de 11,5%. Já o desemprego tirou apenas 1,8% do salário.

Em média, entre os países da UE, a OIT aponta para uma redução salarial que seria na ordem dos 6,5% do primeiro para o segundo trimestre se não houvesse apoios concedidos pelos governos às empresas para subsidiar salários. Essas subvenções aos salários permitiram compensar 40 por cento do valor perdido.

A seguir a Portugal, seguem-se Espanha (-12,7%), Irlanda (-10,9%), França (-10%), Grécia (-9,6%), Reino Unido (-9,2%) e Bélgica (-9,1%). Entre os que menos foram afetados estão holandeses (-1,7%), croatas (-2,1%), suecos (-2,5%), luxemburgueses (-2,9%) e dinamarqueses (-3,3%).

Há ainda, em todos os países europeus, uma desproporção grande em função do género, com a OIT a sublinhar que “o impacto sobre as mulheres tem sido mais grave do que nos homens”. No caso português, as mulheres veriam os salários reduzidos 16%, em média, enquanto que nos homens ficou nos 11,4%.

“Estimativas baseadas numa amostra de 28 países europeus permitem concluir que, sem as subvenções aos salários, as mulheres teriam perdido 8,1 por cento dos seus salários no segundo trimestre de 2020, em comparação com 5,4 por cento para os homens”, refere a OIT.

O relatório indica ainda que a crise “afetou severamente os trabalhadores com salários mais baixos”, uma vez que “os que exercem profissões menos qualificadas perderam mais horas de trabalho do que os que exercem funções de gestão e os profissionais com empregos qualificados”. Sem as subvenções temporárias, “metade dos trabalhadores com remunerações mais baixas teriam perdido cerca de 17,3 por cento dos seus salários” na UE.

“O crescimento da desigualdade criada pela crise da Covid-19 ameaça deixar para trás de si um legado de pobreza e instabilidade social e económica que seria devastador”, afirmou o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

Artigo atualizado às 13h50, com informação de que o cenário da OIT não conta com medidas para apoiar salários.