A marca criada por Enzo Ferrari em 1939 revelou o seu mais recente superdesportivo. Denominado 812 Competizione, com carroçaria fechada e 812 Competizione A (de aperta, aberta em italiano), na versão roadster, o novo modelo foi concebido com base do 812 Superfast. Mas pouco ou nada ficou por mexer no desportivo de Maranello, uma berlinetta com motor V12 instalado à frente.

Esta é a terceira ocasião em que a Ferrari concebe uma edição especial, fabricada em quantidades limitadas, com base nos seus modelos de produção em série. Depois do 599 GTO com 670 cv revelado em 2010, concebido sobre o 599 XX, a que se seguiu em 2015 o Ferrari F12 tdf (Tour de France) com 780 cv, a marca do Cavallino Rampante volta ao ataque, elevando ainda mais a fasquia com o Competizione.

Um V12 mais potente e capaz de atingir 9500 rpm

O motor continua a ser o V12 atmosférico com 6,5 litros, não só por a marca o considerar o mais nobre, mas também por ser o mais respeitado pelos clientes que o consideram, e com razão, o topo de gama.

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A potência, que no 812 Superfast atingia 800 cv, subiu no Competizione para 830 cv, o que foi conseguido à custa de modificações nas árvores de cames, colectores de admissão e na capacidade de atingir regimes de funcionamento mais elevados, agora fixado nas 9500 rpm, graças ao recurso a pistões mais leves, bielas em titânio (40% mais leves), cambota 3% mais ligeira e à adopção de uma bomba de lubrificação variável. Tudo para melhorar a eficiência do V12 e reduzir o atrito, diminuindo como consequência as perdas por aquecimento.

Mais leve e mais ágil

O combate ao peso excessivo foi total, o que permitiu reduzir o peso do modelo em 35 kg, com os pára-choques à frente e atrás a recorrerem agora a fibra de carbono, bateria de lítio (mais leve do que as convencionais de chumbo), jantes de 20” em fibra de carbono (3,7 kg mais leves) e discos em carbocerâmica, também eles mais ligeiros do que os de aço.

A Ferrari incrementou a eficiência aerodinâmica do Competizione, mas sem a receita tradicional, que consiste em recorrer a excesso de asas e splitters para colar o carro ao solo. Em vez disso, encontrou uma solução para melhorar o funcionamento dos extractores de ar, garantindo que face ao 812 Superfast, o novo 812 Competizione produz um apoio aerodinâmico 80 kg mais elevado a 200 km/h, mas sem piorar o Cx, não lhe limitando assim a velocidade máxima. Um dos exemplos da optimização chega pela mão da cobertura do vidro traseiro, que traz vantagens mas condiciona a visibilidade, o que obrigou a Ferrari a montar um sistema de retrovisor interior por câmara de vídeo.

Na versão roadster, ou seja, no 812 Competizione A, a Ferrari concebeu um tejadilho em fibra de carbono, leve e fácil de arrumar. E para não incomodar excessivamente os dois ocupantes do Aperta, quando a circular a alta velocidade, a marca de Maranello concebeu uma air blade sobre o capot do motor, que funciona em conjunção com o apêndice aerodinâmico sobre o pára-brisas.

Depois de combater o peso, a Ferrari concentrou-se igualmente no comportamento do Competizione, equipando-o com um sistema de quatro rodas direccionais, em que as rodas posteriores não só podem virar em sentido idêntico ao das anteriores, como em sentido oposto e até de forma ligeiramente diferenciada, para ajudar a tornar ainda mais eficaz o comportamento do Ferrari.

Preços entre 599 mil e 699 mil euros em Portugal

Os novos 812 Competizione e Competizione A foram revelados na pista da marca em Fiorano, aproveitando as novas instalações construídas recentemente para acolher os clientes da marca que pretendem rodar na pista “sagrada”, dos que adquirem os F1 antigos aos que pretendem frequentar cursos de competição ou de condução avançada, ou até levar o seu Ferrari aos limites. Mas as novidades não ficam por aqui, sobretudo para os clientes portugueses.

Para os fãs da marca lusos, a Ferrari só parecia ter más notícias, ainda que uma delas possa ser mais favorável do que parece. A novidade menos boa diz respeito ao facto de todas as unidades a serem fabricadas das duas versões do Competizione já terem dono, isto apesar de a marca ter anunciado a intenção de produzir 999 unidades do 812 Competizione e 599 do 812 Competizione A.

A segunda novidade, que pode ser mais positiva do que parece, prende-se com o facto de o 812 Competizione “fechado” ser proposto por 599.000€ em Portugal, “ligeiramente” acima dos 499.000€ solicitados aos condutores italianos e por essa Europa fora, enquanto o Competizione A exige um investimento de 699.000€, mais uma vez generosamente acima dos 599 mil euros que os italianos têm de desembolsar. Mas se é um dos felizardos que conseguiu encomendar um dos superdesportivos, saiba que estas séries especiais da Ferrari, apesar de caras, têm tendência a valorizar-se (e bem), pelo que é possível que adquirir um Competizione não seja um gasto, mas sim um investimento, que garantirá rentabilidade quando decidir desfazer-se dele.

O 812 Competizione será entregue no primeiro trimestre de 2022, enquanto os clientes da versão Aperta terão de aguardar pelo último trimestre do próximo ano.