O presidente do PSD, Rui Rio, sustentou esta sexta-feira que as autárquicas deste ano “são muito importantes” para o partido, que perde peso eleitoral nas eleições locais “desde 2009”, e disse que “o PSD tem de começar a ganhar forte”.

Considero que as eleições autárquicas de 2021 são muito importantes para o país e são muito importantes para o PSD (…). Para o PSD estas eleições de 2021 são mais importantes que as outras eleições autárquicas por uma razão simples: desde 2009, inclusive, todos os anos perdemos um bocadinho de peso. Um bocadinho em 2009, muitíssimo em 2013 e outra vez muitíssimo em cima de muitíssimo em 2017. O PSD não pode continuar a perder. Tem de virar e começar a ganhar forte”, disse Rui Rio.

O líder dos sociais-democratas, que falava no Porto na cerimónia de apresentação do programa de Vladimiro Feliz, candidato do PSD a este concelho, garantiu que a direção nacional do partido “empenhou-se a sério na escolha dos candidatos às autarquias, em todas as autarquias sem exceção”, frisando que “um bom candidato não é apenas aquele que é conhecido do grande público porque aparece na televisão”.

“Um bom candidato é aquele que é reconhecido localmente como alguém capaz de mudar o seu município”, apontou.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

E Rui Rio acrescentou outro dado à “importância das eleições autárquicas deste ano”, fazendo um apelo ao “voto responsável” dos portugueses.

“(As eleições autárquicas) são muito importantes para o país, não as eleições de 2021, mas todas as eleições autárquicas. Queria chamar a atenção de todos os portugueses que, normalmente, acham que as eleições legislativas ou presidenciais são as mais relevantes para o futuro do país, e não é assim”, disse Rui Rio.

Para o presidente do PSD, a eleição de autarcas significa “eleger políticos que têm uma ação absolutamente determinante na qualidade do dia a dia”, pelo que o voto em eleições autárquicas tem de ser, disse, “um voto extraordinariamente responsável”.

“Confrontamo-nos mais depressa todos os dias com o poder local, do que com o poder central”, sublinhou.

Lembrando que o poder local democrático tem 45 anos, Rui Rio defendeu que este “é das maiores conquistas do 25 de Abril (de 1974)”.

“Nestes 45 anos quem fez mais pelos portugueses? Foi o poder central ou o poder local? Desde o saneamento básico até à digitalização, o trabalho do poder local democrático é notável”, referiu num discurso de cerca de 20 minutos que juntou, no salão nobre da Alfândega do Porto, militantes e apoiantes de Vladimiro Feliz, candidato à Câmara Municipal do Porto.

Rio acusa PS de ir a jogo no Porto “com as reservas”

Durante a apresentação da candidatura de Vladimiro Feliz, Rio acusou ainda o PS de desistir de ganhar no Porto e ir a jogo “com as reservas” nas autárquicas porque o líder socialista “apoia Rui Moreira”, o independente à frente da Câmara desde 2013.

“Nestas eleições do Porto em 2021, o PSD tem uma responsabilidade acrescida. O PS desistiu de ganhar o Porto, porque António Costa (líder do PS), na prática, apoia Rui Moreira (independente e atual presidente da Câmara) e, por isso, o PS nesta eleição vai apenas fazer figura de corpo presente”, disse Rui Rio.

No Porto, e numa cerimónia dedicada à candidatura de Vladimiro Feliz à Câmara nas autárquicas deste ano, Rui Rio acusou o PS, que ainda não apresentou candidato, de “só querer dificultar a vida ao PSD”.

“O principal objetivo de António Costa não é ganhar o Porto, é dificultar ao máximo uma possível vitória do PSD aqui no Porto”, observou.

Para Rio, “era mais transparente que o PS resolvesse frontalmente dar o seu apoio (a Moreira), tal como já outros partidos o fizeram, do que se esconder atrás de uma candidatura fraca”.

“Quando eu era miúdo, dizia-se: jogar com uma equipa de reservas. Mas é assim porque falta coragem e frontalidade ao PS”, referiu.

Para o presidente dos sociais-democratas “pesa sobre o PSD a responsabilidade de derrotar um emaranhado de interesses partidários diretos e indiretos que sob a capa de uma pseudo-independência se candidata à Câmara do Porto”.

Elogios a Vladimiro Feliz, um candidato “trabalhador” e competente

Rio garantiu que o PSD tem “por todo o país excelentes candidatos”, sendo que alguns têm notoriedade pública e outros o reconhecimento local, sendo que “o candidato do Porto não é exceção”.

“É um candidato que tem o reconhecimento local. Se forem ao Algarve não o conhecem na rua, é verdade. Se forem a Bragança não o conhecem na rua. Mas no Porto, quem está atento ao que foi feito na cidade, conhece o candidato que temos porque ele já deu provas, já mostrou que é capaz”, apontou.

Ainda sobre Vladimiro Feliz, que foi vice-presidente de Rio na Câmara do Porto, o líder do PSD observou que este conhece bem a cidade, tem uma visão para o futuro e obra feita, destacando vários projetos, nomeadamente os ligados à área digital.

“É competente e sabe gerir a cidade. Não vai fazer das ruas uma floresta de pilaretes, nem vai destruir o trânsito com ciclovias mal desenhadas”, assegurou.

“É trabalhador. Não quer ser presidente do Porto por vaidade, quer trabalhar pelo Porto, vai preocupar-se mais em trabalhar do que aparecer constantemente na televisão”, acrescentou. Rio referiu ainda que o candidato do PSD à Câmara do Porto “é sério”.

“Durante os sete anos em que teve poder na Câmara nunca se aproveitou do lugar de vice-presidente ou de vereador para fazer negócios em seu benefício pessoal ou da sua família. O Vladimiro Feliz é confiável“, disse o líder do PSD, que presidiu à Câmara do Porto durante três mandatos e deixou de se recandidatar, altura em que Moreira foi eleito.

Já Vladimiro Feliz, cuja candidatura pelo PSD foi oficializada a 23 de março e esta sexta-feira, no salão nobre da Alfândega do Porto, prometia apresentar linhas gerais do seu programa — como anunciava o convite de agenda —, fez um discurso com recados à liderança atual da autarquia.

A meio, ficaram as negociações com Lisboa em questões fundamentais para o Porto, como seja o dossier TAP ou o INFARMED. Ficar a meio é não se entregar por inteiro aos assuntos da cidade”, disse Vladimiro Feliz.

Não queremos, só, uma cidade para inglês ver, queremos uma cidade para o portuense viver, estudar, trabalhar e investir”, acrescentou.

O candidato disse que o Porto “precisa de novas abordagens e novas disciplinas para pensar o desenvolvimento urbano de uma forma integrada, ecológica, inteligente e sustentável”, referindo que “o paradigma mudou e o Porto, tem por isso, de saber responder ao presente e preparar o futuro, potenciando o que existe, desenhando a cidade a partir das pessoas e para as pessoas”.

Vladimiro Feliz prometeu “uma verdadeira resposta de combate ao abandono escolar”, bem como “privilegiar a qualificação, a geração de emprego, a autonomia e dignidade pessoal dos cidadãos” e, entre outros temas, destacou a aposta “numa estratégia de mobilidade de nova geração, pensada a partir da procura, que garanta níveis de serviço que façam do transporte publico uma verdadeira opção para os portuenses”.