“Se a casa é o espaço onde nos devemos sentir seguros, confortáveis e felizes, o local de trabalho deve ser, igualmente, um espaço onde as dimensões individuais não são questionadas, mas sim encorajadas.” A frase pertence a Cláudio Valente, diretor de recursos humanos da IKEA Portugal, e reflete perfeitamente aquilo que orienta a empresa, como nos explica o responsável em entrevista: “Na IKEA, somos guiados por uma visão simples, no entanto, poderosa, de criar um dia a dia melhor para a maioria das pessoas. Neste sentido, cuidar das pessoas, assegurar a diversidade e inclusão fazem parte da nossa visão e dos nossos valores.”

Na IKEA, este compromisso é claro e bem assumido por todos, passando por criar um ambiente de trabalho onde os colaboradores se sentem valorizados e apoiados nas suas singularidades e talentos. E embora Cláudio Valente reconheça que ainda existe, a nível mundial, “um caminho a percorrer antes que todos, independentemente de género, etnia, raça ou nacionalidade, tenham acesso às mesmas oportunidades e recursos para uma vida melhor”, a empresa opta por não cruzar os braços, dando o seu contributo diariamente: “Acreditamos que promover a igualdade é um dever de todos e queremos refletir a diversidade da sociedade em todos os níveis do nosso negócio; só assim será possível responder às necessidades dos nossos clientes atuais e futuros.”

Valores humanistas na prática

Segundo Cláudio Valente, “igualdade, diversidade e inclusão são valores que estão intrinsecamente ligados à cultura e aos valores humanísticos da IKEA”. Como tal, na empresa defendem que “todos têm o direito de ser tratados com justiça e ter igualdade de oportunidades, independentemente de qualquer dimensão de diversidade”.

Mas para que esta filosofia deixe a dimensão das palavras e se converta em atos, a estratégia da IKEA passa pela integração de objetivos específicos relacionados com este tema no seu plano de negócios e pela inclusão do assunto na agenda interna da companhia. Um dos objetivos estabelecidos em 2012 passava precisamente por alcançar o equilíbrio de género em todos os níveis de liderança da organização e, hoje, “esse objetivo foi atingido”. “Em Portugal, estamos especialmente orgulhosos do movimento alcançado relativamente ao equilíbrio de género na nossa estrutura de liderança, onde temos 50% de mulheres, mas igualmente por termos assegurado que não há diferença salarial entre homens e mulheres em funções equivalentes”, afirma.

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Também ao nível do reconhecimento de direitos e igualdade no que diz respeito à orientação sexual, identidade de género, nacionalidade e etnia, muitos têm sido os projetos desenvolvidos pela empresa (ver DESTAQUE), porque, como realça o responsável, “o progresso é feito por todos nós, todos os dias”. Referindo-se especificamente às questões associadas à etnia, raça e nacionalidade, aproveita para dar conta de mudanças que estão para breve: “Iremos aumentar a representação de pessoas de diferentes etnias e raças na IKEA, incluindo, é claro, em posições de liderança. A nossa meta é que, até 2024, em Portugal, cerca de 15% das nossas posições de liderança espelhem a representatividade que existe na sociedade de pessoas de grupos étnicos e raciais sub-representados.”

E para alcançar todo este propósito, o caminho tem necessariamente de passar pelo diálogo e partilha, com Cláudio Valente a revelar que irão “trabalhar em equipa e também com outras marcas e organizações que tenham esta mesma ambição, na esperança de inspirar outras pessoas a aderir a este movimento”. E isto “porque, ao partilhar experiências, aprendemos uns com os outros e conseguimos agir mais rápido”, justifica.

Apoiar quem se refugia em Portugal

Um dos projetos mais recentes da IKEA no âmbito da promoção da igualdade e inclusão é o Programa de Empregabilidade para Refugiados (ver DESTAQUE). Até ao momento, são já 595 os refugiados a beneficiar da iniciativa em 20 mercados IKEA. “Em média, dois terços dos participantes encontraram emprego após o programa – quer dentro da IKEA, quer noutra empresa – e os números continuam a crescer, com o objetivo traçado de, até 2022, apoiar 2500 refugiados em 30 países”, pormenoriza Cláudio Valente.

