O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, acusou esta terça-feira a Alemanha de ter cometido um “ato nazi”, após a aplicação de novas sanções europeias contra a Bielorrússia que vão condicionar importantes fontes de receita para o país.

“O que não se esperava é que a Alemanha também participasse nesta conspiração coletiva”, disse Lukashenko, por ocasião da comemoração do 80.º aniversário do início da invasão da Alemanha à antiga União Soviética.

Não esperávamos isto daqueles cujos ancestrais mataram um em cada três bielorrussos. Já se passaram 80 anos, e daí? Isto é o quê? Uma nova guerra quente?”, acrescentou Lukashenko.

Segunda-feira, numa reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros no Luxemburgo, a União Europeia, os Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá decidiram punir dezenas de personalidades e empresas ligadas ao poder vigente em Minsk.

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Os 27 também concordaram em cortar importantes fontes de receita do regime, decisão que deve ser confirmada “rapidamente” na cimeira da UE marcada para quinta e sexta-feira em Bruxelas, disse na altura o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Segunda-feira também, a líder da oposição bielorrussa, Svetlana Tikhanovskaia, congratulou-se com as sanções “sem precedentes” e “muito poderosas” contra o regime de Lukashenko, há 26 anos no poder.

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“Estou bastante grata à comunidade democrática por ter tomado esta posição comum, unida. As sanções são muito mais poderosas quando são decretadas em coordenação”, considerou, em declarações à agência noticiosa France-Presse (AFP), lembrando que passou um mês desde que Minsk desviou um avião comercial para deter um jornalista da oposição.

Tikhanovskaia sublinhou que o sequestro do voo da Ryanair, que fazia a ligação entre Atenas e Vílnius (Lituânia), e a detenção de Roman Protasevich, tornou possível esta posição comum.

Nunca tivemos tal unidade entre bielorrussos e países democráticos. [As sanções] foram impostas simultaneamente, no mesmo dia, e é uma mensagem clara ao regime de que continuamos a trabalhar juntos contra as violações dos direitos humanos, contra os atos sem fé e sem lei. É maravilhoso”, disse a líder da oposição bielorrussa.

“As sanções são inéditas. Já tinham sido impostas sanções ao governo e ao regime, mas, desta vez, a lista é muito poderosa. O regime deve entender que não há saída desta situação exceto através de novas eleições. O regime terá de entender essa mensagem”, acrescentou.