A LG Chem, o reputado fabricante de células para criar os packs de baterias que muitos veículos eléctricos utilizam, está envolvida numa acesa polémica com dois dos seus clientes, a General Motors (GM) e a Hyundai, cujos modelos Bolt e Kauai, respectivamente, apresentam em alguns casos uma tendência para começar a arder. Para resolver o problema, as marcas estão perante uma chamada à oficinas dos veículos eléctricos considerados perigosos, mas começaram por “empurrar” a responsabilidade para a LG Chem, que agora responde às acusações.

O Chevrolet Bolt e o Hyundai Kauai registaram situações em que alguns exemplares viram as suas baterias começar a arder. O fabricante das células, que além destas duas marcas fornece muitos outros modelos, do Renault Zoe ao Porsche Taycan, não aceita a responsabilidade. De acordo com Gustavo Henrique Ruffo, da Insideevs, a LG Chem assegura que os princípios de incêndio nada têm a ver com os separadores das células, que por defeito de fabrico podiam gerar excesso de aquecimento. A companhia sul-coreana reconheceu ter existido um problema num mau alinhamento dentro das células, especificamente no contacto do ânodo.

Baterias dos Hyundai podem arder. Recall iminente

A GM começou por afirmar que os incêndios nos seus Bolt nada têm a ver com os que vitimam os Hyundai, pois se ambos os modelos usam as mesmas células, recorrem a separadores distintos. Mas, ao afirmar que o problema não está nos separadores, a LG Chem volta a colocar a GM no centro do furacão, em conjunto com o seu rival asiático.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O erro que a LG admite ter afectado os contactos dos ânodos das suas células, que obviamente são responsabilidade do fabricante, existiu nas células produzidas na China e foi solucionado logo no início da produção, diz a empresa, realçando que todas as tentativas de reproduzir o incidente em laboratório nunca conduziram a princípios de incêndio.

Em vez da “desculpa” dos separadores e dos contactos do ânodo, a LG Chem levanta a possibilidade de a causa dos fogos poder estar relacionada com o BMS, o Battery Management System, que pode ser muito “optimista” durante as cargas rápidas. A LG Chem compromete-se a colaborar com as autoridades e aguarda as conclusões do inquérito em curso. Pode ler abaixo o comunicado oficial do fabricante de células.

Resposta da LG Chem

Mostrar Esconder

“LG Energy Solution’s Statement on Kona EV Recall:In connection with the additional implementation of the recent voluntary Kona EV recall, the investigation has not yet been completed. However, we will continue to work closely with the Ministry of Land, Infrastructure, and Transport of the Republic of Korea and Hyundai Motors to ensure the recall is carried out smoothly with our highest priority on consumers’ safety.The misalignment inside the battery cell (the folded anode tab) is cited as the reason for this recall, but it is hard to consider this as a direct cause since no fire occurred in the reproduction experiment as announced by the Ministry of Land, Infrastructure, and Transport. Moreover, this problem was discovered in the early production stages of LG Energy Solution Nanjing plant’s Hyundai Motors-only production line, which has already been corrected.In addition, it has been confirmed that Hyundai Motors’ misapplication of the BMS charging map was caused by their incorrect application of fast charging logic, proposed by LG Energy Solution, to the BMS. We will be cooperating with the relevant authorities to discover whether this had any connection to the fire.LG Energy Solution is fully committed to further enhancing the safety in all processes, from product design to manufacturing and inspection.Furthermore, the damage to the separator, which was proposed as a possible cause of the fire last October, has since been confirmed as unrelated by simulation test conducted by a joint investigation team.”