Durante o mês de abril, foram integradas 18 pessoas neste programa de formação a decorrer nas cinco lojas IKEA portuguesas e no Centro de Apoio ao Cliente. De acordo com o especialista em recursos humanos, “a integração destes colegas tem sido muito positiva, com grande apoio por parte das equipas que os recebem”. “Quase arrisco dizer que tem sido uma experiência igualmente enriquecedora, seja para quem estamos a acolher, seja para quem os está a receber e orientar no dia a dia”, afirma, mesmo admitindo que “ainda é cedo para avaliar o impacto na empregabilidade destas pessoas” “Mas acredito que o balanço é sempre positivo quando falamos em construir oportunidades de igualdade, diversidade e inclusão e estamos no caminho para um mundo mais justo e igual”, conclui.

Não basta falar, há que fazer

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São muitas as iniciativas que a IKEA promove com vista a sensibilizar para os valores humanistas que defende:

Programa de Empregabilidade para Refugiados – Em vigor em todas as lojas IKEA do país, este é um projeto realizado em parceria com o Conselho Português para os Refugiados e o Alto Comissariado para as Migrações com o objetivo de contribuir para a integração de refugiados que chegam a Portugal, promovendo a sua empregabilidade e inclusão no mercado de trabalho.

Apoio à comunidade LGBTI+ – “O Progresso faz-se” foi o nome da campanha lançada em todas as plataformas IKEA por ocasião do Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, com a intenção de tornar a marca num forte aliado da comunidade LGBTI+.

Semana da Diversidade – Em 2020, a IKEA realizou a segunda edição da Semana da Igualdade, Diversidade e Inclusão, uma iniciativa interna destinada a sensibilizar líderes e colaboradores para a importância de o local de trabalho ser diverso e inclusivo.

Podcast “Igualmente” – Um programa de conversas sobre diversidade, igualdade e inclusão conduzidas por Rui Maria Pêgo na IKEA. Igualdade em casa, violência doméstica ou igualdade étnica e racial foram alguns dos temas já abordados. Descubra todos os episódios aqui .

Para quê fazer assim?

Apostar em organizações mais humanas e onde todos contam é, sem dúvida, o melhor caminho para que o crescimento generalizado aconteça. “Quando as pessoas têm as mesmas oportunidades para crescer, todos ganham”, reforça, lembrando que “um ambiente heterogéneo, onde cada um é valorizado pelas suas características e contributos únicos, é melhor para as pessoas e, está provado, melhor para as empresas, que se tornam mais inovadoras, mais colaborativas, mais produtivas e, sim, mais rentáveis”.

A igualdade e diversidade que a IKEA procura pôr em prática fazem também diferença para os próprios consumidores. “Promover a igualdade tem um poder positivo na diversidade multicultural do nosso negócio e ajuda-nos a alargar a nossa visão e a inovar cada vez mais”, refere, notando que “é reconhecido que grupos diversos são mais dinâmicos e criativos do que grupos homogéneos”. Há ainda a considerar outra dimensão, que passa pela compreensão do próprio consumidor: “Refletir a diversidade da nossa base de clientes em todos os níveis da empresa também nos ajuda a responder melhor às suas necessidades, o que contribuirá para o crescimento do nosso negócio.”

Todos somos responsáveis

Mas será que deve caber a empresas como a IKEA sensibilizar para questões relacionadas com estas temáticas? Cláudio Valente não duvida que sim: “Todos temos a responsabilidade e a oportunidade de tornar o mundo mais inclusivo e isso é uma responsabilidade de todos, de todas as empresas e de todas as pessoas.” E mesmo sabendo que “se calhar, nem todos concordam” ou não percebem porque é que a empresa assume esta posição humanista de forma tão vincada, insiste que não é por isso que deixam de fazer o que entendem que é correto: “Acredito que faz parte da nossa responsabilidade insistir, explicar, promover a discussão e mostrar bons exemplos.”