A Agência Europeia do Medicamento (EMA) reconhece uma forte associação entre a administração da vacina da AstraZeneca e a formação de coágulos sanguíneos e baixo nível de plaquetas, ainda que sejam eventos raros, conforme comunicado de imprensa publicado no site.

Ou seja, para a EMA os dados mostram que a administração da vacina pode ser a causa dos eventos observados.

A EMA reforça que os benefícios continuam a ser superiores aos riscos, mas aconselha as pessoas que tomaram a vacina a contactar o médico assistente no caso de terem sintomas compatíveis com a combinação dos coágulos e baixo nível de plaquetas.

Afinal a vacina da AstraZeneca provoca mesmo coágulos sanguíneos. Mas podemos ou não confiar nela?

O comité de segurança da EMA (PRAC) concluiu, na quarta-feira, que os coágulos sanguíneos fora do comum aliados ao baixo teor de plaquetas devem ser listados como efeitos colaterais muito raros da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca (Vaxzevria), conforme se lê no comunicado e foi confirmado pela diretora executiva da agência, Emer Cooke.

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Uma explicação plausível para a combinação da ocorrência de coágulos sanguíneos e plaquetas sanguíneas baixas é que seja uma resposta do sistema imunitário, levando a uma condição semelhante à observada, por vezes, em doentes tratados com heparina (trombocitopenia induzida por heparina, HIT)”, disse Emer Cooke.

Os relatos dos casos de coágulos sanguíneos com baixas plaquetas foram registados nas duas semanas depois da primeira dose. Sobre a segunda dose, a agência ainda não tem dados que permitam dizer se haverá o mesmo tipo de reações.

Até ao momento, a larga maioria das pessoas que tomou a primeira dose da vacina da AstraZeneca, ainda não tomou a segunda. Em Portugal, deve acontecer ao fim de 12 semanas.

A EMA confirmou também que não encontrou fatores de risco associados ao surgimento de casos invulgares de coágulos. Ou seja, apesar de a maior parte dos casos ter sido identificado em mulheres com menos de 60 anos, a EMA não encontrou relação com a idade ou sexo. Assim como também não identificou associação a outros fatores de risco.

Uma das possibilidades, explica Sabine Straus, representante do PRAC (comité de segurança), é que também há mais mulheres dentro destas idades a tomarem a vacina da AstraZeneca na Europa. Assim, mesmo que sejam eventos raros, serão mais vezes registados nos grupos que têm mais pessoas vacinadas com esse fármaco.

Não tendo identificado fatores de risco, a agência não tem recomendações específicas para fazer de forma a prevenir o surgimento destes efeitos secundários.

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O risco de morte por Covid-19 continua a ser maior do que pelos potenciais efeitos secundários causados pelo uso desta vacina, disse Emer Cooke, diretora executiva da EMA. Os responsáveis da agência apelam assim a que os cidadãos europeus não deixem de tomar a vacina.

A agência não vai recomendar que não seja usada num grupo específico e aconselha apenas que as pessoas vacinadas se mantenham atentas aos sintomas que podem ser indicadores dos eventos invulgares descritos.

Sintomas:

  • falta de ar
  • dor no peito
  • inchaço nas pernas
  • dor de barriga persistente
  • sintomas neurológicos, incluindo dores de cabeça graves e persistentes ou visão turva
  • pequenos pontos de sangue por baixo da pele no sítio onde foi dada a injeção.

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