(Em atualização)

Paulo Mendes da Rocha, Prémio Pritzker em 2006, morreu este domingo de madrugada, aos 92 anos. Segundo avança o Folha de S. Paulo, o arquiteto estava internado num hospital em São Paulo. A morte de Mendes da Rocha foi confirmada ao jornal pelo filho, Pedro Mendes da Costa.

O segundo brasileiro a ganhar o Pritzker, o mais importante galardão de arquitetura (o primeiro foi Oscar Niemeyer, em 1988), Mendes da Rocha era considerado o último gigante da arquitetura no Brasil. Era também o seu representante mais premiado. Em Portugal, ficou conhecido por ter sido responsável pelo polémico projeto do novo Museu dos Coches, em Belém. Atacado pela sua modernidade e pelo custo da obra, o projeto foi distinguido com o Prémio CICA de Arquitetura, atribuído pelo Comité Internacional de Críticos de Arquitetura.

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Paulo Mendes da Rocha nasceu em 1928 em Vitória, capital do estado brasileiro de Espírito Santo. Formou-se em Arquitetura em São Paulo, cidade onde concentrou a maioria dos seus projetos, como o Museu Brasileiro da Escultura, o Clube Atlético Paulistano e a reformulação da Pinacoteca do Estado de São Paulo, um dos seus principais trabalhos. Na mesma cidade, foi ainda responsável pelo Museu da Língua Portuguesa, destruído por um incêndio, em 2015.

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Desde a primeira obra, o Clube Atlético Paulistano, que o arquiteto mostrou um apreço pela clareza estrutural, marca que o acompanharia sempre, como lembra o Folha de S. Paulo.

Em território brasileiro, foi também autor do Museu de Arte de Campinas e do Cais das Artes, na sua cidade natal, Vitória. Este último nunca seria terminado devido a problemas judiciais. De acordo com o Folha de S. Paulo, outro projeto que acabou por não ser concluído foi a Praça dos Museus da Univesidade de São Paulo, neste caso por falta de orçamento.

Mendes da Rocha foi coautor do Pavilhão Oficial do Brasil na Expo 70, que se realizou em Osaka, no Japão, e, em 1971, esteve entre os finalistas do concurso para o projeto do Centro Cultural Georges Pompidou, em Paris, inaugurado em 1977. Em Portugal, além do novo edifício do Museu dos Coches, foi co-responsável pela Casa das Quelhas, no bairro lisboeta da Lapa. Estes dois trabalhos foram dos poucos que assinou fora do Brasil, uma limitação geográfica que não impediu a sua obra de ser divulgada além fronteiras.

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Aquando da sua passagem por Portugal em 2017, por altura da inauguração do Museu dos Coches, Mendes da Rocha recebeu um Doutoramento Honoris Causa na Universidade Lusófona do Porto, uma das muitas distinções que foi acumulando ao longo da sua vida e que incluem, além do Pritzker, o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, pela primeira vez atribuído a um brasileiro, o Prémio Imperial do Japão ou, muito recentemente, a medalha de ouro da União Internacional de Arquitetos, no início deste mês de maio. Por altura da atribuição do galardão, o júri destacou a sua ousadia e o seu virtuosismo técnico.

No ano passado, o arquiteto brasileiro, em atividade desde 1955, doou a totalidade do seu acervo à Casa da Arquitetura – Centro Português de Arquitetura,  com sede em Matosinhos, que o fez o seu primeiro sócio-honorário.

Casa da Arquitetura lamenta morte do primeiro sócio-honorário

A Casa da Arquitetura — Centro Português de Arquitetura foi uma das primeiras entidades a reagir, este domingo, à morte do arquiteto. “Foi com enorme dor e profunda consternação que a Casa da Arquitetura soube do falecimento do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, o seu primeiro sócio-honorário, esta manhã, em São Paulo, aos 92 anos de idade”, refere a organização sediada em Matosinhos numa nota enviada à Lusa.

“A Casa da Arquitetura expressa as mais sentidas condolências à família, amigos e colaboradores, solidarizando-se com todos os que, ao longo de décadas, conheceram, trabalham e privaram com tão excecional personalidade”, acrescentou a organização, que considerou Mendes da Rocha um “amigo” com quem mantinha “uma relação próxima há muitos anos”.

Considerando que “o mundo e a arquitetura ficam irremediavelmente mais pobres”, a Casa da Arquitetura recordou que tem programada para 2023 uma “grande exposição monográfica dedicada a Paulo Mendes da Rocha”.