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A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o medicamento ivermectina seja usado exclusivamente nos ensaios clínicos que pretendem estudar a sua eficácia no tratamento de doentes com Covid-19. A organização acrescenta que o medicamento não está recomendado no tratamento da doença seja qual for a gravidade da mesma.

A evidência atual sobre o uso de ivermectina para tratar pacientes com Covid-19 é inconclusiva. Até que mais dados estejam disponíveis, a OMS recomenda que o medicamento seja usado apenas em ensaios clínicos”, lê-se no comunicado da organização.

O Infarmed já tinha alertado, a 11 de março, que não existem provas que apoiassem a utilização de ivermectina, um antiparasitáriode largo espetro, usado no tratamento da escabiose (sarna) e da pediculose (piolhos), tanto no tratamento da Covid-19 como na prevenção da infeção com SARS-CoV-2.

“Dadas as limitações metodológicas nos ensaios em que a ivermectina foi utilizada e as dúvidas quanto à dose adequada e sua segurança no âmbito da infeção causada pelo SARS-CoV-2, não existem evidências (provas) que apoiem a utilização deste medicamento na profilaxia e tratamento da Covid-19”, escreveu o Infarmed em comunicado.

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Esta quarta-feira, a OMS reforça a ideia dizendo que os 16 ensaios clínicos já realizados, com mais de 2.400 pessoas, ainda não foram capazes de demonstrar que o medicamento seja eficaz a reduzir a mortalidade, a necessidade de ventilação mecânica, os internamentos ou o tempo de recuperação da doença.

A OMS acrescenta que não analisou a possibilidade de usar o ivermectina para prevenir a infeção com SARS-CoV-2 — outra utilização que ainda não está demonstrada — por não fazer parte dos objetivos desta revisão.

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Em Portugal, há médicos que tomam ou recomendam aos seus doentes. Dizem que veem resultados, mas sem termo de comparação com outros doentes nas mesmas condições a fazer outro tipo de tratamentos — como se faz nos ensaios clínicos — é impossível dizer se os doentes recuperam por causa do medicamento ou por outro qualquer motivo.

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