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O índice de transmissibilidade — R(t) — passou de 0,90 para 1,15, entre 1 e 16 de maio, na região de Lisboa e Vale do Tejo. Apesar de a incidência cumulativa estar nos 52 novos casos por 100 mil habitantes, a 19 de maio, as previsões da Direção-Geral da Saúde (DGS) e Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) indicam que, a manter-se esta tendência, a região vai ultrapassar as linhas vermelhas em um ou dois meses.

A manter estas taxas de crescimento, o limiar de 120 novos casos por 100 mil habitantes, acumulado em 14 dias, será atingido em 61 a 120 dias, a nível nacional, e 31 e 60 dias, na região de Lisboa e Vale do Tejo”, lê-se no relatório “Monitorização das linhas vermelhas para a COVID-19, divulgado esta sexta-feira.

O concelho de Lisboa mostrou, esta sexta-feira, estar perto desse limite, com 118 novos casos por 100 mil habitantes nos 14 dias que antecederam 19 de maio. A Golegã, por sua vez, é o único concelho acima deste limite, com 243 novos casos por 100 mil habitantes.

A região do Algarve era a que tinha maior incidência cumulativa no dia 19 de maio, com 76 novos casos por 100 mil habitantes, mas o relatório da DGS/INSA diz que, no espaço de uma semana, o R(t) diminuiu de 1,08 para 0,95 na região.

Os efeitos de um índice de transmissibilidade maior que 1 podem, no entanto, ainda se ter feito sentir nos dados da incidência de 19 de maio, tendo em conta que quatro dos 10 concelhos em alerta — por terem mais de 120 casos por 100 mil habitantes — se localizarem na região do Algarve.

A incidência na região do Algarve era superior à média nacional, de 53 novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias, também esta com tendência de subida (justificada por um R(t) maior do que 1 desde 10 de maio). A nível nacional o R(t) é de 1,03.

Com transmissão comunitária de moderada intensidade e reduzida pressão nos serviços de saúde. O aumento dos valores do índice de transmissibilidade (Rt) deve ser acompanhado com atenção durante a próxima semana pois pode sinalizar o início de um período de crescimento da epidemia”, aconselham os autores do relatório.

Número de testes diminuiu, mas a taxa de positivos continua baixa

O número de testes de diagnóstico para o coronavírus SARS-CoV-2 diminuiu nos últimos sete dias, desde o último relatório da DGS/INSA, e a proporção de testes positivos aumentou ligeiramente.

Ainda assim, a taxa nos últimos sete dias foi de 1,2% de testes positivos entre a totalidade de testes realizados, abaixo dos 4% tidos como o valor limite para uma pandemia sob controlo.

Os testes devem ser comunicados na plataforma Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE) no espaço de 24 horas, mas até abril mais de 10% dos testes eram reportados com atraso — um problema que tem vindo a diminuir ao longo do tempo.

O tempo também é importante não só na identificação da infeção, mas também no isolamento dos doentes e no rastreio dos contactos. Assim, entre 6 e 19 de maio, “90% dos casos notificados foram isolados em menos de 24 horas após a notificação e 81% dos seus contactos foram
rastreados e isolados no mesmo período”.

Nos 14 dias que antecederam 19 de maio, o grupo etário com maior incidência de casos de infeção foi o dos 20 aos 29 anos, com 106 novos casos por 100 mil habitantes. No extremo oposto, as pessoas com mais de 80 anos, com 14 casos por 100 mil habitantes. A faixa etária com mais internamentos nas unidades de cuidados intensivos corresponde à dos 60 aos 69 anos.

A variante britânica representava mais de 90% dos casos em abril

A variante britânica representava 91,2% das infeções analisadas pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge entre 5 e 18 de abril.

A totalidade dos genomas sequenciados (decifrados) nas regiões autónomas — 97 nos Açores e 47 na Madeira — correspondiam à variante britânica (B.1.1.7), o que também acontecia com a quase totalidade dos casos no Alentejo (97,6%) e no Algarve (96,3%).

A região onde a proporção de variante britânica é menor é o Centro, com 81,8%. Na região Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, a B.1.1.7 representa 90%.

Da variante sul-africana (B.1.351), não foram encontrados novos casos na última semana, apesar de o relatório considerar que a transmissão é comunitária, porque a maioria dos 88 casos registados não ter história de viagem ou contacto com os casos confirmados dessa variante.

Da variante de Manaus (Brasil), já foram identificados 115 casos, um deles na última semana. Do total de casos, 26 foram considerados importados e 23 tinham tido contacto com casos confirmados desta variante, mas a maioria representa será justificada por transmissão comunitária. A maior parte dos casos da P.1 (46,1%) estão na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Em relação à variante indiana (B.1.617), os 10 casos identificados até ao momento tinham história de viagem ou um contacto confirmado com a variante, logo não se considera que exista, neste momento, transmissão comunitária. Foram identificados oito casos da linhagem B.1.617.1 e dois casos da linhagem B.1.617.2 — “a que tem trazido maior preocupação à comunidade científica”.

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