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Luís Marques Mendes considera que o PSD está a perder os leitores moderados do centro e a entregá-los ao PS. No seu espaço semanal de comentário na SIC, que este domingo se realizou mais cedo do que o habitual, o comentador disse que o PSD tem, neste momento, “um problema de natureza estratégica” que se deve à “perceção pública” de “uma aproximação ao Chega”, o que cria “mau estar” dentro do partido.

“Os eleitores moderados do centro não votam no PSD e sem os eleitores moderados não se vencem eleições. Acho que isto é um erro que envenena o PSD”, afirmou Marques Mendes.

Para o antigo líder social-democrata, o PSD tem ainda “outro problema”, que é o da “falta de causas” para mobilizar as pessoas que não estão satisfeitas com o Governo. “E não era difícil ter causas”, garantiu o comentador, dando três exemplos: a defesa da classe média, “fustigada por taxas e taxinhas”; as pensões de reforma, “que é a causa dos jovens mas também das pessoas de 30 e 40 anos”; e a competitividade das empresas e o crescimento dos salários.

“Porque é que o PSD não agarra estas causas”, questionou. “Esta parte não é difícil. Dá trabalho, eu sei, mas isto é importante.”

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“Bloco de Esquerda fez uma convenção para formalizar a sua passagem à oposição”

Na reta final do seu comentário semanal, Marques Mendes olhou ainda para a convenção do Bloco de Esquerda, realizada este fim de semana. Na opinião do comentador, o Bloco fez esta convenção “para formalizar a sua passagem à oposição”, evidente desde a votação do Orçamento do Estado, no final de 2020. “A gerigonça fica amputada”, considerou.

“Agora há uma coisa engraçada”, continuou o comentador “Bloco, PS e PCP: são todos partidos à esquerda, mas acho que estão todos felizes por o Bloco deixar a geringonça e passar à oposição. O PS não gosta do Bloco; o PCP também não gosta do Bloco; e o Bloco já percebeu que o seu caminho, de um ponto de vista estratégico, é a oposição. São todos de esquerda, mas não se dão uns com os outros”, concluiu.

Marcelo “fez bem” em visitar a Guiné-Bissau e em dar “um impulso ao projeto da lusofonia”

Marques Mendes comentou também a viagem “corajosa” do Presidente da República à Guiné-Bissau, recusando a posição de que se trata de uma legitimação de um governo não democrático.

“Acho que o que o Presidente fez foi corajoso”, começou por dizer o comentador. “Obviamente que o regime na Guiné-Bissau não é nada recomendável em termos democráticos. Isso é verdade. A própria oposição [guineense] não queria que o Presidente Marcelo lá fosse.” No entanto, Marques Mendes considera que “fez bem”, primeiro, porque “as relações entre Portugal e a Guiné e entre Portugal e qualquer país são relações de Estado a Estado. Independentemente dos regimes, independentemente dos presidentes ou dos governos. Se não fosse assim, haveria um conjunto grande de países que nunca visitaríamos”.

Além disso, Portugal não tem “as relações cortadas com a Guiné-Bissau” e a exclusão deste país do roteiro de visitas do Presidente podia mesmo provocar um incidente diplomático. Pelo contrário, Marcelo Rebelo de Sousa teve “sentido de Estado”, reunindo com o Governo, mas também com a oposição, mostrando estar “acima das querelas internas”.

Marques Mendes considerou ainda que a visita foi “surpreendente” pela multidão de milhares de pessoas que saudaram Marcelo, o primeiro Presidente da República português a visitar a Guiné-Bissau em 31 anos. Pode ter havido uma parte de encenação das autoridades, mas ao mesmo tempo via-se a emoção das pessoas”, apontou o comentador, salientando, mais uma vez, que Marcelo Rebelo de Sousa “fez bem” em realizar a visita e em dar “mais um impulso ao projeto da lusofonia” que, na opinião de Marques Mendes, é tão importante quanto o europeu.