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A situação de sobrecarga da rede de oxigénio do hospital Amadora-Sintra já se encontra “estabilizada” depois da transferência de 43 doentes daqueles hospital para outras unidades de saúde, confirmou o enfermeiro-chefe do hospital, esta quarta-feira em conferência de imprensa. Rui Santos corrigiu o número de 53 doentes que tinha sido comunicado às redações durante a manhã.

“O Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) informa que a sua rede de oxigénio medicinal encontra-se a funcionar de forma estabilizada e dentro de padrões de segurança, mantendo-se a monitorização permanente do seu fluxo”, diz o hospital.

“Tal como informado, verificaram-se ao início da noite de ontem um conjunto de constrangimentos na referida rede, tornando aconselhável a transferência de 53 doentes [corrigido para 43] para outras unidades de saúde da região de Lisboa, com vista a garantir a diminuição do número de doentes internados a quem é necessário administrar oxigénio em alto débito”, detalha o comunicado.

Doentes transferidos, um hospital em “sobrecarga”. O que já se sabe sobre as falhas de oxigénio no Amadora-Sintra

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Na nota, o Hospital Fernando Fonseca reiterou que “não está em causa, como nunca esteve, a disponibilidade de oxigénio ou o colapso da rede, dado que os constrangimentos estavam relacionados com a dificuldade existente em manter a pressão”.

“De igual modo, em momento algum os doentes internados estiveram em perigo devido a esta ocorrência, tendo as flutuações da rede sido colmatadas com recurso a garrafas de oxigénio, envolvendo a mobilização de vários profissionais, cujo esforço se enaltece e agradece publicamente”, acrescentou a unidade de saúde, estendendo os agradecimentos “às corporações de bombeiros, INEM e empresas privadas que permitiram transferir os doentes num tempo relativamente curto”.

“Este verdadeiro funcionamento em rede, envolvendo várias entidades, permitiu dar uma resposta exemplar a uma ocorrência extremamente desafiante”, lê-se na nota.

O hospital Amadora-Sintra “é o hospital da região Lisboa com mais doentes COVID-19 internados: 363 à data de ontem, registando-se um aumento de 400% desde 1 de janeiro. Muitos destes doentes necessitam de oxigénio medicinal em alto débito”.

ARS estima que doentes transferidos possam regressar “antes do fim‑de‑semana”

Os 43 doentes que tiveram de ser transferidos vão ter de permanecer noutras unidades de saúde enquanto a rede não for totalmente regularizada, o que poderá acontecer antes do fim de-semana, disse à RTP o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco.

A situação está regularizada e o débito de oxigénio está normal“, disse Luís Pisco. “Com a saída destes doentes, voltou-se à situação inicial. A distribuição de oxigénio aos doentes está sem problemas de débito neste momento.”

Fotogaleria. A operação de transferência de doentes após falhas da rede de oxigénio do Hospital Amadora-Sintra

Porém, para já a situação só se mantém regularizada se o número de doentes que necessitam de oxigénio não aumentar. “Os doentes não poderão regressar nem podemos aumentar o número de doentes”, frisou Luís Pisco. “Tem que se manter estes doentes fora do hospital até esta situação estar regularizada, o que deverá ser antes do fim de semana.

Até lá, os doentes transferidos vão ter de se manter nas unidades para onde foram enviados de urgência durante a noite de terça-feira e a madrugada de quarta-feira, vincou Luís Pisco, assinalando que a estabilidade do sistema de saúde depende do “esforço dos outros hospitais” quando existem problemas numa unidade.

Luís Pisco salientou também a enorme pressão a que o Amadora-Sintra tem estado sujeito: “Praticamente estão mais 100 doentes do que aqueles que o sistema de oxigénio, para funcionar como devia ser, deveria ter.

“Não era expectável que fossem tantos doentes. O Amadora-Sintra tem 363 doentes internados, o que excede em muito aquilo que seria esperado”, acrescentou.

Relativamente aos prazos para a regularização do funcionamento da distribuição de oxigénio, Luís Pisco sublinhou que existem obras a decorrer com dois objetivos: em primeiro lugar, trabalhos de regularização imediata da pressão da rede, que deverão estar concluídos até ao próximo fim de semana; e em segundo lugar um trabalho de aumento da capacidade de armazenamento e de instalação de redes de distribuição paralelas que permitam ativar redundâncias na distribuição em caso de emergência. Este trabalho de fundo deverá demorar duas semanas.

Hospital vai receber botijas de oxigénio para prevenir novas falhas

Vão chegar esta quarta-feira ao hospital Amadora-Sintra três carrinhas carregadas com botijas de oxigénio para prevenir qualquer falha na rede de distribuição, diz a TVI.

Foi graças a botijas de oxigénio que, na noite de terça-feira, foi possível evitar que vários doentes ficassem sem oxigénio quando a rede de distribuição daquele gás medicinal entrou em sobrecarga e obrigou à transferência de 43 doentes para outras unidades de saúde.

Em direto a partir do hospital, a TVI detalhou ainda que entre os doentes transferidos se encontravam nove pessoas não infetadas com Covid-19 — incluindo três crianças. Esta quarta-feira, o enfermeiro-chefe disse tratarem-se de cinco doentes não-covid.

Corrigido: o número de 53 doentes transferidos inicialmente comunicado foi corrigido para 43 durante a conferência de imprensa.