O número de partos ao domicílio disparou em Portugal em 2020, ano em que o mundo foi assolado pela pandemia da Covid-19. Ao todo, e de acordo com os dados mais recentes publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2020 nasceram 1.001 crianças com partos caseiros.

O valor representa ainda uma percentagem muita pequena da totalidade dos partos em solo nacional em Portugal — em 2020, os partos em casa representaram apenas 1,3% dos 83.784 nascimentos que se verificaram durante o ano. Mas o aumento dos nascimentos em contexto domiciliar, que foi de 72% face ao ano anterior (em que nasceram 639 bebés em domicílio), é especialmente significativo, em especial se for tido em conta que o número de nascimentos foi menor no ano passado (83.784) do que tinha sido em 2019 (85.963).

Como relatava a Notícias Magazine no início deste ano, o número de partos em casa tem “vindo a subir ligeiramente” desde 2017, segundo o INE, algo comprovável pelos dados oficiais disponíveis. Se de 2015 a 2017 o número de partos ao domicílio diminuiu consistentemente, ainda que ligeiramente (708 em 2015, 695 em 2016, 572 em 2017), daí em diante aumentou: de 572 em 2017 para 614 em 2018 e depois para 634 em 2019.

O aumento passou porém de brando para muito significativo neste último ano: em vez de mais 20 partos em casa — a variação de 2018 para 2019 —, de 2019 para o ano passado contabilizaram-se mais 367 partos caseiros.

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As restrições à presença de companheiros ou companheiras nos hospitais a assistir ao parto e eventuais receios sobre uma possível contaminação e infeção em ambiente hospitalar podem ajudar a explicar este aumento muito mais significativo dos partos em casa em 2020, face às variações dos anos transatos.

Em fevereiro, a Notícias Magazina escrevia que a opção por partos ao domicílio não está incluída nos serviços do SNS mas “é legal” e “há cerca de 15 enfermeiras e enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia a fazê-lo, de forma independente”, com um custo a variar “entre os 1.200 e os 1.600 euros”.