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Os sistemas de ajuda à condução, especialmente os mais sofisticados, aqueles que mantêm o veículo ao centro da faixa de rodagem, mantendo a distância de segurança em relação ao carro da frente, mudando de faixa para realizar ultrapassagens quando necessário e conseguindo mudar de auto-estrada sem intervenção do condutor, foram concebidos para facilitar a vida de quem vai ao volante. Simultaneamente, visam incrementar a segurança, compensando as distracções e até a incapacidade do condutor de reagir atempadamente, caso surja a necessidade de se desviar de outro veículo, peão ou ciclista.

Mas, perante o potencial destes sistemas de condução autónoma de nível 2 ou 2,5, também denominado condução semiautónoma, há condutores que confiam tanto na tecnologia que não cumprem as regras de segurança, que os obrigam a manter sempre o veículo sob vigilância e a estar sempre pronto a assumir o controlo. Isto implica não dormir ao volante e, muito menos, fazê-lo no banco traseiro, ou aí dedicar-se a um outro tipo de actividades pouco conciliáveis com a condução.

Um dos mais recentes exemplos chega-nos através de Johnathon Cox, uma daquelas “estrelas” das redes sociais que busca popularidade sem se preocupar com a responsabilidade. Recorrendo ao seu Tesla Model 3, Cox achou aceitável, apenas para obter mais uns cliques ou likes, produzir um vídeo em que se colocava em risco, bem como os restantes utilizadores da via pública, tendo sido a própria mãe a registar a façanha.

Aproveitando o potencial do Autopilot, mostrou que é possível enganar o sistema, prendendo um peso no volante para simular o “peso” da mão do condutor e continuar a circular, mesmo depois de se ter mudado para o banco traseiro. É certo que não surgem condutores a realizar esta perigosa “habilidade” em veículos de outras marcas, eventualmente porque os seus sistemas de ajuda à condução não lhes permitem o mesmo tipo de eficiência ou evitar acidentes, mas a Tesla não desenvolveu o Autopilot – mesmo a versão mais sofisticada – com esta finalidade, que coloca todos em risco.

É fundamental que, enquanto não surge a condução autónoma de nível 3, 4 ou 5, os reguladores obriguem a que o condutor, que é o único responsável em caso de acidente, seja controlado. E já há tecnologia que o faça, bastando que o sistema que já existe em muitos veículos, para detectar a sonolência do condutor, lendo nos olhos o seu nível de atenção e para onde está a olhar, sirva igualmente para desactivar o Autopilot.

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