O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, juntamente com o gabinete de crise da organização, apelam a que o Governo adote um confinamento geral o mais rapidamente possível, que aposte nos testes rápidos “para tentar recuperar o tempo já perdido na quebra de cadeias de transmissão” e que liberte os médicos de família das tarefas associadas ao rastreio e seguimento de pessoas infetadas e respetivos contactos, para poderem estar disponíveis no atendimento de saúde primário.

60% da população saiu à rua no primeiro dia de novo confinamento

Na carta com 10 propostas urgentes para o Governo, a Ordem dos Médicos lembra que é “emergente esmagar a transmissão na comunidade”, para se começarem a ver resultados daqui a duas semanas, e que “as meias medidas nem servem a saúde nem a economia” — uma referência ao confinamento carregado de exceções que permite que a circulação nas ruas seja pouco diferente do que antes do confinamento ter sido decretado.

Passeios, uma manifestação e pessoas sem máscara. As imagens de Lisboa no 1º sábado de confinamento

Os médicos afirmam que é “um grito de alerta para acordar e ajudar Portugal”, porque não estamos a atingir a linha vermelha no SNS, “já a ultrapassamos há muito”.

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“Já perdemos demasiado tempo e continuamos a perder. É inaceitável continuar nas meias medidas e meias verdades”, lê-se no comunicado enviado às redações.

O Observador reproduz integralmente as 10 propostas da Ordem dos Médicos, conforme comunicado de imprensa enviado às redações:

  1. Comunicar aos portugueses de forma transparente, coerente e objetiva, não omitindo a verdade, não tentando esconder a gravidade da situação, nem tentando encontrar bodes expiatórios para justificar a incapacidade de liderar o combate à pandemia.
  2. Adotar sem reservas e com a maior brevidade um confinamento geral, no mínimo semelhante ao que ocorreu em março/abril de 2020, aquando da primeira onda da pandemia, com uma situação muito menos severa.
  3. Reforçar a capacidade de resposta das equipas de saúde pública, com os meios necessários e profissionais de saúde competentes para desempenhar as tarefas de realizar inquéritos epidemiológicos válidos e em tempo útil, que permitam identificar rapidamente os contactos de alto risco e quebrar cadeias de transmissão da doença Covid-19.
  4. Aumentar de forma exponencial a capacidade de testagem de pessoas infetadas e seus contactos, através da utilização massiva de testes rápidos, para tentar recuperar o tempo já perdido na quebra de cadeias de transmissão e reforçar a capacidade de resposta da saúde pública.
  5. Utilizar, de forma planeada e organizada, todos os recursos do sistema de saúde, para dar uma resposta integrada e consistente aos cidadãos e doentes Covid-19 e não Covid-19. A gestão crítica nacional e regional de camas de internamento e de cuidados intensivos deve envolver equipas altamente diferenciadas e englobar todo o sistema de saúde (setor público, privado e social).
  6. Libertar os médicos de família do Trace-Covid (e contratar médicos para esta tarefa específica), para que a principal porta de acesso ao SNS possa estar aberta e não parcialmente encerrada.
  7. Proteger verdadeiramente as pessoas mais frágeis, nomeadamente os nossos idosos que estão nos lares, contratando equipas específicas com formação adequada, para que possam ter acesso privilegiado a cuidados de saúde em segurança.
  8. Rever com urgência os protocolos e funcionamento da linha SNS 24, para garantir informação consistente, adequada e eficaz aos cidadãos.
  9. Ouvir de forma regular as instituições legalmente competentes, que conhecem o terreno onde o combate à pandemia acontece.
  10. Revisão imediata do Plano Nacional de Vacinação Covid-19 e pedido de parecer urgente ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) sobre critérios de prioridade para vacinação Covid-19