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Na véspera de o Conselho de Ministros decidir que o país, e em especial Lisboa, travava no desconfinamento face ao número preocupante de novos casos de Covid-19, o presidente da Assembleia da República pediu aos portugueses para irem “de forma massiva” a Sevilha, apoiar a Seleção Nacional contra a Seleção da Bélgica no Euro 2020 de futebol.

A declaração foi posteriormente defendida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que veio vincar e justificar que “apela-se a que vão, os que podem ir ou puderem ir, dentro do respeito pelas regras sanitárias”.

O que Ferro disse: “Espero que os portugueses se desloquem de forma massiva”

“Espero que os portugueses se desloquem de forma massiva para o sul de Espanha e que possam apoiar uma grande vitória de Portugal nos oitavos de final deste campeonato da Europa”, disse na quarta-feira Ferro Rodrigues, no final do jogo em Budapeste, entre Portugal e a França.

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Depois do apelo, Ferro Rodrigues confirmou ainda que “estará com todo o gosto” com Marcelo Rebelo de Sousa em Sevilha. “Falei com o Presidente da República que me disse que lá estaremos em Sevilha. Estarei com ele, com todo o gosto a acompanhar a Seleção Nacional em mais uma epopeia deste europeu”, disse o Presidente da Assembleia da República.

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Governo não comenta, Marcelo defende Ferro

Instada a comentar o apelo a que os portugueses se desloquem a Sevilha “de forma massiva” para apoiar a Seleção, numa altura em que a taxa de contágios por Covid-19 está em franca aceleração no país e em que foram adotadas novas medidas de contenção em regiões como a Área Metropolitana de Lisboa, a Ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, recusou pronunciar-se, não tecendo qualquer comentário na conferência de imprensa de esta quinta-feira. Quem já comentou o apelo de Ferro Rodrigues foi o Presidente da República.

Em declarações proferidas esta quinta-feira durante uma visita a Guimarães, citadas pelo jornal Público, Marcelo Rebelo de Sousa reagiu ao apelo de Ferro Rodrigues, que o citara no polémico apelo dizendo ter falado “com o Presidente da República” que lhe dissera “que lá estaremos em Sevilha”.

Notando que já tinha a “intenção de ir a Sevilha” mas que queria esperar para ver “quais as medidas adotadas” pelo Governo esta quinta-feira para conter a propagação da Covid-19 no país, o Presidente da República interpretou o apelo de Ferro Rodrigues: “Apela-se a que vão os que podem ir ou puderem ir, dentro do respeito pelas regras sanitárias“.

Marcelo Rebelo de Sousa quis ainda vincar que quis “ter a certeza que respeitava as regras” em vigor para todos os cidadãos. Ou seja, que não iria aproveitar o argumento de que estaria em representação institucional do país (como chefe de Estado) para furar regras que travassem a saída de Portugal rumo a Espanha. “Tinha de ter a certeza que respeitava as regras, não ia invocar o estatuto de Presidente quando os demais cidadãos não fossem. O conhecimento de que se pode ir desde que se tenha o certificado já torna mais fácil ponderar essa hipótese. Tinha dito ontem [quarta-feira] que gostava muito ir, [mas] pensei para comigo mesmo que só vou se o morador em Lisboa comum puder ir; se não puder ir, não vou”, referiu.