O diretor de Recursos Humanos da TAP, Pedro Ramos, foi suspenso de funções, na sequência do inquérito ao vídeo publicado nas redes sociais e já tem substituta: Sandra Rodrigues, anunciou a transportadora em comunicado enviado aos trabalhadores.

“Informamos que a Sandra Rodrigues irá assegurar interinamente as funções do Diretor de Pessoas e Cultura, no contexto do processo de inquérito instaurado, que determina a suspensão de funções do Pedro Ramos até à conclusão do mesmo”.

A Comissão Executiva da TAP refere na nota que “o processo de inquérito, seguido dos procedimentos disciplinares aplicáveis a esta situação, foi instaurado na sequência da tomada de conhecimento de uma publicação, a título pessoal, nas redes sociais”. E expressa “solidariedade para com todos os trabalhadores”, apelando ainda “ao recato de todos”.

Estamos certos de que contamos com o empenho e colaboração de todos para, juntos, ultrapassarmos os grandes desafios que temos pela frente”, conclui.

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Em causa está um vídeo gravado por dois diretores de recursos humanos do grupo em Madrid, no qual anunciavam estar a contratar um diretor para a operação de carga em Espanha. Isto num momento em que a TAP – atualmente em processo de reestruturação forçada por estar a receber ajudas de Estado – já rescindiu com mais de 1.800 trabalhadores e admite um despedimento coletivo de outros 206 caso não consiga que estes saiam por comum acordo.

Os dois diretores em causa são Pedro Ramos, diretor de Recursos Humanos da TAP, e João Carlos Falcato, diretor de recursos humanos da Manutenção & Engenharia – este último já tinha aderido ao programa de rescisões por mútuo acordo.

TAP. João Falcato, um dos diretores que aparecem no vídeo, já tinha aderido às rescisões antes da polémica

No vídeo, filmado à noite numa das praças mais movimentadas e turísticas de Madrid, a Plaza Mayor, Pedro Ramos e João Carlos Falcato comentam, com boa disposição e aparente despreocupação, o processo de seleção de pessoal iniciado na capital espanhola.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, já comentou o polémico vídeo.

“Não quero alimentar muito mais. A única coisa que me importa — e que quero salientar nesta altura — é que todos os que estão envolvidos num processo muito complicado de reestruturação da TAP tenham o recato e a sensibilidade exigida por uma situação difícil que milhares de trabalhadores estão a viver, com perda de emprego e de salário. A situação é crítica, complexa, demasiado difícil de gerir”, disse o ministro, que salientou, na altura, não ter conhecimento da ação de contratação dos dois diretores em Madrid.

“Não sabia, nem tinha de saber. Ao contrário do que muitos dizem, eu não estou a gerir a empresa. O que me foi dito é que estava em causa a saída do responsável comercial de carga em Espanha, saiu voluntariamente, e era preciso substituí-lo. A prática normal é que seja substituído por alguém que conheça o mercado em concreto. É uma prática de gestão normal. Não há um processo de recrutamento aberto, o que há é a necessidade de substituir alguém que vai sair voluntariamente e que deve ser procurado no mercado em concreto”, indicou ainda.